
 Voc que eu Quero

                   Gossip Girl


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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Vocs conhecem aquele ditado: hoje  o primeiro dia do resto de nossa vida? Eu sempre
achei to idiota e brega, mas hoje ele parece mesmo meio profundo. Alm disso, estou
comeando a pensar que no h nada de errado com o brega. Tudo bem dizer ao porteiro
para ter um bom dia quando ele abre a porta para voc de manh quando voc vai para a
escola.E porque no parar para sentir o cheiro dos lilases plantados nas caladas dos
prdios da Quinta Avenida? Enquanto voc est nessa, v em frente e prenda um ramo em
sua orelha. Ainda  abril, mas voc agora pode pegar aqueles novos tamancos de couro
verde-menta Coach - sabe quais so, aqueles com as rosinhas amarelas bordadas que vocs
andaram usando dentro de casa por um ms?  e usar na rua.  claro que vocs
provavelmente tero problemas na escola por sarem do uniforme, mas como  que vo
exibir as novas unhas de pedicure brasileira?

Eu sei, eu sei. Vocs devem estar pensando que fiquei maluca por parecer to animada,
porque esta  a semana em que todos ns vamos descobrir se fomos ou no aceitos na
universidade a que nos candidatamos. Isso  a coisa mais fundamental da nossa vida. A
partir de agora, vamos ficar marcados pela faculdade que escolhemos ou, melhor, a
faculdade que nos escolheu: os nerds que vo para Yale, as alunas classe B e jogadoras de
vlei lsbicas que vo para a Smith, a herdeira maluquinha cujo pai comprou a vaga dela na
Brown. O que eu estou dizendo  o seguinte: por que no ver o lado bom das coisas? As
cartas esto no correio, o que passou passou e eu, pelo menos estou doida para agitar.

AQUELE JOGO IDIOTA QUE A GENTE COSTUMAVA FAZER (E AINDA FAZ
ESCONDIDO)

Agora que a admisso na universidade est quase para trs,  hora de dedicar toda a nossa
ateno a uma coisa igualmente importante: nossa vida amorosa. Est quase na hora de
voc e o cara de seus sonhos (por favor, acrescente na cama a cada item que se segue:)

Tomar um porre de Fuzzy Navels e ficar acordado at amanhecer

Um dar ao outro sundae com calda

Ver filmes antigos

Nadar sem roupa

Soltar anis de fumaa

Jogar Twister
Fazer tatuagens temporrias um no outro

Escolher o nome dos filhos

Matar a academia

Experimentar ioga Bikram

No estou defendendo nada ilegal demais. Certamente esta no  a hora de ferra tudo.
Vocs souberam daquela jovem atriz promissora que entrou para Harvard no ano passado e
depois fugiu para Los Angeles para ficar com o namorado ator pelo ms de maio?
Aceitao em Harvard... revogada! A lista anterior  simplesmente a melhor maneira que eu
conheo da gente se livrar dos quilos de estresse que andam pesando. Se fosse uma dieta eu
no largaria nunca!

Seu e-mail

P: Cara Gossip Girl,
Eu s queria te agradecer por manter meu astral alto porque sou um caso totalmente
perdido. No sei quanto a voc, mas eu me candidatei a doze universidades e ontem  noite
sonhei que no tinha entrado para nenhuma. Algum conselho que me d motivo para eu no
fugir para o Mxico? Voc  d+.
-rose

R: Cara rose,
O Mxico parece timo, mas doze universidades? Qual , voc vai entrar para uma, ou at
para todas as doze! E se voc tiver vontade de se atirar de uma ponte antes que cheguem as
doze cartas, cole nos seus amigos... A no ser que voc esteja preocupada que eles possam
te empurrar! Esta  uma poca complicada para todos ns.
-GG

P: Cara GG,
Quer dizer que aquela garota doida da reabilitao de Connecticut, tipo assim, saiu da vida
de N? Porque, se ele est solteiro, eu vou voar para cima dele.
-reddy

R: Cara reddy,
Desculpe, meu bem, mas ter de esperar na fila - e sem furar, por favor! Infelizmente para
ns, algum chegou primeiro. Na verdade, ela sempre esteve l e provavelmente sempre
estar. Acho que voc sabe de quem eu estou falando. Mas no seja muito ciumenta: a vida
dela pode ser qualquer coisa, menos perfeita.
-GG

Flagra

N acordando e ficando chapado na escadaria do Met. Aposto que, agora que  capito de
lacrosse e no est mais saindo com a maravilhosa doida interna da reabilitao, ele pode
relaxar e curtir a vida. B matando uma reunio esta manh para correr para casa, na
hiptese de Yale estar to ansiosa para aceit-la que mandou por FedEx pela manh. Isso
que  ansiedade! B tambm foi vista no departamento de lingerie na Barneys
experimentando o que s pode ser descrito como um conjunto de boa sorte. S roendo as
unhas ao tomar banho de sol no Sheep Meadow enquanto montes de admiradores olhavam.
Com o que est preocupada, alis? D e V fingindo no perceber um ao outro enquanto
esperavam na fila para comprar ingressos para o novo filme de Ken Mogul no Angelika. J
experimentando um par de Manolos exclusivos pele de jibia na Bergdorf Goodman.
Como exatamente ela estava planejando pagar por eles e onde exatamente pretendia usar?
Ela pode ser s uma caloura, mas sem dvida nenhuma  ambiciosa.

S PARA O CASO DE VOC QUERER REVIVER AQUELES MOMENTOS
PRECIOSOS...

V est fazendo um documentrio sobre todo esse negcio de entrar para a universidade.
Pense nele como uma oportunidade de se expressar e conseguir quatro minutos de
refletores. Nas prximas duas semanas, ela estar filmando perto da Fonte Bethesda no
Central Park, depois da aula.

Meus dedos das mos e dos ps esto cruzados. Boa sorte a todos!

Voc sabe que eu falo srio,
gossip girl


b  a estrela de seu prprio filminho

- Basta falar de como est se sentindo agora. Sabe como , com as cartas de admisso da
faculdade chegando essa semana e tudo isso.- Vanessa Abrams semicerrou os olhos para a
cmera a ajustou a lente para enquadrar os brincos de pinjentes de jade e cristal Swarovski
de Balir. Fazia uma tarde agradvel de abril e o parque estava um hospcio. Atrs delas, um
grupo de terceiranistas da St. Jude corria atrs de um Frisbee pelos degraus em plataforma
que davam para a Fonte Bathesda, xingando-se e se agarrando num frenesi de estresse pr-
admisso na faculdade. Ao redor da fonte espalhavam-se os corpos perfeitamente
bronzeados e bem-cuidados das meninas do secundrio do Upper East Side, fumando
cigarros e passando o ltimo bronzeador Lancme nas pernas, enquanto a mulher alada de
bronze no meio da fonte olhava para elas com magnanimidade.
Vanessa apertou o boto de gravar.
- Pode comear quando quiser.
Blair Waldorf lambeu os lbios brilhantes e enfiou mechas do cabelo castanho-escuro atrs
das orelhas. Por baixo da camisa plo preta e do uniforme da Constance Billard, ela usava o
novo conjunto de suti e calcinha de seda turquesa e renda preta que comprara no
departamente de lingerie da Barneys. Ela apoiou as costas na beira da fonte e ajeitou a
bunda na toalha de banho dobrada que Vanessa tinha lhe dado para sentar.
Clima quente e tangas no combinam muito bem.
- Prometi a mim mesma que, se eu entrasse para Yale, Nate e eu finalmente amos fazer-
comeou Blair. Ela olhou para baixo e girou o anel de rubi repetidamente no dedo anular da
mo esquerda.- Ns no estamos exatamente juntos... ainda no. Mas ns dois sabemos
que queremos ficar, e assim que as cartas chegarem...- Ela olhou para a cmera, ignorando
a encarada estranhamente intensa da cabea raspada e botas de combate de Vanessa.- Mas
para mim no  s uma questo de transar.  todo o meu futoro. Yale e Nate. As duas
coisas que eu sempre quis na vida.
Ela tombou a cabea para o lado. Na verdade, ela queria muitas coisas. Mas, a no ser pelo
lindo par de sandlias plataforma de lagarto prateado Christian Louboutin, aquelas duas
eram as principais.
- Boa tentativa, man!- gritou um garoto enquanto pegava o Frisbee no ar debaixo do nariz
do amigo.
Blair fechou os olhos azuis e os abriu novamente.
- E se eu no entrar...- Ela fez uma pausadramtica- Algum vai ter que pagar por essa
porra.
Talvez algum devesse colocar uma focinheira nela nesta semana.
Blair suspirou, estendeu a mo para a blusa e ajeitou as alas do suti.
- Alguns de meus amigos... tipo Serena e Nate... no esto pirados com toda essa histria de
faculdade. Mas isso  porque eles no esto morando com a me velha-demais-para-
engravidar e o padrasto gordo e grosso. Quer dizer, eu nem tenho mais o meu prprio
quarto!- Ela enxugou uma lgrima e olhou para a cmera com uma expresso de pesar.-
Esta  tipo a minha nica chance de ser feliz. E eu acho que mereo, sabe?
Aplausos de claque.

n s quer sentir o gosto do brilho labial dela

Ao chegar ao fim da esplanada ladeada por olmos que levava ao Terrao e Fonte Bethesda,
Nate Archibald atirou no cho a bagana do baseado que estava fumando e passou direto
pelos amigos do Frisbee. A menos de trs metros de distncia, Blair estava sentada de
pernas cruzadas na base da fonte, falando para uma cmera. Ela parecia nervosa e meio
inocente. Suas mos delicadas se agitavam em torno do rosto pequeno de raposa, e o
uniforme cinza e curto da escola mal cobria as coxas musculosas. Nate afastou as mechas
castanho-douradas dos olhos verde-esmeralda e enfiou as mos nos bolsos da cala cqui.
Ele estava totalmente sexy.
 claro que naquele exato momento todas as solteiras do parque estava pensando
exatamante na mesma coisa- nele.
Nate reconhecia s vagamente agarota estranha e careca atrs da cmera. Blair nada teria a
ver com ela, mas Blair sempre estava pronta para qualquer coisa que envolvesse falar de si
mesma. Ela gostava de ateno, e mesmo de romper com ela e tra-la um monte de vezes,
Nate ainda gostava de lhe dar ateno. Ele mergulhou a mo na fonte, andou atrs dela e
espirrou umas gotas de gua no brao nu de Blair.
Blair girou a cabea rapidamente e viu Nate mais irresistvel do que nunca numa camisa
amarela desbotada, por fora das calas e com as mangas arregaadas, ento s o que ela
pde ser foram os msculos maravilhosamente bronzeados e o rosto perfeito.
- Voc no estava ouvindo o que eu disse, estava?- perguntou Blair.
Ele sacudiu a cabea e ela se levantou da toalha, ignorando Vanessa completamente. No
que dizia respeito a Blair, elas haviam acabado.
- Oi.- Nate se curvou e lhe deu um beijo no rosto. Ele tinha cheiro de fumo, roupa limpa e
couro novo- os cheiros bons de homem.
Hmmmm.
- Oi.- Blair ajeitou o uniforme. Porque diabos no tinha entrado para Yale hoje?
- Eu s estava pensando que no vero passado voc era totalmente viciadad em sanduche
de sorvete- observou Nate. Ele teve o impulso sbito de lamber todo o brilho labial que
cheirava a doce nos lbios de Blair e passar a lngua pelos dentes dela.
Ela fingiu ajeitar os brincos novos para que ele percebesse.
- Estou nervosa demais para comer, mas uma limonada agora cairia bem.
Nate sorriu e Blair enfiou a mo na curva do brao dele, como sempre fazia quando eles
saam juntos. O velho e conhecido arrepio percorreu-lhe o corpo. Era sempre assim quando
eles voltavam- ao mesmo tempo agradvel e assustador. Eles foram at o vendedor
estacionado no alto da escada e Nate comprou duas latas de limonada Country Time.
Depois eles se sentaram em um banco prximo e ele tirou uma garrafinha prateada da
mochila verde-oliva Jack Spade.
Hora do coquetel!
Blair ignorou a limonada e pegou a garrafinha.
- No sei por que voc est nervosa. Voc  tipo a melhor aluna da sua turma.- Nate se
sentia meio ambivalente em relao a entrar na faculdade. Tinha se candidatado a cinco
universidade e, sim, ele queria ingressar em uma delas, mas estava confiante de que teria
uma poca razovel aonde quer que fosse.
Blair tomou outro gole da garrafinha antes de devolver.
- Caso voc tenha se esquecido, eu meio que me fodi totalmente nas duas entrvistas.-
lembrou Blair a ele.
Nate tinha ouvido falar do pequeno colapso nervoso que ela teve na primeira entrevista em
Yale e como Blair terminara a sesso dando um beijo no entrevistador. Ele tambm soube
da paquerinha rpida que ela teve num quarto de hotel com o entrevistador que era ex-aluno
da universidade. De certa forma, ele era responsvel pelos dois infortnios. Sempre que
eles terminavam, Blair ficava totalmente sem noo.
Ele estendeu a mo e ajeitou o anel de rubi no dedo dela.
- Relaxa. Tudo vai ficar bem.- disse ele delicadamente- Eu prometo.
- T legal- concordou Blair, embora a verdade fosse que ela no ia parra de se estressar at
que a carta de aceitao de Yale estivesse pendurada acima da cama dela em uma moldura
de prata feita sob encomenda na Tiffany. Ela ia colocar o novo CD do Raves que sempre a
deixava excitada, embora fosse meio estridente e irritante, e se deitaria na cama, lendo sem
parar a carta de admisso enquanto Nate vagava por seu corpo...
- Wue bom.- Nate se survou e comeou a beij-la, interrompendo a pequena fantasia porn
dela.
Blair gemeu por dentro. Se ao menos pudesse transar com ele ali memso, no banco de
madeira velho e seboso do Central Park! Mas ela teria de esperar at saber de Yale. Foi esse
o acordo que fez consigo mesma.


A nica coisa que ela no conseguiu

Do outro lado da esplanada, Serena van der Woodsen estava comendo um sorvete
Fudgsicle e pensando na vida quando viu os dois melhores amigos em um banco do parque,
devorando-se com os olhos e parecendo o anncio publicitrio do amor verdadeiro. Serena
suspirou, andando lentamente enquanto lambia as gotas adocicadas do palito. Se ao menos
o amor verdadeiro fosse uma coisa que a gente pudesse comprar.
No que ela no tivesse passado por um zilho de namorados que eram totalmente
apaixonados por ela e totalmente divertidos. Teve o Perce, o francs que a perseguiu em um
pequeno conversvel laranja por toda a Europa. Depois o Guy, o lorde ingls que queria
fugir com ela para Barbados. Conrad, o cara do internato de New Hampshire, que ficou
com ela at o amanhecer, fumando charuto. Dan Humphrey, o poeta mrbido que nunca
encontrava uma metfora certa para ela. Flow, o astro do rock que se revelou chegado a um
assdio  no que ela realmente se importasse em ser assediada por algum to gato e
famoso. E Nate Archibald, o cara com quem ela perdeu a virgindade e que amaria para
sempre, mas s como amigo.
E esta era a lista de favoritos.
Ainda assim, ela nunca teve um amor verdadeiro, o tipo de amor que tinham Blair e Nate.
Ela atirou o resto do sorvete numa lixeira e apressou o passo, os tamancos Mella de veludo
rosa fazendo barulho na calada pavimentada, os longos cabelos louros fluindo atrs e o
uniforme curto, cinza e pregado da Constance Billard batendo nas pernas interminveis de
compridas.  medida que se aproximava, os meninos que brincavam em volta da Fonte
Bethesda e andavam de patins de um lado a outro da esplanada apertaram o boto pause e
se viraram boquiabertos. Serena, Serena, Serena  ela era tudo o que eles queriam.
At parece que eles tinham coragem de dizer um oi que fosse a ela.
- Porque vocs no pegam um quarto no Mandarim? Fica s a algumas quadras daqui-
brincou Serena quando alcanou os amigos no banco.
Nate e Blair olharam para ela com um expresso feliz e deslumbrada.
- Voc fez o troo?- perguntou Serena a Blair de um jeito que s as grandes amigas podiam
entender.
- Arr.- assentiu Blair- Mas no falei por muito tempo, porque o Nate estava ouvindo.
- No estava!- protestou Nate.
Serena olhou para Nate.
- Eu s queria ter certeza que Blair no estava pirando demais. Eu devia saber que voc era
capaz de acalm-la.
Blair tomou um gole da limonada.
- No soube de nada ainda?
Serena pegou a limonada dela.
- No, pela dcima quinta vez, eu ainda no soube de nada.- Ela tomou um gole e limpou a
boca com a manda da blusa Tacco rosa-claro.- E voc?
Blair sacudiu a cabea. Depois teve uma idia.
- Olha, porque a gente no pega todas as cartas e abre junto? Sabe como , a gente podia,
tipo assim, pirar ao mesmo tempo.
Serena tomou um gole da limonada. Parecia a pior idia que ouvira na vida, mas ela estava
disposta a se arriscar a ter os olhos dilacerados para fazer a amiga feliz.
- Tudo bem.- concordou ela com relutncia.
Nate no disse nada. De jeito nenhum queria se juntar a essa festinha. Ele ergueu a
garrafinha para Serena.
- Quer?
Ela torceu o nariz perfeito e agitou os dedos sem esmalte.
- No. Estou atrasada para fazer as unhas. A gente se v.- Depois ela se virou e foi para o
sul, ao fim do parque, levando a lata de limonada pela metade.
Serena tinha o hbito de pegar as coisas sem nem perceber o que estava fazendo.
Limonada, homens...

D resgata V, ou vice-versa

Vanessa esperou pacientemente enquanto Chuck Bass ajeitava a gola vermelha no pescoo
de seu macaco de estimao com o monograma em S ficasse visvel para a cmera. Chuck
tinha chegado  fonte logo depois de Blair partir. Ele nem cumprimentou, s se sentou na
toalha com o macaco e comeou a falar.
-  melhor a NYU me deixar entrar, porque quero ficar no apartamento que meus pais
compraram para mim. E, depois, eu e Sweetie podemos ficar juntos.- Chuck passou as
mos no casaquinho branco do macaco, o anel rosa com o monograma em ouro brilhando
na luz do sol.- Sei que  s um macaco, mas ele  meu melhor amigo.
Vanessa deu um zoom no logo Prada das sandlias masculinas de couro preto de Chuck. As
unhas dos ps estavam recm-feitas, e uma pulseira fininha de ouro se pendurava frouxa do
tornozelo artificialmente bronzeado. Ela fora aceita antecipadamente na NYU em janeiro.
A idia de que ela e Chuck pudessem ser colegas de turma no ano seguinte era mais do que
um pouco perturbadora.
-  claro que vou conseguir um lugar aonde quer que eu v - continuou Chuck.- Mas o
decorador acabou de fazer meu apartamento na Armani Casa, e qual , quem quer morar na
porra de um lugar como Providence, em Rhode Island?
Daniel Humphrey atirou o que restava do cigarro Camel em uma pilha de folhas verdes e
molhadas na beira da esplanada. Zeke Freedman e um bando de seus outros colegas de
turma da Riveside Prep estavam jogando hquei sobre patins, e por um breve segundo ele
pensou em se juntar a eles. Afinal, Zeke era seu melhor amigo  antes de Dan ficar com
Vanessa Abrams, sua outra melhor amiga. Agora ele estava completamente sem amigos e
tudo parecia ter sido muito tempo atrs. Ele se virou, acendeu outro Camel e continuou a
caminhada ritual solitria pelo parque que fazia depois da aula.
A Fonte Bathesda, em um dia de sol, no era realmente o ambiente para ele  tinha fortes
demais correndo chapados por ali sem camisa e garotas bronzeadas ouvindo seus iPods
com biqunis Missoni  mas o dia estava lindo e ele no tinha outro lugar para ir.
Havia sua irm mais nova, Jenny, e a amiga dela da Constance Billard School, Elise, uma
fazendo o p da outra. Tinha aquele babaca do Chuck Bass da sua turma na Riverside,
esparramado na base da fonte com o macaco no colo, falando com...
Dan passou uma mo trmula pelo cabelo comprido de poeta bomio e deu um longo trago
no cigarro. Vanessa odiava o sol e odiava ainda mais gente como Chuck, mas estava
aturando qualquer coisa para fazer um filme. A disposio de sofrer pela arte era uma das
muitas coisas que ela e Dan tinham em comum.
Ele vasculhou a bolsa de carteiro e pegou uma caneta e um caderno de capa de couro preto
que sempre levava, rabiscando uns versos sobre o modo como Vanessa usava a ponta da
bota, exibindo o metal. Talvez fosse o comeo de um novo poema.

Pretas
Botas de ponta de ao
Pombos mortos
Chuva turva
- Estou fazendo um documentrio, se quiser participar- gritou Vanessa para ele,
interrompendo Chuck no meio de uma frase. Dan vestia camiseta branca queimada de
cigarro e calas baggy caramelo. Ele parecia o mesmo poeta desgrenhado e relaxado que
ela sempre conhecera e amara. Depois que o poema "Putas" dele foi publicado na New
Yorker, Dan comeara a dar mais ateno  aparncia, comprando roupas em lojas
francesas como Agns B. e APC. Foi nessa poca que ele comeou a trair Vanessa com
aquela anorxica de dentes tortos e putinha da poesia MysterY Craze. Mas Mystery era
passado, e talvez o velho Dan tenha voltado para sempre.
A idia de sentar e falar com Vanessa cara a cara era meio enervante, mas talvez, se s se
concentrassem no filme, eles no tivessem de revirar toda aquela sujeira. Dan olhou para
Chuck, que estava penteando o macaco com uma escova de tartaruga cor-de-rosa para
crianas.
- Voc est...?
- Terminamos.- Vanessa dispensou Chuck.- Volte quando souber de alguma coisa.
 claro que ela nem precisava dizer isso. Chuck voltaria. Todos voltariam. No conseguiam
evitar. Arranjar gente que s pensava em si mesma para lavar a prpria roupa suja era to
fcil que devia ser ilegal.
- Mas eu nem cheguei na parte sobre o publicitrio que contratei para o Sweetie- disse
Chuck com um beicinho.- Vamos lev-lo na TV...
- Me poupe- ladrou Vanessa. Ela puxou a manga da blusa preta e fingiu olhar o relgio,
quando Dan sabia que na realidade ela nem tinha relgio.- O prximo.
Chuck se levantou e se afastou com o macaco no ombro. Com a palma das mos suando de
nervosismo, Dan assumiu o lugar dele.
- E a, o filme  sobre o qu?- perguntou ele.
Uma garota que perambulava pela fonte deixou cair o isqueiro e Vanessa devolveu com um
chute da bota.
- Ainda no sei bem. Quer dizer, tem alguma coisa a ver com o modo como todo mundo
est maluco. Sabe como , com a faculdade e essas coisas- explicou ela.- Mas no  sobre
isso.
- Arr.- Dan assentiu. Nada que Vanessa fazia era simples. Ele procurou pela Camel na
bolsa e acendeu outro.- Ultimamente eu ando meio ansioso com a correspondncia- admitiu
ele.
Vanessa olhou pela cmera e comeou a gravar. O rosto plido de Dan parecia to
vulnervel na luz do sol que era difcil acreditar que ele a tivesse trado- que era capaz de
fazer uma coisa to cruel.
- Continue.
- Acho que o que mais me irrita  ouvir os caras da minha turma dizendo: "Cara, vou sentir
sua falta no ano que vem".- Dan deu um longo trago no cigarro. A brancura da ma da
face interna do brao de Vanessa o fez esquecer do que estava falando. Branca como ma,
isso era bom.
- Continue- insistiu Vanessa.
Dan soprou a fumaa diretamente na cmera.
- Ningum vai sentir minha falta e eu no vou sentir falta de ningum, a no ser do meu pai
e talvez da minha irm.- Ele se interrompeu e engoliu em seco. E voc e dos seus braos
brancos como ma, ele quis acrescentar, mas concluiu que era melhor escrever do que
falar.
Vanessa tentou ficar quieta, mas o discursinho meio xarope de Dan a balanara, mesmo
sem a meno a seus braos.
- Ningum vai sentir falta de mim tambm- declarou ela, mantendoa cara firmemente
pressionada no visor para que eles no se olhassem nos olhos.
Dan bateu a cinza no cho e a esfregou com o salto de um de seus Pumas azuis surrados.
Parecia estranho falar com Vanessa de uma forma to distante quando h pouco mais de um
ms eles estavam apaixonados e ele transou pela primeira vez.
- Vou sentir a sua falta- admitiu ele em voz baixa.- Eu j sinto a sua falta.
Que droga, por que ele tinha de ser to bonitinho?
Vanessa deesligou a cmera antes que pudesse dizer alguma coisa reveladora demais.
- A bateria da cmera arriou- disse ela bruscamente.- Talves voc possa voltar outro dia-
acrescentou, desejando no ser to cretina sempre.
Dan se colocou de p e passou a ala da bolsa de carteiro pelo ombro.
- Foi bom te ver- respondeu ele com um sorriso tmido.
Incapaz de se conter, Vanessa retribuiu o sorriso.
- Foi bom te ver tambm.- Ela hesitou.- Promete que vai voltar quando souber das
novidades?
Era meio legal ver Vanessa sorrindo para ele novamente.
- Prometo- disse Dan com sinceridade, antes de saltar de volta  esplanada.
Talvez s estivesse ajustando a lente, mas meio que parecia que Vanessa estava olhando
para a bunda dele atravs da cmera enquanto ele se afastava.

Ah, jovem e despreocupado

- Foi muito legal da parte do seu irmo dar uma parada aqui- comentou Elise Wells
sarcasticamente para Jenny Humphrey. Ela esticou os longos braos sardentos acima da
cabea e depois deixou que cassem ao lado do corpo.- Acho que ele tem medo de mim.
Jenny tirou o p do colo de Elise e examinou as unhas recm-pintadas. Elise tinha passado
esmalte vermelho MAC New York Apple em todo o dedinho mnimo do p, onde a unha
era superpequena, e parecia que o dedo tinha sido esmagado com um martelo.
- Ultimamente Dan anda muito esquisito- observou ela.- E odeio te deixar frustrada, mas
no acho que tenha alguma coisa a ver com voc. Ele deve ter a resposta da faculdade esta
semana.
As duas meninas estavam sentadas junto  Fonte Bethesda, do lado oposto de onde Vanessa
tinha colocado a cmera. Jenny protegeu os olhos do sol e espiou sobre a borda da fonte
para ver o que estava acontecendo.
Vanessa agora filmava Nicki Button- outra veterena da Constance. Era de conhecimento
geral que Nicki tinha feito duas plsticas no nariz. Se voc comparasse as fotos do livro do
ano dos ltimos trs anos, ia perceber de cara.
- Ela s est entrevistando veteranos- declarou Elise. Ela enfiou o cabelo louro-
avermelhado e grosso trs da orelha sardento.- Eu perguntei a ela na escola durante o
recreio.
Jenny franziu a testa. Por que  que as veteranas sempre faziam as coisas mais legais? Ela
puxou o suti para baixo no ponto onde ele sempre corria para debaixo do brao. Gotas de
suor tinham se acumulado no suti, deixando-o mais parecido com um traje de mergulho do
que um confortvel suti de Bali com suporte reforado para mulheres de seios grandes.
- Eu no quero mesmo aparecer no filme idiota dela- murmurou Jenny.
- Ah, t- zombou Elise.- At parece que voc no tenta imitar tudo que Serena van der
Woodsen faz.
Ol, maldade.
Jenny abraou os joelhos, trazendo-os at o peito, e olhou para Elise na defensiva. Por
acaso ela era uma modelo internacionalmente famosa? Era loura? Usava impermevel
comprido Burberry e fumava cigarros franceses e andava por ai parecendo distrada
enquanto os homens a olhavam com a lngua de fora? Por acaso ela era secretamente a
garota mais inteligente da sala? No!
Na verdade, Jenny era a garota mais inteligente da sala, mas isso no era segredo.
- Me diga uma coisa que eu fiz e que Serena tenha feito.
Elise abriu o vidrinho de esmalte que estava na beira da fonte e comeou a pintar as unhas
dos ps. A cor parecia berrante e inadequada em sua pele clara e sardenta.
- No  bem o que voc fez...- a voz dela falhou.-  s que voc sempre fica to amiguinha
dela durante o grupo de discusso. Sabe como , como se voc quisesse que todo mundo
soubesse que voc  amiga daquela modelo. E voc sempre experimenta todas aquelas
roupas elegantes nas lojas, como se realmente tivesse onde usar, como Serena faz.- Ela nem
mencionou o breve namoro de Jenny com Nate Archibald, que tinha sido um exemplo
espalhafantoso de uma caloura se exibindo com um cara mais velho. Era um assunto
constrangedor demais para mencionar.
Uma bola de futebol de repente apareceu do nada e quicou na cabea de Jenny.
- Ai!- exclamou ela com raiva, o rosto ficando vermelho. Ela se levantou e calou as mules
DKNY de veludo cotel rosa que tinha comprado na ltima liquidao da Bloomie,
borrando ainda mais as unhas molhadas.- No sei qual  o problema- disse ela a Elise-, mas
seria muito melhor sair com o pirado do meu irmo do que ouvir voc me criticando.
De uma forma enfurecedora, Elise continuou pintando as unhas dos ps.
- Legal.- Jenny se ofendeu, descendo os degraus e se afastando da fonte em direo ao
Central Park West. Imito Serena, zombou ela, seus estupendos peitos 52 balanando a cada
passo. Como se pudesse chegar aos ps dela.
Mas Jenny no era de encarar os desafios com tranquilidade, e nada lhe agradaria mais do
que provar para Elise que ela no era nenhuma tiete idiota, tentando inutilmente imitar
Serena e fracassando sempre. Um garoto assoviou enquanto ela passava e ela jogou o
cabelo castanho crespo para trs, fingindo que ignorava. Ela podia no ter um e oitenta de
altura e nem loura e linda, mas os homens ainda assoviavam para ela. Isso significava que
Jenny tinha alguma coisa, no ? E nem todas as modelos eram altas e louras. Ela ergueu o
queixo e acresentou uma certa pompa ao andar, imitando o modo como as modelos
andavam nas passarelas que ela via no Metro Channel. Elise ia engolir as prprias palavras
quando visse a cara de Jenny nas pginas da Vogue e da Elle. Ela ia ser um tremendo
sucesso, at Serena ia ficar com inveja.
Mas Serena no ficaria com tanta inveja do monte de coc de cachorro que Jenny quase
pisou enquanto tentava ser a prxima Gisele.

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para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

A PIOR IDIA DO MUNDO

Quer dizer que j  quina-feira e ningum soube de anda ainda. Acorda, gente! Tudo isso
por causa da idia irritante de to imbecil que se tem dos correios dos EUA.
Aparentemente, na mesma poca do ano passado, os correios receberam milhes de
telefonemas pr-universitrios acusando-os de extraviar as cartas de admisso e at de
adulterar o contedo de algumas cartas. Ah, t, at parece que alguns carteiros realmente
ligam se voc entrou para rinceton ou no. Ento este ano eles decidiram experimentar uma
coisa chamada Lote Nacional de Cartas de Admisso a Universidades, que parece muito
mais inteligente do que realmente . Basicamente, significa que as faculdades devem
mandar suas cartas de aceitao aos montes de acordo com o cdigo postal para que os
correios possam entrag-las todas de uma vez.

Como se j no houvesse sofrimento suficiente. De qualquer forma, os boatos so de que os
lotes chegam na segunda, e como todos ns praticamente moramos no mesmo cdigo
postal,  possvel que a gente receba as nossas, tipo assim... HOJE!!

Seu e-mail

P: Cara GG,
Voc  dinamite pura. Para sua informao, e todo mundo: Festa no restaurante do meu pai
hoje  noite. O True West, Pier Hotel, Cobertura, West Street. Reservei alguns quartos no
hotel tambm, para ter muito espao para a gente desafogar. Fica frio a.
-jay

R: Caro jay,
No, voc  que  dinamite. Te vejo hoje  noite!
-GG

Flagra

B perturbando o carteiro.  graas a gente como B que agora todos ns estamos sofrendo! S
lendo os anncios pessoais da Time Out durante a pedicure no Mandarin Oriental Spa.
Que coisa interessante, ela ficou meio presa na pgina de Mulher Procura Mulher. D
sentado no cho de mrmore do saguo do prdio dele, bem embaixo das caixas de correio,
escrevendo furiosamente em um caderninho preto. Acho que est sofrendo com a presso.
N bebendo usque com soda com os pais no Yale Club. Comemorando por antecipao? J
comprando uma pilha de revistas de revistas de moda de um metro de altura na banca perto
da casa dela. Estaria pesquisando para um trabalho da escola ou s fazendo uma colagem?
E V entrevistando qualquer um e todo mundo. Esse filme vai encher o saco!

Se voc tem um cachorro que gosta de morder carteiros, por favor, mantenha o bicho na
trelha.
E, gente, lembrem-se, estamos nisso juntos.

Para voc que me ama,
gossip girl

Em suas posies, preparar, rrrrip!!

- Ai, meu Deus, nem consigo respirar  arfou Blair dramaticamente. Estava abraada com
um dos travesseiros do meio-irmo Aaron na cama de palha de cevada.  Acho que vou
vomitar.
No seria a primeira vez.
- Calma  aconselhou Serena, arrumando duas pequenas pilhas de envelopes brancos,
creme e pardos na colcha de cnhamo tingida de berinjela de Aaron. Seus instintos no
parque outro dia, sobre a festinha de abertura de cartas, tinham sido mortalmente
preciosos. Blair simplesmente era competitiva demais para ficar civilizada com tudo aquilo.
- Eu vou morrer  gemeu Blair, agarrando a barriga.
As duas meninas estavam sentadas de pernas cruzadas na cama de Aaron, no quarto dele,
que na verdade era o quarto de Blair a partir de agora, ate que ela fosse para a universidade.
O quarto dela na verdade estava sendo transformado em um quarto para a Yale, a nova
meia-irm, que devia nascer em junho. Aaron se mudara para o quarto do irmo mais novo,
Tyler. Blair desdenhou a decorao ecolgica do quarto e o cheiro persistente de cachorro-
quente de soja e cigarros naturais. Ela at estava pensando em requisitar um quarto no
Carlyle Hotel da Madison, pelo menos at a formatura.
E pensar em um cenrio perfeito para um encontro ps-ingresso-em-Yale com Nate! Mas
vamos comear pelo comeo: primeiro Blair tinha de entrar.
- T legal. Pronta?  perguntou Serena. Ela estendeu a mo para dar um pequeno aperto de
boa sorte na mo de Blair.
- Espera!  Blair pegou a garrafa de vodca Ketel One que tinha tirado da mesa-de-cabeceira
do padrasto e a abriu com os dentes.
- Quanto mais tempo voc enrolar, mais doloroso vai ser  respondeu Serena, comeando a
perder a pacincia.
Blair tomou um gole, depois fechou os olhos e pegou o primeiro envelope da pilha.
- Foda-se. T legal. Vamos nessa.
Rrriiip!
Cara Srta. Waldorf,
O Escritrio de Admisso lamenta informar que sua inscrio foi analisada e no podemos
lhe oferecer uma vaga na Universidade de Harvard no prximo outono
Rrriiip!
Cara Srta. Van der Woodsen ,
O Escritrio de Admisso analisou sua solicitao e tem o prazer de lhe oferecer uma vaga
na Universidade de Harvard...
Rrriiip!
Prezada Srta. Waldorf,
Obrigada por sua solicitao. A Universidade de Princeton teve muitos candidatos este ano.
A deciso de admisso  sempre difcil. Lamentamos informar  senhorita que no
podemos lhe oferecer uma vaga no curso de...
Rrriiip!
Prezada Srta. Van der Woodsen,
Obrigada por sua solicitao de destaque. A Universidade de Princeton tem o prazer de lhe
oferecer uma vaga no curso de...
Rrriiip!
Cara Srta. Waldorf,
Lamentamos informar que a Universidade Brown no pode...
Rrriiip!
Cara Srta. Van der Woodsen,
O Escritrio de Admisso ficou impressionado com sua solicitao. Temos o prazer de
convid-la a se matricular...
Rrriiip!
Prezada Srta. Waldorf,
Analisamos sua solicitao e decidimos no lhe oferecer uma vaga na Wesleyan no
prximo outono...
Rrriiip!
Prezada Srta. Van der Woodsen,
O escritrio de Admisso da Universidade Wesleyan tem o prazer de lhe oferecer uma
vaga...
Rrriiip!
Prezada Srta. Waldorf,
A Vassar College  uma pequena faculdade e s pode aceitar um numero limitado de
candidatos. Lamentamos informar que no podemos lhe oferecer uma vaga...
Rrriiip!
Prezada Srta. van der Woodsen,
Obrigada por sua solicitao de ingresso  Universidade de Yale. Temos o prazer de
convid-la a se matricular no curso de...
Rrriiip!
Cara Srta. Waldorf
Obrigada por sua solicitao de ingresso  Universidade de Yale. O Escritrio de Admisso
acrescentou seu nome na lista de espera. O escritrio lhe informara sobre sua situao at o
dia 15 de junho deste ano.
Rrriiip!
Prezada Srta. Waldorf,
Analisamos sua solicitao e temos o prazer de lhe oferecer uma vaga na Universidade
de Georgetown no prximo outono.
Blair atirou a ultima carta na mesa-de-cabeceira e pegou a garrafa de vodca. Lista de espera
em Yale, e ela s entrou para a Georgetown? Mas essa era a opo de segurana dela! De
jeito nenhum ela pensou que realmente iria parar l.
Beba e reflita um pouco, meu bem.
Em pnico, ela tomou um gole e passou a garrafa a Serena.
- Como voc foi?  perguntou Blair.
Serena percebeu, pela cara assustada de Blair, que as noticias no eram boas. Ela no sabia
o que dizer.
- Hmmmmm, eu entrei pra... hmmm... basicamente... todas?
Blair olhou com descrena para as cartas de admisso nas mos de Serena. No topo estava a
carta de cor creme com o timbre distinto da Universidade de Yale em azul. Sua vista se
toldou.
- Pera, voc se candidatou a Yale?
Serena assentiu.
- Na ultima hora eu simplesmente pensei, por que no, entendeu?
- E voc entrou?
Serena assentiu novamente.
- Desculpe.  ela pegou o controle remoto e ligou a TV de Aaron e depois desligou. O
modo como Blair a estava olhando com os dentes  mostra a deixava nervosa.
Blair continuou a encarar. Na primeira serie, ela havia cortado por acidente uma mecha de
trinta centmetros do cabelo dourado de Serena com uma faca de carne. Em todos esses
anos ela sentiu culpa por isso  at agora. Agora ela queria cortar toda a porra da cabea
dourada de Serena. Ela pegou a garrafa e tomou outro gole colrico de vodca. O que Serena
fez que ela no fez? Ela era uma das primeiras da turma da Constance Billard e fez todos os
cursos avanados que foram oferecidos. Gabaritou todo o teste de aptido escolar. Fez
obras de caridade, dirigia o clube de francs. Era uma tenista do ranking nacional. Em toda
sua carreira no secundrio  praticamente toda a sua vida  ela se esforou para ingressar
em Yale. O pai dela fora aluno de l. O pai dele tambm. O tio-av de Blair doou dois
prdios e uma quadra de esportes. Serena fora expulsa do colgio interno naquele outono.
Ela no fez nenhum curso avanado, praticamente no teve nenhuma atividade
extracurricular, parecia ter as notas mais medocres e at a pontuao no SAT, o teste de
aptido escolar, mais baixa do que a de Nate. O pai de Serena foi para Princeton e Brown,
duas das maiores concorrentes de Yale. E ainda assim Yale aceitou Serena e prendeu Blair
numa porra de lista de espera!
Havia algo que Serena soubesse e Blair ignorasse, mesmo depois de 22 horas de sesses
com a Srta. Glos, a orientadora educacional nervosinha e de peruca da Constance Billard
School, e depois de 144 semanas de preparao para o teste SAT?
- De repente eu nem vou  titubeou Serena numa tentativa de desmerecer o problema.  Eu
vou ter de... sabe como ... visitar todas as faculdades antes de decidir.  Ela reuniu o
luxuriante cabelo no alto da cabea e franziu a testa.  Talvez eu nem v para a faculdade
agora. Posso ficar na cidade e tentar trabalhar um pouco como atriz, ou coisa assim.
Blair disparou para fora da cama, espalhando a pilha de cartas de rejeio. Ento Serena
entrou para Yale mas nem queria realmente ir para l?
- Que merda  essa?!  gritou ela, espalhando vodca em todo o tapete de fibras naturais
embaixo de seus ps.
- E as outras universidades? Voc deve...
De repente o meio-irmao de Blair, Aaron Rose, enfiou no quarto a cabea convencida cheia
de trancinhas rasta de admitido-cedo-em-Harvard.
- Pensei ter ouvido um grito.  Ele semicerrou os olhos para as cartas na mo de Serena. 
Foi aceita em Harvard!  Ele entrou no quarto e ergueu a mo para cumprimentar Serena. 
Legal!  Ele sorriu para Blair.  E voc mana?
Blair no sabia bem se devia matar os dois ou a si mesma.
- No sou sua irm  rebateu ela. Blair bateu a garrafa de vodca pela metade no tampo da
cmoda de madeira cultivada organicamente de Aaron, quase quebrando a base da garrafa.
 Mas, como vocs dois esto to obviamente interessados, eu entrei pra porra da lista de
espera de Yale. O nico lugar que me aceitou foi Georgetown. A merda babaca de
Georgetown.
Serena e Aaron a olharam por um momento, os olhos arregalados numa mistura de
descrena e medo da Ira Poderosa de Blair.
- Isso no  to ruim assim  murmurou Serena por fim. Ela no sabia muito de
Georgetown, mas conheceu uns caras bonitinhos que foram para l, e podia ser meio legal
morar na mesma cidade do presidente.  Tenho certeza de que Yale s esta jogando duro
com os candidatos. E se voc no conseguir entrar, pelo menos tem alternativa.
Era fcil para Serena falar de alternativas quando as universidades de segunda opo dela
eram Harvard e Brown. Blair calou novamente os novos sapatos cinza Eugenia Kim e
pegou o cardig preto DKNY da cama.
- Qual , Blair, no seja to chorona. De qualquer forma, New Haven  um lixo. Voc
provavelmente vai odiar aquilo l.  Aaron enganchou os dedos cheios de calos de violo
nos bolsos da cala cargo verde-oliva.  Pelo menos ele tem uma Prada em Washington.
 claro que a nica coisa que Blair ouvira Aaron dizer foi mane.
- Vo se foder.  sibilou ela para os dois enquanto marchava pela porta a caminho da casa
de Nate. Era provvel que Nate s tivesse aceito em uma universidade idiota de chapado
como Hobart ou a UNH. Pelo menos ele seria solidrio.
Ele provavelmente at teria um sexo solidrio. No que ela estivesse nem perto desse
estado de esprito.

As novidades de N no so boas demais para contar

No havia ningum em casa, mas, por simples habito, Nate enfiou uma toalha de banho
Ralph Lauren azul-marinho enrolada no espao entre o piso de madeira e a porta fechada de
seu quarto antes de se sentar na colcha xadrez verde e preta e acender um. Ele deu um tapa
e depois pegou o primeiro envelope na pilha pequena que estava na mesa-de-cabeceira.
Abriu-o com um rasgo.
Parabns, Sr. Archibald
A Brown University tem o prazer de lhe oferecer...
Ponto pra mim!
Nate largou a carta na cama, deu outro tapa e depois abriu o segundo envelope.
O Escritrio de Admisso analisou sua solicitao de ingresso e gostaria de convid-lo a se
matricular na Universidade de Boston no curso de...
Dois pontos!
Ele puxou o baseado e depois equilibrou na beira da mesa-de-cabeceira. O prximo
envelope.
Este ano, o Hampshire College teve um grupo de candidatos fortes e interessantes. O
senhor se destacou. Sr. Archibald, temos o prazer de lhe oferecer uma vaga...
Trs pontos!
O ultimo envelope  ele s conseguiu lidar com a candidatura a quatro universidades.
Obrigado pela sua solicitao de ingresso. O escritrio de admisso da Universidade de
Yale tem o prazer de lhe oferecer uma vaga no curso de...
Quatro pontos!!!
Nate examinou a outra papelada enfiada dentro dos envelopes. Com as cartas de admisso
de Brown e Yale havia cartas de treinadores universitrios de lacrosse, prometendo-lhe um
lugar de iniciante no time.
- Caraca  disse Nate baixinho, lendo as cartas. Eles no apenas me queria l. Eles queriam
desesperadamente.
Bem-vindo ao clube.
Ele pegou o celular e estava prestes a ligar para a linha privativa de Blair quando o aparelho
tocou em sua mo. O nome Blair apareceu na telinha.
- Oi, eu ia te ligar agora.  Nate riu  Como  que foi?
- Abre o porto para mim  respondeu Blair com um tom de voz cortante.  Estou a duas
portas da sua casa.
Epa.
Nate lambeu os dedos e apertou a ponta acesa do baseado at que se apagasse. Depois
borrifou no ar um pouco de Eau d`Orange Verte de Herms para refrescar o quarto. No
que ele estivesse tentando esconder totalmente o fato de que estava fumando macinha; ele
s no queria aborrecer Blair com o cheiro.
A campainha tocou e ele a deixou entrar.
- estou no meu quarto  disse ele no sistema de vdeo-intercomunicador de alta tecnologia.
 Suba.
Na cama estavam suas quatro cartas de admisso. Ele as juntou, ansioso para da a Blair a
noticia incrvel: eles iam juntos para Yale! Esse bagulho em especial sempre o deixava
excitado. Talvez Blair finalmente estivesse pronta para transar, e eles podiam finalmente
comemorar adequadamente, sem roupa.
Ou talvez no.
A casa de Nate era ainda mais elegante do que a de Blair  afinal, era uma casa com um
jardim e tudo, e desde que era criana, Nate at tinha seu prprio andar. Mas a escada
sempre irritava Blair. Ser que os pais dele no podiam instalar uma escada rolante?
- Eu vou morrer  gemeu Blair assim que chegou ao ultimo degrau. Ela entrou no quarto de
Nate e caiu de cara na cama. Depois se virou e olhou para o cu azul-claro atravs da
clarabia no teto  Pelo menos eu queria estar morta.
Era muitssimo provvel que Blair no estivesse pensado em morrer se tivesse entrado para
Yale. Nate largou as cartas de admisso na mesa e se sentou ao lado dela. Cautelosamente,
passou o polegar no rosto macio e perfeito dela.
Obrigada creme facial La Mer.
- O que  que t pegando?  perguntou ele delicadamente.
- Aquela puta idiota da Serena entrou para Yale e todas as porras de faculdades a que ela se
candidatou, e eu s entrei pra porra da Georgetown. Yale me colocou na lista de espera, e
eu fui rejeitada em todas as outras.  Blair se virou na cama e colocou o rosto na perna de
Nate. Era hoje que ela devia perder a virgindade, mas agora estava obvio: ele era um
fracasso grande demais para sequer transar.  Ah, Nate. O que agente vai fazer?
Nate no sabia o que dizer. Uma coisa era certa. Ele no ia contar a Blair que tinha entrado
para Yale tambm. Ela podia asfixi-lo com um travesseiro ou coisa assim.
- Sei de um monte de caras que ficaram na lista de espera no ano passado. A maioria deles
acabou conseguindo entrar. Sugeriu ele.
- , mais no para Yale  gemeu Blair.  Todas as universidades de merda tm listas de
espera supercompridas porque a galera as usa como opo de segurana para o caso de no
entrar.
- Ah.
Era tpico de Blair. A idia de uma universidade de merda era qualquer universidade que
no fosse Yale.
- Yale sabe que todo mundo que eles admitiram vai pra l, ento a lista de espera deles
provavelmente tem, tipo assim, duas pessoas, e essas duas pessoas nunquinha vo entrar. 
Ela suspirou dramaticamente.  Porra!  Depois se sentou e tirou um fiapo de linha da jeans
Seven.  E voc? Entrou pra onde?
Nate sabia que era errado esconder informaes da namorada  a garota que ele amava ,
mas ele no suportaria mago-la.
Ou deix-la to que ele no ia querer namorar?
- Hmmm.  Ele bocejou, como se essa fosse a conversa mais chata do mundo.  Hampshire.
Boston. Brown.  isso ai.
Ento ele se esqueceu de falar em Yale. No era a mesma coisa que mentir, era?
Hmmm, era?
Blair olhou friamente para o piso de madeira nu, girando o anel de rubi no dedo com tanta
rapidez que deixou Nate tonto. Ele se deitou ao lado dela e passou os braos por sua
cintura.
- Georgetown  uma boa universidade.
O corpo de Blair ficou rgido.
- Mas fica to longe da Brown  queixou-se ela.
Nate deu de ombros e comeou a massagear o ponto entre as omoplatas de Blair.
- De repente eu vou para Boston. Aposto que tem um trem de Boston para Washington.
Lagrimas rolaram dos olhos de Blair e ela chutou o colcho com os calcanhares.
- Mas no quero ir para Georgetown. Eu odeio Georgetown.
Nate puxou a cabea dela para o peito e beijou seu pescoo. Ele e Blair no se deitavam
nessa cama h meses e ele estava ficando seriamente excitado.
- J deu um pulo l para verificar?
Na realidade, Blair no tinha visitado nenhuma universidade a no se Yale.
- No  admitiu ela.
Nate passou a lngua pelo lbulo da orelha de Blair. O cheiro de pssego de seu xampu lhe
deu larica.
- Conheci um monte de garotas legais de Georgetown. Voc devia ir l. Talvez at goste
mais do que de Yale.  disse ele, a voz abafada enquanto passava o nariz pelo pescoo dela.
Ah, t  respondeu ela amargamente. Blair tinha uma vaga conscincia de que Nate estava
vindo para cima dela, mas ela estava to aborrecida que s o que podia sentir era a saliva
dele na orelha. Nate se deitou de costas na cama e puxou-a para cima dele. Seus olhos
estavam fechados e os lbios juntos num sorriso feliz de chapado excitado.
- Hmmmm  Murmurou ele, curtindo o peso dele em cima dele.
- Eu s queria entrar para Yale  sussurrou Blair. Depois ela podia tirar as roupas e eles
finalmente podiam transar, como Blair sempre imaginou. Ela pos a cabea na curva do
queixo de Nate e respirou seu cheiro bom de fumo. S o que ela precisava agora era de um
bom aconchego. O sexo teria que esperar.
Nate abriu os olhos e soltou um suspiro pesado. Coitus interruptus, parte XX, produzido
especialmente para ele por Blair Waldorf.
No que ele realmente merecesse ter sexo.
- S me prometa que vai dar uma olhada em Georgetown  tornou ele, tentando parecer um
bom namorado que apia a garota, no um filha-da-puta mentiroso.
Blair o abraou com fora. Sua vida era um inferno miservel, e a melhor amiga era uma
piranha mentirosa, mas pelo menos Blair tinha Nate  o adorvel, carinhoso e franco Nate.
E ele tinha razo. Visitar Georgetown no ia doer. A essa altura ela faria qualquer coisa.
- T legal, eu prometo  concordou ela.
Nate colocou a mo por dentro do cs da jeans de Blair, mas ela tirou-a dali novamente.
Bem, quase qualquer coisa.

E o vencedor ...

- Ele chegou!  Dan ouviu a irm mais nova, Jenny, sussurrar enquanto ele fechava a porta
do apartamento.  Rpido!
Ele largou as chaves na mesa velha e bamba no hall da frente e tirou os Pumas.
- Oi  chamou ele, entrando na cozinha, para onde em geral convergia a famlia. Como
sempre, Marx, o enorme gato preto dos Humphrey, estava esparramado na mesa de frmica
amarela e rachada da cozinha, a cabea apoiada em um pano de prato laranja. A caneca de
caf pela metade de Dan estava onde ele a deixara de manha, ao lado do focinho rosa de
Marx. As luzes da cozinha estavam acesas e um iogurte Danone de blueberry sem gordura
meio consumido  o preferido de Jenny  estava na bancada amarela. Dan coou as orelhas
pretas e peludas de Marx. A pilha habitual de correspondncia no estava na mesa, o que
era suspeito, e Jenny no estava em lugar nenhum.  Oi. Algum em casa?
- Ele chegou!  Dan ouviu a irm mais nova, Jenny, sussurrar enquanto ele fechava a porta
do apartamento.  Rpido!
Ele largou as chaves na mesa velha e bamba no hall da frente e tirou os Pumas.
- Oi  chamou ele, entrando na cozinha, para onde em geral convergia a famlia. Como
sempre, Marx, o enorme gato preto dos Humphrey, estava esparramado na mesa de frmica
amarela e rachada da cozinha, a cabea apoiada em um pano de prato laranja. A caneca de
caf pela metade de Dan estava onde ele a deixara de manha, ao lado do focinho rosa de
Marx. As luzes da cozinha estavam acesas e um iogurte Danone de blueberry sem gordura
meio consumido  o preferido de Jenny  estava na bancada amarela. Dan coou as orelhas
pretas e peludas de Marx. A pilha habitual de correspondncia no estava na mesa, o que
era suspeito, e Jenny no estava em lugar nenhum.  Oi. Algum em casa?
- Sente-se, filho. Estvamos esperando por voc  explicou Rufus cm um sorriso ansioso. 
Ns at compramos seu donuts favoritos. Hoje  o grande dia!
Dan pestanejou. Nos ltimos 17 anos se pai reclamara do custo de criar e educar dois
adolescentes ingratos e ameaava constantemente se mudar para o interior, onde a
assistncia medica e a educao eram gratuitas. E no entanto ele mandou Dan e Jenny para
as duas das mais competitivas e mais caras escolas particulares exclusivas de Manhattan,
colava o histrico escolar estelar deles na geladeira e constantemente lhes fazia perguntas
sobre poesia e latim. Ele parecia ainda mais animado com as cartas de admisso
universitria do filho do que o prprio Dan.
- Vocs j abriram minha correspondncia?  perguntou Dan.
- No. Mas vamos abrir se voc no correr e sentar j  disse Jenny a ele. Ela bateu na pilha
de envelopes com uma unha vermelha.  Coloquei a Brown por cima.
- Cara, obrigado  murmurou Dan enquanto se sentava. Como se todo o processo j no
fosse bastante enervante.
Ele no havia previsto abrir a correspondncia diante de uma platia.
Rufus pegou a caixa de donuts na mesa e a abriu.
- Anda  instou ele, antes de enfiar um donut na boca.
Com os dedos trmulos, Dan cuidadosamente abriu o envelope da Brown e desdobrou as
folhas de papel que havia dentro dele.
- Ai, meu Deus, voc entrou!  guinchou Jenny.
- O que eles dizem? O que eles dizem?  perguntou Rufus, as sobrancelhas grisalhas e
bastas contorcendo-se de empolgao.
- Entrei  disse Dan baixinho. Ele passou a carta ao pai.
-  claro que entrou!  vangloriando-se Rufus. Ele pegou na mesa a garrafa quase vazia de
chianti da noite anterior, tirou a rolha com os dentes e tomou um gole.  Anda, abre a
prxima!
A segunda carta era da Universidade de Nova York  a NYU  onde Vanessa tinha sido
aceita antecipadamente.
- Aposto que entrou  previu Jenny de uma forma irritante.
- Shhhh!  sibilou o pai para ela.
Dan abriu o envelope. Olhou para o rosto deles em expectativa e anunciou tranquilamente:
- Dentro!
- Uuuu-huuu!  gritou Rufus, batendo no peito como um gorila orgulhoso.  Esse  o cara!
Jenny pegou o envelope seguinte.
- Posso abrir este?
Dan revirou os olhos. Ele tinha alguma escolha?
- Claro.
- Colby College  leu Jenny.  Onde fica?
- No Maine, sua ignorante  respondeu o pai.  Pode abrir, por favor?
Jenny riu e passou o dedo sobre a dobra do envelope. Isso era divertido, como ser uma
apresentadora do Oscar ou coisa assim.
- E o Oscar vai para... Dan! Voc entrou!
- Legal.  Dan deu de ombros. Ele nem mesmo foi ao Maine para visitar a Colby, mas seu
professor de ingls insistiu em que eles tinham o melhor curso de redao da Costa Leste.
Jenny pegou o envelope seguinte e o abriu sem nem pedir permisso.
- Universidade de Columbia. Opa. Eles te rejeitaram.
- Cretinos  grunhiu Rufus.
Dan deu de ombros de novo. Columbia tinha um curso de redao criativa e de prestigio, e
ficava to perto de casa que ele nem ia precisar morar num alojamento. Mas,
Considerando a situao claustrofbica em que se encontrava agora, no parecia nada
atraente morar em casa pelos prximos quatro anos.
O ultimo envelope era do Evergreen College, no estado de Washington, to longe que tinha
um apelo meio romntico. Ele deslizou o envelope pela mesa para Rufus e pegou o copo de
caf de cortesia.
- Abra essa, pai.
- Evergreen!  berrou Rufus.  Quer nos trocar pelo noroeste do Pacifico! Tem alguma
idia de como chove por l?
- Pai  gemeu Jenny.
- Tudo bem, tudo bem.  Rufus abriu o envelope e com isso rasgou a carta. Ele semicerrou
os olhos para a folha de papel retalhada.  Dentro!  Ele pegou outro donut, pos na boca e
passou a caixa para Dan.  Quatro em cinco... Nada mal!
- Vamos comer fora para comemorar!  gritou Jenny, batendo palmas.  Tem um
restaurante novo na Orchard Street que deve ser bem legal. Todas as modelos vo l.
Rufus deu um sorriso duro para Dan.
- Antes de voc chegar, sua irm anunciou que vai ser supermodelo. Ao que parece, no fim
do ms estarei voando no meu prprio jato para comprar cavalos de corrida e barcos com
todos os milhes que ela vai ganhar.  Ele apontou um dedo sujo de chocolate para Jenny. 
Voc tambm vai pagar pela universidade do Dan, no ?
Jenny revirou os olhos.
- Pai.
Rufus estreitou os olhos para ela.
- Alias, onde foi que conseguiu essa blusa?  A testa de Rufus ficou vermelha e brilhante,
como ficava quando ele estava empolgado.  Se no parar de fazer mau uso de meu carto
de credito, vou te manda para o colgio interno. Ouviu?
Jenny revirou os olhos novamente.
-  possvel que nem tenha que me mandar. Vou ficar feliz em ir.
Dan deu um pigarro ruidoso e se levantou.
- j chega crianas. Tem uma festa mais tarde, mas, antes de eu sair, vocs podem me levar
para comer comida chinesa. No lugar que eu gosto, na Columbus.
- Que t-dio  murmurou Jenny.
- Voc venceu  concordou Rufus, piscando para ele.  A propsito, eu voto na NYU.
Assim voc pode morar em casa, eu posso te ajudar com os estudos e em troca voc me
apresenta algumas das professoras intelectuais de ingls.
Dan sentia como se tivesse entrado em um filme da Disney sobre pais empolgadinhos que
cuidam da casa. Ele pegou um donut da caixa, reuniu a pilha de cartas e foi para o quarto.
Um caderno em branco estava na cama desfeita, esperando que ele o pegasse e o enchesse
com seus versos sombrios e torturados. Mas Dan estava feliz demais para escrever. Ele
entrou para quatro das cinco universidades a que se candidatou! Estava louco para contar as
novidades.
O problema era, para quem?

Se ele est feliz, ela tambm est

- e se ele estiver em casa totalmente sozinho cortando os pulsos ou coisa assim?
- Vanessa corroia-se em voz alta. Ela olhou a bunda na cala de couro da irm de 22 anos,
Ruby. Ruby estava apoiada na soleira da porta do quarto de Vanessa, falando no telefone
fixo e no celular ao mesmo tempo, organizando a prxima turn da banda.
- Islndia!  gritou Ruby.  Estamos em quinto lugar na parada indie em Reykjavik!
- Mas que mximo  resmungou Vanessa, verificando o e-mail pela dcima vez sexta vez,
embora ningum tivesse mandado mensagem nenhuma. Ela se convencera de que Dan
tinha sido rejeitado por cada uma das faculdades a que se candidatara e naquele momento
estava a beira da ponte George Washington, escrevendo seu epitfio antes de saltar. Mesmo
que ele tenha entrado para alguma universidade, provavelmente estava passando por um
momento da apocalipse pessoal e, nesse exato momento, andava pelado pelo rio Hudson
perto do per para se limpar de todo carma negativo que drena a criatividade antes de poder
escrever novamente.
Se ela fosse sincera consigo mesma, admitiria que no estava to preocupada assim. Dan
era bom aluno e um escritor brilhante. Ele ia entrar para algum lugar. S o que ela
realmente queria era uma desculpa para ligar e falar com ele de novo, porque, desde que viu
Dan no parque na segunda-feira, no conseguia parar de pensar nele.
Ela pensou em ligar para Dan com a desculpa de outra entrevista para o documentrio, mas
isso era obvio demais; s pensar no assunto lhe dava urticria. Ela tambm pensou em ligar
para a irm de Dan, Jenny, com a desculpa de pedir uma entrevista a ela sobre como era ter
um irmo que est prestes a entrar para a universidade. E depois Jenny ia dedurar a Dan que
Vanessa ligou e perguntou sobre ele, e talvez Dan ligasse ou mandasse um e-mail para ela.
Mas, convenhamos, ate que ponto se pode ser to infantil?
Ruby ainda estava estacionada na soleira da porta, falando ao telefone. Esse era o problema
com Ruby dormir na sala de estar e Vanessa ter o nico quarto: Ruby tratava o quarto de
Vanessa como sala de estar dela.
- Pera. Chamada em espera.  disse Ruby  pessoas do outro lado da linha. Ela tapou o
nariz e fingiu uma voz de telefonista.  Todos os sistemas esto ocupados neste momento...
 Ela fez uma pausa.  Ah, oi, Daniel. Poderia telefonar depois? Estou numa ligao
importante com a minha banda. Vamos dominar o universo.
Vanessa investiu para o telefone e o arrancou da mo de Ruby.
- Al?  disse ela com a voz tremula.  Dan? Voc est... voc esta bem?
- To  respondeu Dan, parecendo mais feliz do que ela j ouvira.  Entrei para todas, menos
Columbia.
- Caraca!  respondeu Vanessa, absorvendo a informao.  Mas voc pode ir para a
Brown, n? Quer dizer, voc nem mesmo est pensando na NYU ou em outras faculdades?
- No sei  respondeu Dan.  Tenho de pensar melhor. Os dois ficaram em silencio por uns
segundos. Eles discutiam o bvio, mas havia mais a discutir, era meio esmagador.
- Bem, a, meus parabns.  Vanessa conseguiu declarar, sentindo-se de repente
incrivelmente triste. Dan ia para a Brown em Providence, Rhode Island, onde
provavelmente ia conhecer alguma magricela de cabelo comprido de Vermont que fazia
cermica e tocava violo e tricotaria suteres para ele, enquanto ela ia ficar em Nova York,
ia para a NYU e continuaria a viver com a anormal da irm.
Ruby pegou o telefone da mo dela.
- Oi, Dan, adivinha s? Vou sair em turn por oito meses com a SugarDaddy. Vamos partir
na semana que vem. Por que no se muda para c? Voc e minha irm podem ter, tipo
assim, seu prprio ninho de amor!
Vanessa a encarou. Se deixasse, Ruby ia bagunar totalmente as coisas da forma mais
constrangedora e sem diplomacia possvel. Ruby devolveu o fone e Vanessa o segurou a
alguns centmetros da orelha. Que merda eu devo dizer agora?
Dan no se opunha a idia de morar sem a famlia em um bairro legal como Williamsburg,
e morar com Vanessa podia mesmo ser timo. Ela podia fazer os filmes dela, ele podia
escrever. Podia se como Yaddo  um daqueles retiros para escritores e artistas a que o pai
tinha ido nos velhos tempos. Talvez eles at acabassem voltando e transariam muito o
tempo todo, como dizem que todos aqueles artistas e escritores faziam na dcada de 1970.
Ainda assim, tudo estava acontecendo meio rpido demais.
Ele deu um pigarro
- Vou ter de falar com o meu pai sobre isso. A gente vai num restaurante chins hoje  noite
para comemorar. E se a gente se encontrasse naquela festa na West Street depois?
Vanessa no era o tipo de ir a festas, mas deduziu que Dan tinha motivo para querer
comemorar.
- Parece legal  concordou ela.
- Eu vou falar com meu pai sobre esse troo de me mudar. Acho que pode ser meio
bacaninha  disse Dan a ela, parecendo ele mesmo meio bacaninha.
Vanessa de repente se sentiu coma a menina daqueles filmes bregas de final feliz que ela
sempre odiou. Aquelas que vivem felizes para sempre com o marido adorado em uma casa
com cortinas de seda nas janelas em vez de lenis pretos, como tinham Ruby e ela.
- Bacana  entoou ela, embora esta sempre fosse uma das palavras de que menos gostava.
Ela desligou e passou o fone para a irm, que ainda tagarelava no celular.  Posso pegar
umas coisas emprestadas no seu armrio?  sussurrou Vanessa.
Ruby ergueu uma sobrancelha para ela e assentiu em silencio.
Parece que vai ter festa mesmo.

at parece que ela est com humor para comemorar

Blair saiu do elevador e estacou, lendo o cartaz feito  mo colado na porta da frente da
cobertura. " ISSO A, BAIR! ESTAMOS ORGULHOSOS DE VOC!", dizia. Ela
empurrou a porta. Mookie, o exuberante boxer castanho e branco de Aaron, veio rebolando
e enfiou o focinho mido entre as pernas de Blair.
- Vai se foder- resmungou Blair. Por um breve momento, ela se perguntou se tinha
acontecido um milagre. Talvez seu pai gay que morava na Frana ou uma outra fada
boazinha tenha dado um telefonema a Yale e eles decidiram aceit-la imediatamente. No
era improvvel, mas...
- Serena nos contou o que aconteceu!- gritou sua me grvida, balanando pesada no hall
do apartamento.- Lista de espera, que preocupao boba. No sei porque voc ficou to
triste, querida. Yale praticamente te aceitou!
Blair tirou o cardig e o atirou a cadeira antiga no canto. Mookie ameaou farejar sua
entreperna novamente e ela o afastou com um chute.
- No  assim to simples, me.
A gravidez fez com que o cabelo louro com luzes de Eleanor crescesse super-rpido, e ele
caa nos ombros no que Blair achava uma tentativa ridcula de ter a aparncia de uma
gestante de idade inadequada. Eleanor bateu as mos cheias de jias.
- Bem, minha azedinha, de qualquer forma, vamos fazer uma comemorao especial em
famlia. Todo mundo est esperando voc na sala de jantar!
Uma comemorao em famlia. Ah, que bom.
A mesa estava posta com os mais finos cristais e prataria de Eleanor, e ela pediu comido do
Blue Ribbon Sushi, o preferido de Blair. Cyrus e Aaron j estavam festejando com
champanhe. At Tyler, de 12 anos, parecia meio de porre.
- E voc pensou que ia acabar na Faculdade Comunitria de Norwalk- disse Aaron
enquanto servia champanhe na taa vazia de Blair.- Todos ns sabamos que voc podia
fazer melhor do que isso.
Cyrus piscou para ela com um dos olhos azuis de peixe, esbugalhados, injetados e midos.
- Yale me rejeitou quando eu me candidatei. Com o tempo eu fiz com que se
arrependessem. Se quiser que eu d um p na bunda deles por causa de sua solicitao, vou
adorar.
Blair deu um sorriso duro. Como se ela quisesse que Yale soubesse que ela e Cyrus
tivessem o mais remoto parentesco.
- No vou para a faculdade- anunciou Tyler, bebericando o champanhe como um
executivo.- Vou ser DJ em clubs na Europa toda. E depois vou abrir um cassino.
-  o que veremos.- Eleanor deu uma garfada no sushi Califrnia em seu prato e riu.- O
beb est com fome de ovo.
Blair teve a sensao de que a me ia acabar parecendo uma grvida de 12 meses em vez de
sete se continuasse a comer tanto. Ela virou toda a taa de champanhe e pegou uma caixa
intocada de sushi. Primeiro ia enfiar a acara naquele sushi de enguia e virar champanhe pela
garganta para vomitar at as tripas. Depois ia se encontrar com Nate naquela festa idiota na
West Street, mas s por dez minutos, porque ver todo mundo comemorar quando ela nada
tinha para celebrar ia faz-la vomitar ainda mais. E depois ia dormir vendo Bonequinha de
luxo, o melhor filme de todos os tempos, protagonizado pela maior estrela de todos os
tempos. Audrey Hepburn nem fez faculdade, mas ainda era charmosa.
Eleanor pegou o sushi e mordeu como se fosse um cachorro-quente. Ela e Cyrus se
conheciam h menos de um ano e s se casaram em novembro, mas Eleanor parecia ter
adquirido os hbitos alimentares dele. Ela baixou o que restava do sushi e limpou a boca
com um guardanapo de linho branco.
- Agora que estamos todos reunidos, tenho um favor para lhe pedir, meu bem.
Blair desviou os olhos da eguia e olhou para a me. Ao que parecia, estava se dirigindo a
ela.
Ah, cara.
- Voc sabe que falta pouco, ento meu mdico pensou que seria bom para mim fazer uma
aulas de pr-natal, para refrescar minha memria. Eu me matriculei em um curso intensivo.
Sero quatro tardes, por duas horas. O caso  que Cyrus est trabalhando no novo projeto
nos Hamptons e ele  cheio de melindres com esse tipo de coisa. Voc acha que pode ir
cmigo, querida? Preciso de um parceiro, e so s algumas horas depois da aula.
Blair tosssiu o resto da enguia no guardanapo e investiu para o champanhe. Curso pr-
natal? Que porra  essa?
- Pensei que era Aaron que queria ser mdico- reclamou ela.- Porque ele no pode ir?
- Voc sempre cuida muito bem da sua me- disse-lhe Cyrus.
- Eu teno ensaio da banda.- Como se Aaron pretendesse ser voluntrio nisso.
- Eu tambm- disse Tyler rapidamente.
E Eleanor nem pediu a uma das amigas socialites de meia-idade para ir com ela. Os filhos
delas estavam todos em idade universitria, ou quase. Para elas, a gravidz de Eleanor era
um constrangimento tremendo e apavorante.
- T legal. Eu vou- concordou Blair de um jeito taciturno. Ela empurrou o prato e se
levantou. A idia de falar com eles por mais tempo j lhe dava vontade de vomitar. Alm
de disso, todo mudno parecia ter esquecido de que deviam estar comemorando.- Com
licena. Tenho de me arrumar para sair.
Sua me estendeu a mo e passou o brao em volta dela.
-  claro, querida.- Ela deu um aperto na cintura de Blair.- Voc  minha melhor amiga.
Como ?
Blair se libertou e escapou direto para seu dito quarto. Pelo menos Georgetown ficava mais
distante do que Yale- tinha de ir para l. E no ia doer ligar o para o nmero na carta de
admisso e agendar uma visita.
Ah, se ela tivesse se candidatado  Universidade da Austrlia.
Blair tirou o jeans e a camiseta e fez um esforo desanimado de se arrumar para a festa,
vestindo outro jeans mais apertado e mais escuro e uma blusa preta sem mangas. Seus
braos pareciam plidos e frouxos, e ela os beliscou com raiva.
- Oi, mana- disse Aaron do lado de fora da porta.- Posso entrar?
Bair revirou os olhos para o reflexo no espelho do quarto.
- At parece que vou poder te impedir- respondeu eela infeliz.
Aaron abriu a porta, usando a camisa de Harvard como o babaca que era. Era meio uma
tradia usar uma pea da roupa da faculdade para onde voc iria logo depois de descobrir
que tinha entrado, mas Aaron sabia disso meses antes.
- Achei que a gente podia ir na festa juntos.
- T legal.- Blair suspirou.- Estou quase pronta.- Ela pegou um basto de delineador
Channel e traou uma linha cinza-escura embaixo de cada olho. Depois passou um pouco
de brilho labial MAC Ice e correu os dedos pelos cabelos. Pronto. Acabou.
- No vai com a camiseta de Yale?- perguntou Aaron, vendo como Blair procurava debaixo
da cama um par de sapatados adequados. -No vou dizer a ningum que voc est na lista
de spera.
- Cara, brigado- respondeu Blair enqunto enfiava os ps em um par de mocassins Coach
pretos sem salto. Ela puxou a porta, deixando-a totalmente aberta, e marchou pelo corredor,
sem querer se importar se o jeans apertado deixava ver o volume de sua alcinha de algoso
embolada em cima da bunda.
L se foi o tempo de se produzir para o sucesso!

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

COMO SAIR DA LISTA DE ESPERA E ENTRAR PARA A UNIVERSIDADE DE
SUA PREFERNCIA

Faa uma greve de fome na frente do escritrio de admisso.

Faa o teste SAT de novo e tenha uma pontuao perfeita.

Aprenda a tocar Yankee Doodle no violino e faa uma serenata para o escritrio de
admisso at que eles te implorem para entrar, desde que voc pare de tocar.

Compre mais sapatos do que Imelda Marcos, entra para o Guiness, escreva suas memrias
contando tudo e ganhe o Prmio Pulitzer de literatura.

Use o American Express platinado para comprar para o sub-reitor da admisso aquele novo
BMW conversvel que todos os seus amigos querem de presente de formatura.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Conheci um cara h um tempinho numa festa em Nova York. Ele me convenceu totalmente
que ia para Georgetown no ano que vem e seria capito do time de lacrosse. Ele ia manter o
barco dele em algum lugar por perto e a gente ia velejar para a Flrida juntos nas frias de
primavera. Eu nunca soube dele novamente, e agora acho que ele nem se candidatou.
-brokenhrt

R: Cara brokenhrt,
Imagino que ele deve ter encontrado outro porto para atracar o barco. Sinto muito.
-GG

P: Prezada GG,
Ouvi falar muito que aquela loura burra da Constance entrou para todas porque dormiu com
todos os entrevistadores.
-beast

R: Caro beast,
No sei se estamos falando da mesma loura da Constance. Mas talvez ela seja muito mais
inteligente do que todo mundo pensa.
-GG

P: Cara GG,
Como voc e todo mudno sabe, trabalho no escritrio de admisso do Dorna B. Rae
College for Women em Bryn Mawr, na Pensilvnia, e ainda estamos aceitando incies.
Venha nos conhecer!
-camil

R: Cara camil,
Boa tentativa. Com toda certeza vou cuidar para que B saiba disso, e todos os outros que
esto desesperados de verdade.
-GG

Flagra

N e os amigos comemorando as admisses na varanda da casa dele. Quem passava por ali
ficava doido por tabela. Aquela ex-namorada de N de Greenwich- vocs se lembram, a
herdeira maluca e viciada?- est em um conveno na Sucia, "reformando-se". J tendo uma
consulta de maquiagem gratuita no balco da Clinique na Bloomingdale's SoHo. 
importante saber o tamanho dos seus poros e que tipo de esfoliante usar antes de virar uma
supermodelo famosa. V, tambm na Bloomingdale's SoHo, sendo reformada por um
travesti glamuroso no balco da MAC. Algum encontro quente  noite? S no caixa
eletrnico enchendo de dinheiro uma bolsa Birkin de crocodilo rosa-shoking. Pagando aos
escritrios de admisso de todas as universidades que tentou?
Fazendo uma contribuia de caridade? Comprando um presente de "eu entrei" para si
mesma em uma das lojas exclusivas do Distrito da Carne que s aceitam pagamento em
espcie? D com o pai em uma loja de bebidas na Broadway, comprando uma garrafa de
Dom. Esse  o pai orgulhoso. E B devolvendo uma roupa-de-boa-sorte ao departamento de
lingerie da Barneys. Imagino que tenha concludo que est com azar.

Acho que tenho de comemorar eu mesma algumas cartas de admisso.

Te vejo na festa de hoje!

Para voc que me ama,
gossip girl
n tem uma coisa a confessar

O True West era um daqueles lugares que parecem estalando de novo toda noite, mas
tambm era um clssico, podia existir desde sempre. As paredes eram revestidas de
espelhos com os cardpios de bebidas e pratos especiais escritos em lpis de cera laranja.
Banquetas de couro em forma de sela de cavalo se espalhavam casualmente pelo salo de
jantar, e em cada mesa uma pele de cervo falsa servia de toalha. Garons vestidos com
tnicas de brim e botas de pele de cobra turquesa Dries van Noten levavam coquetis em
bandejas laranja de cafeteria. Uma estranha msica japonesa vagava pelo ar, e atrs do bar
havia uma parede de vidro pintado de laranja dando para o rio Hudson.
A no ser pelas botas de combate pretas e surradas, mal se reconhecia Vanessa em uma saia
de couro falso preta e blusa preta e vermelha com estampa de zebra. Graas ao travesti
legal do balco da MAC da Bloomingdale's SoHo, sua boca estava pintada de vermelho e
as sobrancelhas tinham sido tiradas pela primeira vez na vida. Ela parou em um banco na
extremidade do bar e apoiou a cmera no ombro.
A festa tinha um vibe vertiginoso do tipo primeiro-dia-de-aula. Meninas com camisetas
iguais da Universidade de Boston guinchavam e se abraavam. Meninos com suteres da
Brown se cumprimentavam batendo a palma da mo. Vanessa observava-os em silncio,
esperando que um deles se aproximasse e se prontificasse a dar uma entrevista.
- Acho que tenho uma coisa a dizer - anunciou um cara extraordinariamente bonito usando
cala cqui e uma camisa branca. Ele colocou o gim-tnica Tanqueray no balco do bar e
se sentou ao lado de Vanessa. - Quer que eu diga meu nome e para que faculdade eu vou,
essas coisas? - perguntou ele.
Vanessa apontou a cmera para os olhos injetados mas ainda verdes e brilhantes dele.
- S se voc quiser - respondeu ela. - S me fala um pouco de como foi o processo de
admisso para voc.
Nate bebeu um gole do drinque e olhou pela vidraa pintada de laranja. Do outro lado do
rio, avies circulavam pelo aeroporto de Newark.
- O engraado  que eu no estava estressado at agora. - admitiu ele. Ele pegou um
Marlboro Light do mao que algum deixara para trs e o rolou pelo balco do bar. - E a
idiotice disso  que eu no devia ficar estressado. Eu devia estar comemorando.
Ele olhou para a cmera e depois desviou os olhos, sem graa. Atrs dele as banquetas
estavam se enchendo, e de repente a msica ficou to alta que ele mal podia ouvir os
prprios pensamentos.
- No sei por que eu no contei a ela que me candidatei. - murmurou ele.
- Quem? - orientou Vanessa. - Pra onde?
- Minha namorada - explicou Nate. - Ela... ela realmente quer ir pra Yale. Tipo assim,  a
coisa mais importante da vida dela. Eu me inscrevi l porque eles tm um novo treinador de
lacrosse que tirou os caras de uma porcaria de segunda diviso e levou o time para a
primeira diviso em menos de um ano. De qualquer forma, descobri que entrei e ela s
ficou na lista de espera. Eu nunca contei a ela que me candidatei, e acho que estou meio
com medo de contar que consegui entrar. Quer dizer, a gente acaba de voltar. E, se eu
contar a ela, ela vai terminar comigo de novo.
Ele esperou que Vanessa respondesse. Como no respondeu, ele pegou o drinque.
- Os treinadores de Yale e da Brown vo aparecer neste fim de semana pra me ver jogar. A
Blair vai a Washington dar uma olhada na Georgetown, ento por sorte no vou ter de
mentir a ela sobre os treinadores e estas coisas. - Nate apoiou os cotovelos e deixou que o
queixo tombasse nas mos.
 meio chato ser mentiroso, n no?
De repente o cheiro familiar de uma certa mistura de leo essencial de patchouli encheu as
narinas dele.
- Conseguimos, Natie! - disse Serena baixinho enquanto atirava os braos no pescoo de
Nate. Seu cabelo louro-claro estava empilhado no alto da cabea e ela usava um poncho
difano com fios de ouro sobre um jeans branco.
Uma mistura de showgirl de Las Vegas com The OC.
Nate a beijou no rosto e tentou parecer to siderado quanto devia.
- Epa. - Serena deu um sorriso, entendendo de imediato. - Blair terminou com voc de
novo?
- Ainda no. - Nate estava prestes a explicar tudo, mas Blair saiu do elevador na outra
extremidade do restaurante enorme, olhando com raiva para as costas de Serena enquanto
se aproximava.
Ema uma das banquetas, um grupo de veteranas da Constance Billard comeou a cochichar.
- Ouvi dizer que Blair escreveu aquele roteiro imbecil em vez de um ensaio para a
candidatura a Yale. a Srta. Glos disse a ela para mudar, mas ela mandou assim mesmo, e foi
por isso que no entrou - disse Nicki Button  amiga Rain Hoffstetter. Rain e Nicki iam
para a Vassar juntas no ano seguinte e no conseguiam parar de se olhar e gritar.
- Eu soube que Blair escreveu o ensaio de Serena para Yale por ela. Foi po isso que ela
ficou to puta da vida. Ela conseguiu que Serena entrasse, mas ela mesma s ficou na lista
de espera - disse Isabel Coates  melhor amiga, Kati Farkas. Kati e Isabel ingressaram em
Princeton e ela j estava usando a camiseta da universidade. A idia de se separarem era to
aflitiva que eles no largavam a mo uma da outra.
- Bem, eu soube que Serena tirou 1560 no teste SAT. Ela finge que  meio doida e burra,
mas  tudo uma tremenda cascata.  assim que ela consegue sair tanto e no estudar nunca.
Ela no precisa - declarou Kati com inveja.
- Do que vocs estavam falando? - perguntou Blair quando chegou ao ponto do bar onde
Serena e Nate estavam sentados. Ela acabara de chegar, mas j odiava a festa. Odiou ver
quanta gente estava usando as camisetas idiotas de universidade, odiou a msica country
japonesa de bicha que berrava dos autos-falantes laranja idiotas Bose pendurados acima do
bar e odiou que Serena estivesse conversando com Nate daquele jeito ntimo de mo-no-
ombro-dele que usava sempre que falava com os meninos.
- Nada! - responderam Serena e Nate em unssono.
Serena girou no banco do bar.
- Ainda est puta comigo?
Blair cruzou os braos.
- Como  que no est usando a camiseta de Yale? Ah,  verdade. Voc entrou, mas
provavelmente no vai - acrescentou ela sarcasticamente.
Serena deu de ombros.
- Sei l. Vou visitar um monte de lugares neste fim de semana. Espero que isso me ajude a
decidir.
As axilas de Nate ficaram molhadas. Ele saiu do banco do bar, ps as mos nos ombros de
Blair e a beijou na testa.
- Voc est linda. - Ele fez uma tentativa de distra-la do assunto de Yale.
- Obrigada - disse Blair, embora soubesse que na verdade parecia um patricinha careta que
nunca se divertia. Nem estava de brinco, pelo amor de Deus! No outro extremo do balco,
um grupo de garotas com camisetas verdes de Dartmouth diante de uma fila de copos de
vodka. - Daqui a dez minutos eu vou embora. Amanh tem aula.
At parece que isso a impediu de ir para a balada antes.
Nate a beijou na tmpora. estava ansioso para afast-la de Serena antes que Serena
inocentemente deixasse escapar que ele tambm tinha entrado para Yale.
- Quer ver o pr-do-sol ou coisa assim? - sugeriu ele de um jeito pouco convincente.
- Tanto faz - respondeu Blair, mantendo os braos teimosamente cruzados.
- No liguem para mim. - Serena girou o banco at ficar de frente para Vanessa. - T legal,
gata, estou pronta para meu close.
Vanessa no precisou ajustar nada. Estava filmando o tempo todo.

ela perdeu aquele jeito de apaixonada

- Ento parece que eu devia ficar feliz - declarou serena.
Vanessa seguiu com a cmera pelo rosto impecvel de serena e depois deu uma
panormica, procurando um defeito fsico ou um cacoete estranho de personalidade para
dar um zoom. No conseguiu encontrar nada. E ento Serena colocou a unha do polegar na
boca e comeou a roer.
Arr!
Ela tirou o polegar e franziu a testa.
- Eu sou feliz - insistiu ela, como se tentasse se convencer. - Entrei para todas as
universidades em que me inscrevi. Eles nem se incomodaram de perguntar por que fui
expulsa do internato este ano. Eu s... - A voz falhou quando ela viu um rapaz e uma
garota, os dois vestidos com camisetas da Middlebury, namorando perto dos elevadores.
Ela suspirou. - Eu s queria ter algum que comemorasse comigo.
A msica de repente mudou de country japons para as batidas peculiares do novo disco
dos Raves. Dois caras com bons de beisebol da Universidade da Pensilvnia e gravatas
amarelas tiraram a camisa, viraram o bon para trs e comearam a danar break. Depois
quatro meninas bbadas agitando flmula das Vanderbilt tiraram as prprias blusas e
comearam a tentar danar break tambm, muito mal.
- Antigamente eu danava em cima das mesas - confessou Serena, parecendo uma cantora
de cabar de meia-idade, melanclica e fracassada. - Agora, olha s para mim.
 claro que uns noventa e nove por cento dos homens do salo estavam mesmo olhando
para ela enquanto tentavam bolar uma desculpa boa o bastante para lev-la para danar.
Alm dos rapazes, uma caloura baixinha, de cabelos crespos e peitos grandes, estava
avaliando Serena como se pensasse em como ia se aproximar dela.
Jenny e Dan tinham acabado de chegar, deixando o pai emocionado alimentando a
nostalgia com uma garrafa de vinho branco doce no restaurante chins favorito da famlia
no Upper East Side. Eles estavam na frente da porta do elevador, sondando o ambiente.
- Eu te avisei que ia ser irritante - disse Dan  irm mais nova. Normalmente Dan odiava
festas, e esta em particular devia t-lo irritado ao mximo, mas ele estava se sentindo
totalmente satisfeito consigo mesmo e a festa era o lugar perfeito para este estado de
esprito.
Mas Jenny s tinha olhos para Serena.
- No se preocupe, posso lidar com isso - respondeu ela. Puxando para cima o top de
estampa de tigre, ela abriu caminho pelo salo lotado, seguindo direto para o bar.
- Se eu tivesse sido rejeitada - tagarelava Serena -, eu podia trabalhar mais como modelo. E
talvez como atriz tambm.
Jenny se curvou no bar enquanto esperava por uma oportunidade de pedir a Serena um
conselho sobre como entrar na carreira de modelo. Todo o seu corpo tremia de expectativa
e ela se sentia boba por ficar to nervosa.
Dan s seguiu Jenny porque estava preocupado que ela pedisse algum tipo de coquetel
venenoso e precisasse ser levada para casa antes que Vanessa sequer tivesse chegado. E a
ele percebeu que Vanessa j estava bem ali, com a cmera apoiada no ombro enquanto
entrevistava Serena para o filme.
Os lbios dela estavam pintados de vermelho-escuro, tinha uma cobra prateada presa na
orelha e uma saia preta justa nas coxas. O top vermelho e preto meio que escorregava nos
ombros nus, expondo a pele branca como maa de uma forma que Dan nunca vira antes.
Pelo menos, no em pblico.
Sem parar para pensar, ele abriu caminho pela pista de dana, chegou por trs de Vanessa e
a beijou no pescoo. O rosto plido de Vanessa ficou rosado e ela girou no banco do bar,
quase deixando cair a amada cmera.
- No que eu tenha de ir para a faculdade agora... - Serena parou no meio da frase, olhando
enquanto Vanessa e Dan se apalpavam como animais no cio, famintos por sexo.
Corta!
Jenny decidiu agir. Esbarrou o ombro no quadril de serena, esperando dar a impresso de
ter encostado nela por acidente.
- Oi. E a, parabns e essas coisas - disse ela de forma apressada e desajeitada. - Essa saia 
mesmo bacana.
Se Serena fosse Blair ou outra veterana, podia ter dispensado Jenny com um "Obrigada"
seco enquanto se perguntava o que essa calourinha irritante estava fazendo numa festa ps-
ingresso-na-faculdade de veteranos. Mas Serena nunca dispensava ningum. Era uma das
coisas que a tornavam to irresistvel, ou to intimidadora, dependendo de quem voc fosse
e do desespero com que a quisesse. Alm disso, por acaso, Jenny era do grupo de discusso
do primeiro ano que Serena liderava com Blair, ento no era como se fossem totalmente
estranhas uma com a outra.
Jenny estava com um novo corte de cabelo, com algumas mechas retas e uma mecha crespa
que vinha at o queixo. O cabelo era escuro e os olhos castanhos eram grandes e redondos.
O corte combinava com ela.
- Adorei seu cabelo! - Serena deslizou do banco para que Jenny no fosse a nica de p. -
Parece aquela modelo dos anncios da Prada.
Os grandes olhos castanhos de Jenny quase saltaram da cabea.
-  mesmo? Obrigada. - Ela arfou, sentindo como se tivesse sido atingida no ombro por
uma varinha de condo.
O bartender apareceu e Serena pediu duas taas de champanhe.
- No se importa de beber comigo, no ? - perguntou ela a Jenny.
Jenny estava pasma. Se importar? Era uma honra completa. Ela passou o dedo pela borda
da taa de champanhe.
- E a, tem feito alguma coisa como modelo? - perguntou ela. - Gostei muito do perfume
que voc fez.
Serena deu uma piscadela e bebeu um gole do champanhe. Dois meses antes, o estilista Les
Best pedira a ela para estrelar uma campanha publicitria para o novo perfume, e ele hegou
a batizar o perfume de Lgrimas de Serena. No anncio, Serena estava chorando em uma
passarela de madeira no Central Park, usando um vestido amarelo de vero no frio mortal
do inverno. Ao contrrio do que se acredita, as lgrimas em seu rosto foram inteiramente
reais. O anncio fora fotografado no momento em que o meio-irmo vegetariano de Blair,
Aaron Rose, o das trancinhas rasta, tinha terminado com ela; naquele exato momento as
lgrimas comearam a cair.
- Na verdade, acho que vou tentar atuar - respondeu ela.
Jenny assentiu ansiosa.
- Eu simplesmente adorei como voc ficou to real na propaganda. Tipo assim,  claro que
voc estava maravilhosa, mas, tipo assim, no teve retoque, nem maquiagem nem nada.
Serena riu.
- Ah, meue Deus, eu estava suando maquiagem pra caramba... sabe aquela coisa bege e
grossa que eles passam em toda a cara da gente? E eles retocaram totalmente porque eu
estava arrepiada. Eu estava congelando l!
As luzes do bar se apagaram por um minuto e todos gritaram. Depois se acenderam
novamente. Jenny continuou tranqila, ansiosa para dar a impresso de que ia o tempo todo
a festas descontroladas como essa.
- Sinceramente - declarou Serena, aliviada por dar um tempo nas ruminaes sobre seu
futuro incerto. - Qualquer uma pode ser modelo. Desde que tenha o visual certo para as
fotos.
- Acho que sim - respondeu Jenny em dvida. Era fcil para Serena dizer que qualquer uma
podia ser modelo quando ela era dotada de pernas de girafa, um rosto lindo, olhos azul-
escuros maravilhosos e um cabelo louro, luxuriante e louro natural. - Mas como saber se
voc tem o visual certo?
- Voc vai a uma coisa chamada go-see - explicou Serena. Ela esvaziou a taa de
champanhe e pegou um mao de cigarros Gauloises na bolsa Dior de lam dourado.
Segundos depois o bartender encheu sua taa novamente e acendeu seu cigarro.
 como dizem por a: Beleza = Comodidades.
- Olha, se estiver interessada posso dar uma olhada e te apresentar a umas pessoas que
conheo - sugeriu Serena.
Jenny a encarou com os olhos castanhos enormes, sem ter certeza se tinha entendido
direito. Apesar de ser exatamente o que ela queria que Serena dissesse, era quase bom
demais pra ser verdade.
- Quer dizer, para ser modelo? Eu?
Exatamente nesse momento Serena foi distrada por um murmrio vindo de trs.
- Hmmmm, ei, gente - gritou ela sobre o ombro de Vanessa e Dan. - Tem uns quartos e
essas coisas l embaixo, sabiam?
- Eu sempre pensei que eu era baixa demais - insistiu Jenny, preocupada que Serena
estivesse perdendo o fio da meada.
- De jeito nenhum. Voc ser tima - garantiu Serena. - Vou ligar para umas pessoas e
depois te mando um e-mail. T legal?
- Jura? - gritou Jenny irrefletidamente. Ela nem acreditava que isso estava acontecendo. Ia
ser modelo! Ela baixou a taa de champanhe no balco do bar. Mas agora havia muito
trabalho a fazer. Tinha de fazer as mos e os ps, tirar as sobrancelhas, depilar o buo,
talvez at fazer as luzes com henna que ela sempre quis.
- No vai terminar? - perguntou serena, apontando para a taa de Jenny.
Jenny sacudiu a cabea, sentindo-se de repente totalmente deslocada.
- Tenho de ir para casa e me preparar - gaguejou ela. Depois se colocou na ponta dos ps e
deu um beijo no rosto de Serena. - Obrigada. Muito, muito obrigada mesmo!
Serena sorriu para a menina mais nova com benevolncia. Ento sua melhor amiga estava
irritada com ela e Serena no estava apaixonada? Pelo menos podia ter algum prazer
ajudando Jenny.
Assim que Jenny saiu, os meninos do primeiro ano da Riverside Prep se reuniram atrs do
banco de Serena, provocando-se mutuamente a convid-la a descer para um dos quartos do
hotel.
- Cara, ela  uma gata. Como  que nem tem namorado? - murmurou um deles.
- Por que no pergunta a ela? - respondeu o amigo.
- Por que no pergunta voc? - disse um terceiro.
Mas eles eram idiotas demais, ou covardes demais, ou estavam humilhados demais pela
beleza de Serena e sua suposta inteligncia para sequer se aproximarem. Serena pegou o
que restava da taa de Jenny e a verteu em sua prpria taa.
No  nada divertido ser linda quando nem os mans vo falar com voc.

eles s querem tirar a roupa


- Nem acredito que isto esteja acontecendo - disse Vanessa em voz baixa pela trigsima vez
naquela noite. Ela e Dan no pararam de se beijar desde que ele se aproximou dela no bar e
a beijou no pescoo, e agora eles estavam tirando as roupas um do outro em um dos quartos
do Pier Hotel, embaixo do restaurante. Ela queria dizer a ele como tinha sentido saudade e
como fora uma idiotice eles pararem de se falar. E embora o sexo em um quarto de hotel
assim to perto da formatura fosse brega e um clich, parecia a melhor coisa do mundo.
Os quartos do Pier tinham janelas redondas dando para o Hudson, ncoras de ferro batido
penduradas nas paredes e carpete verde-mar. O sabonete, o xampu e a loo corporal de
cortesia no banheiro eram todos de algas marinhas, e os lenis da cama eram de um azul-
mar clarinho. Ventiladores de teto de ao escovado giravam sem parar, esfriando o que
estava para se tornar uma noite muito quente.
Dan tirou o cinto da cala e o atirou serpenteando pela sala. Estava bbado de felicidade e
excitado como o diabo. Jogando-se na cama, ele pulou nela algumas vezes.
- Uuuu! - gritou - Uuu-huuu!
Vanessa o pegou pelos joelhos e ele caiu em cima dela, segurando a saia e arrancando-a
pela cabea de Vanessa.
- Cara! Eu sobrevivi! - gritaram uns bebuns imbecis. Na porta ao lado, um bando de rapazes
com camiseta da Bowndoin e Bates estavam envolvidos nos jogos idiotas de birita
enquanto viam uma partida dos Nets na TV.
- Se a gente morasse junto, podia fazer isso todo dia - sugeriu Dan enquanto Vanessa
desabotoava o suti de renda preta.
Vanessa atirou o suti no cho e cruzou os braos sobre o peito nu.
- j perguntou a seu pai?
- J - respondeu Dan, feliz. - Ele disse que est tudo bem. Mas se minhas notas carem e eu
no jantar com ele e a Jenny pelo menos duas vezes por semana, vou ter que voltar pra
casa. - Ele empurrou os braos de Vanessa e mergulhou de cabea em seu peito. Vanessa
abraou a cabea desgrenhada e fechou os olhos. S havia bebido uma Coca naquela noite,
mas a cama ainda estava girando. Ela e Dan estavam apaixonados novamente. Iam morar
juntos. Podiam at ir para a NYU juntos. Era quase perfeito demais para acreditar.
E quantas vezes na vida as coisas ficam nessa perfeio?

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

Adoro como metade da turma do terceiro ano est ausente da escola hoje. Tambm queria
assinalar uma coisa que vocs podem ter deixado passar na libertinagem de ontem  noite.
Algum - na verdade, um conhecido nosso desde o jardim-de-infncia - estava
patentemente ausente nos procedimentos de ontem. Eis o motivo.

O CARA QUE NO ENTROU PARA LUGAR NENHUM

Ele sempre foi to convencido com tudo que ningum tinha a mais leve dvida de que ia
entrar para a universidade que quisesse. Nunca ocorreu a nenhum de ns que este arrogante
podia ofender tanto os professores que eles se recusaram a dar recomendaes; que o jeito
exagerado de se vestir sou-um-modelo-desembestado e as sugestes de que a famlia dele
comprar a faculdade que ele decidira freqentar podiam desanimar completamente os
entrevistadores; que ele era convencido demais, ou preguioso demais, ou as duas coisas
para fazer o SAT mais de uma vez; ou que ele tinha mandado as solicitaes com um vdeo
dele mesmo exagerando na representao de um musical interescolar que ele nem
protagonizou, em vez de mandar um ensaio.

E ento ele foi rejeitado. No quatro ou cinco vezes, mas nove vezes. Nove rejeies. Ai!
At o pior nojentinho merece alguma solidariedade por isso. Mas tenho certeza de que ele
vai descobrir um jeito de engambelar e entrar para algum lugar. Ele sempre faz isso.

Seu Email

P: Cara GG,
Sou administradora de uma universidade de prestgio da costa leste e estou indo a Nova
York neste fim de semana para conhecer um aluno em potencial. Nossa universidade quer
que ele v no prximo outono, ento  obrigado que eu cause uma boa impresso. Espero
que no se importe se eu perguntar, mas o que voc mais valoriza numa universidade? E,
mais importante, que roupa eu devo usar neste fim de semana?
-adminchik

R: Cara adminchik,
Eu fiz entrevistas em muitas faculdades para no querer levar sua pergunta a srio, se  que
eu tenho de fazer isso. Tem batata frita nos refeitrios da sua universidade? Se quer saber,
isso  muito importante. Quanto ao que vestir enquanto estiver cortejando esse candidato
altamente desejvel, o laranja  o novo pretinho bsico.
-GG

Flagra

N acompanhando B na sada do True West enquanto o resto de ns s estava comeando a
festa. S danando sozinha na mencionada festa  embora eu tenha certeza de que o grupo
de caras atrs dela preferisse pensar que estava danando com ela. J abastecendo-se de
esmalte de unha,kits de depilao e henna na Duane Reade 24 horas da Broadway.V e D
cambaleando para fora do Pier Hotel hoje de manh, bem a tempo para a aula.C, com o
macaco, bebendo sozinho na varanda de seu apartamento no Sutton Place. A gente at
podia sentir pena dele, se no fosse to impossvel sentir pena dele.
pa, tocou a sineta. Depois tem mais!

Pra voc que me Ama
gossip girl

Olha quicando a

Jenny sempre foi elogiada por sua excelente caligrafia e cpias detalhadas e precisas das
grandes obras dos artistas clssicos. A convenincia de ser artista e boa copiadora era que
ela podia falsificar bilhetes, como este de seu pai pela manh sobre uma suposta consulta
com o alergista no centro. Ela fungava grotescamente enquanto o entregava   professora
de matemtica, a Srta. Hinckle. Nos fundos da sala, Elise enfiou o cabelo louro-
avermelhado e grosso atrs da orelha e fingiu no ouvir.
-Da prxima vez, procure marcar suas consultas para depois da aula  instruiu a Srta.
Hinckle, largando o bilhete na mesa. Ela acenou para Jenny ir.  Agora chispa.
-Obrigada  respondeu Jenny timidamente. A Srta. Hinckle era velha e tratava todas as
meninas como suas netas, batendo bolos de aveia para elas e fazendo-lhes cartes de Natal
e maas carameladas. Jenny se sentiu meio mal de tirar vantagem da professora gentil, mas
sua carreira estava em jogo. Isso era importante!
O Go-see sobre o qual Serena tinha mandado um e-mail ia acontecer em um estdio
fotogrfico na rua 16 Oeste. Um bando de louras magras e altas fazendo beicinho fumava
cigarros na calada. Modelos,pensou,Jenny, tentando no se sentir intimidada.
Ela tocou a campainha do estdio do terceiro andar e a porta se abriu eletronicamente para
um espao escuro que parecia meio uma doca de carga com um elevador revestido de ao
corrugado. Jenny entrou no elevador e apertou 3, tentando no se sentir to apavorada como
de fato estava.
-Ol?  Uma mulher alta de queixo pontudo com uma boina de couro branco, short de
couro preto e botas de camura branca at o joelho recebeu Jenny enquanto ela saa do
elevador.-Est Perdida?
Jenny percebeu que devia ter trocado o uniforme da Constance, mas agora era tarde demais.
-Estou aqui para o go-see?  Ela ainda no tinha certeza do que era um go-see, mas
certamente parecia cool.
- Ah.  A mulher olhou para Jenny de cima a baixo. Posso ver seu book?
Jenny olhou para a bolsa com os livros.
- Meu book?
A mulher olhou de novo de cima a baixo e apontou para uma cadeira vazia entre duas
modelos louras que pareciam entediadas.
- Sente-se. Vou chamar quando ele estiver pronto.  Depois ela entrou por trs de uma tela
branca, onde Jenny pde ver um flash de cmera lampejando e as sombras de corpos se
movendo pela sala. De repente uma cacofonia de risos histricos irrompeu do teto do
estanho do estdio, dando arrepios em Jenny.
Ela olhou para a garota ao lado. Estava mascando chiclete e as plpebras desabavam como
se estivesse passado a noite em claro. Jenny desviou os olhos e tentou deixar as plpebras
cadas da mesma forma cool e afetada, mas seus globos oculares ficaram se revirando na
cabea. Mais para A noite dos mortos-vivos do que para modelo cool e entediada.
A mulher de boina saiu de detrs da tela.
- Voc.  Ela apontou para Jenny.
Jenny corou e olhou como quem se desculpa para as outras garotas que tinham chegado
antes dela. Depois seguiu a mulher para trs dela.
O estdio do outro lado da tela tinha paredes de tijolos aparentes pintados de branco e um
piso de madeira. No meio da sala havia uma chaise longue de veludo vermelho parecendo
antiga, e em volta do mvel refletores em trips e telas reflexivas prateadas j instaladas.
-Tire o suter e deite-se  ordenou um homem atarracado num um cavanhaque louro, j
semicerrando os olhos para ela atravs de uma cmera Polaroid.
Com o corao aos saltos, Jenny baixou a bolsa e dobrou o cardig em cima dela. Depois se
sentou na beira da chaise longue de veludo vermelho, envergonhada de como seus joelhos
nus eram plidos e nodosos na luz impiedosa.
- Deitar?
- De costas  dirigiu o fotografo, ajoelhando-se diante dela s a alguns centmetros de
distncia.
Deitar de costas? Ela no podia fazer isso, no com apenas o suti de algodo de
sustentao moderada que estava usando. E se acontecesse uma coisa horrvel com os
peitos, e se cada um dos enormes seios escapasse pelas costelas e nas axilas, deixando-a
completamente deformada?
Ela recusou na chaise longue e apoiou-se nos cotovelos em uma posio que conclura que
era comparvel a se deitar.
Isso deixou os peitos dela apontando ainda mais para fora.
- Est bom  murmurou o fotografo, batendo a Polaroid que ele j baixara para o cho e
arrastando-se para ela para tirar outras fotos.
Jenny juntou as pernas com firmeza para que ele no pudesse ver a calcinha.
- Que tipo de expresso eu devo fazer?
- No importa  reespondeu o homem enquanto batia mais fotos.  S mantenha os ombros
para trs e o queixo erguido.
Os braos de Jenny estavam comeando a tremer do esforo, mas ela no ligou. O fotografo
parecia gostar dela. Estava tratando Jenny como uma modelo de verdade.
- Muito bem. Acabamos  disse ele por fim, levantando-se.  Qual  o seu nome mesmo?
- Jennifer  respondeu Jenny.  Jennifer Humphrey.
O homem assentiu para a mulher de boina e ela rabiscou alguma coisa num bloco.
- Posso ver as fotos?  perguntou Jenny, apontando para as Polaroids alinhadas no piso de
madeira. Cada uma delas estava coberta por um filme plstico que tinha de ser destacado
para que se visse a imagem.
- Desculpe, meu bem, aquelas so minhas  disse-lhe o fotografo com o sorriso de quem
est se divertindo.  Quero ver voc aqui no domingo que vem. s dez da manh.
Entendeu?
Jenny assentiu ansiosamente e vestiu o suter. No tinha muita certeza, mas parecia que
tinha acabado de ser contratada para uma sesso fotogrfica!
Ou pelo menos parte dela tinha sido contratada.
- E a, para o que era o go-see?  perguntou Serena quando Jenny a viu no grupo de
discusso durante o almoo naquele dia.  Desculpe por eu no ter levantado mais
informaes. Minhas amigas modelos so muito idiotas nessas coisas.
Jenny ps a mo na boca.
-Eu me esqueci totalmente de perguntar. Mas foi timo. Todo mundo foi muito legal
comigo, como se eu fosse uma modelo de verdade e tudo.
- T legal, mas voc deve descobrir para o que eram as fotos  aconselhou Serena.  Uma
garota que eu conheo achava que estava fazendo um comercial de chiclete e no fim das
contas era para absorventes higinicos. Acho que ela confundiu Carefree com Stayfree.
Jenny fez uma careta. Absorventes higinicos? Ningum falou nada de absorventes.
- E no deixe o estilista te vestir com nada que no seja confortvel. Sei que o anuncio da
Les Best  bom, mas qual , um vestido leve em pleno inverno? Fiquei doente por trs
semanas depois disso  acrescentou Serena.
O resto das meninas do primeiro ano do grupo de discusso riu educadamente. Elas
adoravam ouvir as historias de modelo de Serena, mas estavam superinvejosas de Jenny e
no queriam estimul-la. Como  que a menina mais baixinha da turma, aquela com cabelo
crespo e castanho e os peites ridculos, agora era, tipo assim, modelo? No fazia sentido
nenhum.
- Aposto que  para um catalogo de suti tamanho jumbo e ela  idiota demais para saber 
cochichou Vicky Reinerson para Mary Goldberg e Cassie Inwirth.
- Tenho certeza de que  s para uma coisa bsica, tipo suco de laranja  garantiu Cassie a
Jenny tentando manter a cara sria.
Elise tambm estava com inveja, mas tentava ao Maximo no demonstrar.
- Cade Blair?  perguntou ela a Serena numa tentativa de mudar de assunto.
Blair era lder do grupo de discusso junto com Serena. Serena deu nos ombros.
- No sei. Ela esta meio puta comigo agora.
Mary,Cassie e Vicky se cutucaram debaixo da mesa. Elas adoravam ser as primeiras a
descobrir sobre as brigas de Serena e Blair.
- Eu soube que Blair no entrou em nenhuma das universidades em que se inscreveu. O pai
dela vai mand-la para a Frana logo depois da formatura para ela trabalhar para ele 
anunciou Mary.
Serena deu de ombros de novo. Ela sabia, por experincia prpria, como as historias se
distorciam e da velocidade com que os boatos se espalhavam. Quanto menos falasse,
melhor.
- Quem sabe o que ela vai fazer?
Jenny ainda estava ruminando a historia do absorvente.
Ser que realmente ligava se a sesso de fotos do fim de semana fosse para uma coisa nada
legal, tipo comida congelada ou creme para espinhas? Pelo menos era um comeo. At que
ponto iria para ser descoberta?
- Deixa de ser to paranica  sibilou Elise para ela, embora elas no estivessem se falando.
Desde que ficaram amigas dois meses antes, Elise tinha uma misteriosa capacidade de ler
os pensamentos de Jenny.
Irritante  pouco.
Jenny olhou para Serena. A veterana etereamente linda j teve uma parte indizvel do corpo
clicada por dois fotgrafos famosos, e a imagem andou pela lateral dos nibus e no teto de
txis por toda a cidade. Era uma das coisas que tornavam Serena a garota mais cool de toda
a cidade, ou talvez de todo o universo! Um anuncio de absorvente era o mesmo tipo de
coisa.
Mais ou menos.

As coisas que ningum precisa saber

- Esquea seus peitos moles, os tornozelos inchados, as marcas de tenso. Imagine que suas
ndegas so bales que esto sendo desinflados. Vamos l. Solte o aaaaaaarrrr.
Blair recusava-se a imaginar qualquer uma dessas coisas. J era bastante ruim ficar deitada
no cho com um bando de grvidas de meias com chul, todas mugindo feito vacas  no
havia necessidade de degradar ainda mais a situao envolvendo sua bunda.
No cho,  direita dela, a me de Blair deu uma risadinha.
- No  divertido?
, e como.
Blair teve vontade de bater nela. Ela tirara um dia pessoal e ficara em casa em vez de ir
para a escola, aborrecida demais por estar na lista de espera de Yale para encarar as colegas
de turma, especialmente Serena. Mas depois de seis horas de reprise de Newlyweds, toda
uma caixa de sorvete de chocolate sem gordura Hagen-Dazs e agora isto, ela queria ter ido
 aula.
- Muito bem. Agora que os parceiros tiveram um momento para relaxar,  hora de trabalhar.
Lembrem-se, ter um beb requer uma equipe!
A treinadora da aula de parto afinada-com-o-ambiente-do-Upper-East-Side de Eleanor
era uma ex-enfermeira magra de tanta ioga e de cabelo frisado chamada Ruth, que ensinava
 turma em uma ultramoderna cobertura na Quinta Avenida. Ruth era casada com um bem-
sucedido designer de eletrodomsticos, o que significava que ele desenhava mquinas de
lavar, geladeiras e lava-louas que pareciam naves espaciais e custavam o preo de um
carro. Eles tinham cinco filhos, inclusive dois gmeos fraternos, e de vez em quando uma
das crianas vagava pela sala de estar para pegar alguma coisa na enorme geladeira
cromada na cozinha sem nem piscar para todas as grvidas espalhadas pelo cho.
provavelmente todos vo acabar sendo ginecologistas psicologicamente perturbados,
pensou Blair.
Ruth puxou para cima a estranha cala de ioga preta e branca Yohji Yamamoto, agachou-se
no cho e enrugou a cara at parecer uma espcie de babuno tentando expelir uma
bananeira inteira pelo cu.
- Lembram das fases do trabalho de parto que vimos no inicio da aula? Esta  a cara da
terceira fase. Muito anti-social.
E depois, quando a epidural fizer efeito e voc comear a empurrar? Esquea.  a que voc
comea a gritar para o marido que o pr-natal que se foda. Os bebs podem ser lindinhos,
mas t-los no  nada bonito.  por isso que se chama trabalhode parto.
Blair se levantou nos cotovelos. Ser que no tinham meios tecnologicamente avanados de
fazer isso hoje em dia? Ser que no podiam, tipo assim, tirar o bebe a laser?
- Chegou a hora da festa. Senhoras, continuem relaxando no cho. Parceiros, ajoelhem-se
aos ps delas, esse  o seu lugar. Agora, senhoras, preparem-se para uma incrvel massagem
nos ps!
Todos os outros parceiros por acaso eram os maridos das mulheres, e no as filhas de 17
anos. Maridos deviam fazer massagem nos ps. Era parte da tarefa deles. As filhas no.
Blair olhou para os ps da me. Pareciam meio os dela, s que estavam envolvidos em
meias cor de pele at os joelhos. S a idia de tocar neles j deixava Blair nauseada.
- Comecem trabalhando no calcanhar direito. Aninhem o PE em uma das mos e usem os
polegares. No tenham medo de apertar. Ela est carregando duas pessoas o dia todo. Os
ps so fortes!
Cautelosamente, Blair pegou o p direito da me. Uma coisa era certa: depois de cada uma
dessas aulas de parto ela ia comprar um par muito caro de Manolos e colocar no carto de
crdito da me. Ela tambm ia precisar de uma srie de tratamentos complicadssimos no
SPA para se livrar das lembranas de todo esse papo de sinta-o-toque e nascimento, para
no falar do cheiro de p.
- Agora apiem o p em seu peito e batuquem no dedo do p at o joelho. Sei que parece
esquisito, senhoras, mas a sensao  maravilhosa.
Os maridos comearam a batucar. Eles estavam nessa pra valer.
- Preciso ir ao banheiro  anunciou Blair, deixando o p da me cair com um baque no cho
acarpetado de l Flokati.
- Por que no usa o banheiro dos gmeos? Fica bem ali no corredor,  direita  disse Ruth,
aproximando-se para assumir o lugar de Blair.
- Aaah  gemeu Eleanor quando Ruth comeou a batucar os dedos em seu p.
O banheiro era grande e moderno, como o resto da casa, mas estava cheio de frascos de
Clearasil para acne e todo o tipo de produtos para os cabelos. No cho havia uma caixa de
areia plstica prateada que parecia ter sido desenhada pelo marido de Ruth, e pedaos de
palha para o gato se espalhavam por todo o ladrilho. Blair no tinha certeza de onde ficava
a caixa de areia de Kitty Minky na cobertura de sua famlia, mas certamente no era no
banheiro dela. Que falta de higiene!
Ela parou na pia e abriu a torneira, olhando seu reflexo no espelho sujo de pasta de dentes.
Os cantos de seus lbios finos estavam virados para baixo, e os olhos azuis estavam duros e
raivosos. O cabelo castanho curto crescia mais lentamente do que ela preferia, e estava
numa fase cada e sem corte. Ela ergueu a blusa e examinou o corpo. O peito parecia
pequeno e a barriga estava um pouco mais mole depois de passar o inverno inteiro sem
jogar tnis. No que ela estivesse gorda nem nada disso. Mas talvez, se tivesse entrado para
a equipe de natao e ficasse em forma, Yale a teria aceitado e ela j teria transado com
Nate e sua vida estaria tima em vez de...
De repente a porta do banheiro se abriu e os gmeos de 13 anos de Ruth, um menino e uma
menina com aparelhos nos dentes e cabelo ruivo e crespo como o da me, estavam
encarando Blair. A menina usava o uniforme da Constance Billard. Blair largou a blusa.
- Estamos procurando nossa gata  disse a menina.
- Voc  lsbica?  perguntou o garoto. Os gmeos riram em unssono. Porque, se for,
ento como foi que conseguiu engravidar?  continuou o menino.
Como disse?
Blair estendeu a mo para a porta e bateu-a na cara deles, dessa vez com o cuidado de
trancar. Depois baixou a tampa da privada e sentou. Um exemplar surrado de Jane Eyre
estava no cho e ela o pegou. Blair tinha lido esse livro duas vezes. Uma por conta prpria,
quando tinha 11 anos, e depois na aula de ingls do primeiro ano. Agora ela releu as
primeiras paginas, sentindo-se muito como a prpria Jane  presa, torturada pela famlia,
sua grande inteligncia e sensibilidade completamente subestimada. Se ao menos o
banheiro tivesse uma espcie de rota de fuga  um alapo para a rua. Ela pegaria um taxi
direto para o aeroporto, um avio para a Inglaterra ou at a Austrlia, mudaria de nome,
conseguiria um emprego de garonete ou governanta, se apaixonaria pelo chefe e assim
como Jane, casaria e viveria feliz para sempre.
Mas primeiro Blair tinha de se livrar do revoltante cheiro de p de grvida que parecia ter
penetrado em sua pele. Sem parar para pensar no que estava fazendo, Blair fechou o livro,
levantou-se e abriu a torneira da banheira. Jogou na gua um punhado de sabonete lquido
de pepino da Kiehl, tirou a roupa e entrou. Ali mesmo fechando os olhos, ela se imaginou
deitada na praia australiana naquele biquni Burberry xadrez rosa-concha-e-azul-marinho
que ela quase comprou no fim de semana passada, vendo o marido gato surfar no Pacfico.
Ao pr-do-sol, eles iam navegar para o horizonte no iate, beber champanhe e comer ostras,
e depois transariam no convs, os olhos verdes brilhando  luz da lua. Olhos verdes...
Blair se sentou na banheira. Nate! Ela no precisava fugir afinal, no quando ainda tinha
Nate. Seu celular estava enfiado no bolso traseiro da jeans, amarfanhada no cho ao lado da
banheira. Ela o pegou e discou para Nate.
- E a?  perguntou ele, parecendo chapado.
- Voc ainda vai me amar, mesmo que eu no entre para Yale?  despejou Blair enquanto
voltava a se deitar nas bolhas.
 claro que vou  respondeu Nate.
- Acha que estou gorda e fora de forma?  perguntou ela, chutando um p descalo para
fora da gua e depois o outro. Os dedos de seus ps estavam pintados de borgonha.
- Blair  ralhou Nate.  De gorda voc no tem nada.
Blair sorriu e fechou os olhos. Ela e Nate tinham tido essa conversa uma s mil vezes, mas
sempre a fazia se sentir melhor consigo mesma.
- Ei, esta tomando banho ou coisa assim?  perguntou ele.
- Arr.  Blair abriu os olhos e pegou o frasco de sabonete lquido. - Eu queria que voc
estivesse aqui.
- Eu podia ir  ofereceu-se Nate,cheio de esperana.
Se ao menos ela estivesse em casa, na prpria banheira.
- Querida?  A voz de Eleanor Waldorf chamou do outro lado da porta. - Est tudo bem a?
- Estou bem!  gritou Blair em resposta.
S estou deitada na banheira da instrutora de parto da minha me, dando uma trepada por
telefone com o meu namorado.
- Bem, no se esquea de que tem um monte de gestantes aqui com rins hiperativos!
Obrigada por me lembrar.
- Droga, tenho de ir  disse Nate.  Todos aqueles treinadores de lacrosse de universidades
esto me ligando. Eles vm neste fim de semana para me ver jogar.
Note que ele teve o cuidado de no dizer que universidades.
- Bem, eu vou a Georgetown amanh cedo, mas te ligo de l, ta bom?  Blair desligou e,
com uma espanada na gua, levantou-se e se secou com uma das toalhas brancas e felpudas
que encontrou dobradas em uma prateleira atrs da banheira. Depois vestiu as roupas e
passou os dedos pelo cabelo molhado. Seu reflexo no espelho parecia mais vibrante agora,
e Blair tinha o cheiro de frescor e limpeza do pepino. Talvez fosse o banho, ou a conversa
com Nate, mas ela se sentia uma pessoa totalmente nova.
Do lado de fora, no corredor, grvidas perambulavam comendo minipizzas de queijo de
cabra e azeitona entregues em casa do Eli`s. Blair ficou na porta, esperando
impacientemente enquanto Eleanor batia papo com Ruth sobre o design da geladeira do
marido de Ruth.
A gmea filha de Ruth, aquela do uniforme da Constance Billard, levava um gato
Himalayan branco.
- Esta  Jasmine  disse a menina.
Blair deu um sorriso duro e apertou o fecho de seus brincos de diamante.
- Est tendo um colapso nervoso?  insistiu a menina. Eu soube que voc largou a escola.
No era segredo que os boatos voavam rpido pela escola e alem dela. Na segunda-feira a
garota de aparelho nos dentes e cabelo vermelho iria dizer a cada um que quisesse ouvir
que Blair Waldorf estava olhando para o peito no banheiro da casa dela, ou provavelmente
coisa muito pior. De certa forma, Blair realmente estava ansiosa para fazer essa viagem de
fim de semana a Georgetown. Pelo menos ningum a conheceria e ela seria tratada com a
decncia e o respeito que merecia.
- Me!  gritou ela rispidamente.  Est na hora de ir.
E, assim como Blair previu, no momento em que a porta se fechou atrs dela, a gmea m
correu para o quarto para entrar na Internet, e as mensagens instantneas comearam a voar.

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

A SINCERIDADE  SUPERESTIMADA
Sabe como todo mundo sempre fala de como a sinceridade  a melhor poltica e que o
nico relacionamento verdadeiro  sincero e aberto? Bem, acho isso uma besteira. No que
eu ache legal mentir.  s que, s vezes, quanto menos se diz, melhor. Quer dizer, como 
que se pode ser interessante sem ter segredos? Onde fica o mistrio? O elemento surpresa?
Admita,  excitante quando seu namorado viaja no fim de semana e voc no tem idia do
que ele est aprontando. Voc gosta quando aquele cara por quem voc tem uma queda d
uma festa mas fica calado na maior parte do tempo ou sai da sala para dar um telefonema
misterioso. No  mais interessante imaginar que todo mundo que voc conhece tem uma
vida dupla?
E, encare a realidade, se o que realmente quisssemos fosse a sinceridade, no amos gostar
de falar tanta porcaria sobre os outros, n?

Seu e-mail

P: Cara GG,
Parece estranho, mas a minha me d aulas de parto na sala da nossa casa e aquela veterana
da minha escola estava l na noite passada com a me dela, que  tipo meio velha demais
para ter um beb. Mas a, a garota se trancou no banheiro por tipo uma hora e depois saiu
de l toda molhada. Todo mundo na minha turma tem tanto medo dela e acha que ela  to
cool, mas agora eu sei que ela s  maluca. No surpreende que ela no tenha entrado para
a faculdade.
- newsworthy.

R: Cara newsworthy,
Voc disse que ela  veteran? Garota, ns somos TODAS malucas.

P: Prezada GG,
Meu primo vai pra Yale e trabalha como guia para alunos em potencial. Ele disse que no
tem lista de espera em Yale. Eles s mandam as cartas para atender a uma quota nacional
ou coisa assim.
- drea

R: Cara drea,
Uia. Isso  apavorante o bastante para ser verdade.

Flagra

D bebendo caf em um restaurante na Broadway. J praticando o andar empertigado de
modelo de passarela no corredor central do nibus da 79. Spegando vo da U.S Air para
Boston.Imagino que esteja levando muito a srio esse negocio de tomar decises.B secando
uma daquelas garrafinhas de vodca no vo para Washington  entrando em parafuso por
causa de Georgetown.V jogando fora uma placa S Para Mulheres que tinha roubado de
um banheiro num bar de Williamsburg. C e o pai embarcando em seu avio particular. A
caminho de convencer alguma instituio ingnua a aceit-lo no outono que vem? Papai
estava levando uma pasta  vamos imaginar que estava cheia de dinheiro.

Lembre-se, gente, estamos a quase trs semanas de decidir a que faculdade queremos ir.
Vamos usar esse tempo com sabedoria. Piscadela rpida. Voc sabe que eu vou!

Pra voc que me ama,
gossip girl

anfitrio nerd de harvard rouba o corao de s


Serena saiu da limo do aeroporto Logan e desceu o caminho de lajota que levava ao
escritrio de admisso de Harvard, o corpo zumbindo da cafena do enorme capuccino da
Starbucks que tomou durante o vo. Fazia uma manh ensolarada de vero - mais fria do
que em Nova York - e Cambridge estava um alvoroo de vendedores de rua e estudantes na
moda, com um jeito bomio, namorando nos bancos e tomando caf. Ela se perguntou
como  que Harvard tinha conquistado a fama de sria e intimidadora quando parecia to
relaxada e no intimidava nada.
O gui de Serena estava esperando por ela do lado de dentro da porta. Alto e de cabelos
escuros, co culos de aro de prata - o perfeito intelectual bonito e meio nerd.
- Meu nome  Drew. - ele estendeu a mo.
- J amei isto aqui - disse Serena entusiasmada ao trocar um aperto de mo com ele. Serena
tinha a tendncia de falar toda empolgada quando ficava nervosa, embora no estivesse
exatamente nervosa, s supercafeinada.
- Posso te levar num giro padro de duas horas, ou talvez voc melhor se voc me dissesse
o que quer ver - props Drew. Os olhos dele eram castanho-claros e ele vestia um suter de
algodo bege de tric e cala de veludo cotel verde-oliva com um vinco to perfeito que
Serena podia imagin-lo pegando o pacote da J. Crew que a me mandara para ele e
vestindo as roupas logo depois de tirar da caixa. Ela gostava quando os rapazes davam
ateno  moda, mas era mais atraente quando um cara ficava mame-acaba-de-comprar-
pra-mim.
- Eu queria muito ver o seu quarto - disse ela, sem sequer parara para pensar na impresso
que dava. Mas era verdade. Ela queria mesmo ver como era o alojamento.
Drew corou e Serena corou com ele. E de repente a ficha caiu - ela freqentava escolas
exclusivamente femininas desde a primeira srie. S mulher dos 12 anos em diante. A
faculdade ia ser cheia de homens. Homens o dia todo, todo dia. Homens, homens, homens.
Ueeeeeebaaaaa!!!
- Est com fome? - perguntou Drew. - O refeitrio do meu alojamento tem uma comida
bem razovel. Eu posso te levar a uma das maiores bibliotecas e depois a gente pode ir at
l, almoar e dar uma olhada nos quartos do alojamento.  um alojamento misto, ento... -
Ele corou fortemente e empurrou os culos no nariz.
- Perfeito - disse Serena a meia-voz.
Drew levou-a ao escritrio de admisso por um longo caminho que atravessava o jardim de
Harvard. O gramado verdssimo estava cheio de alunos jogando Frisbee ou lendo livros.
Um professor corrigia trabalhos debaixo de um bordo.
- esta  a Widener, a biblioteca de cincias humanas - disse Drew enquanto Serena o seguia
subindo as escadas do prdio. - Estou me especializando em msica e qumica, ento no
passo muito tempo por aqui - explicou ele, mantendo a porta aberta para ela. Eles entraram
no ambiente silencioso e frio, e Drew apontou uma caixa de frio trancada junto  parede
mais distante. - Tem uma coleo incrvel de manuscritos originais por aqui. Sabe como ,
de papiros gregos, essas coisas.
Papiros?
Drew ficou parado pacientemente com as mos nos bolsos de cala de veludo vincada,
esperando que ela fizesse perguntas sobre a biblioteca. Mas Serena estava absorta demais
nele. Ela j conclura que Drew era uma gracinha, mas um cara que usava palavras como
papiro de cara limpa era totalmente irresistvel!
Ela torceu uma mecha de cabelo no dedo e olhou para o teto da biblioteca como se
estivesse fascinada pela arquitetura.
- Voc est se especializando em msica? Toca algum instrumento?
Drew olhou para o cho e murmurou uma coisa inaudvel.
Ela deu um passo para ficar mais perto.
- Como?
Ele deu um pigarro.
- Xilofone. Eu toco xilofone, na orquestra.
E ela pensava que xilofone era s um instrumento de brinquedo inventado para que pelo
menos uma palavra comeasse com x! Serena bateu palmas deliciada.
- Posso te ouvir tocar?
Drew sorriu, hesitante:
- Tenho um ensaio s trs, mas estou s aprendendo. Voc provavelmente no vai querer
ficar mais tempo aqui...
Serena tinha pedido um carro para lev-la a Providence naquela tarde para dar uma olhada
na Brown. O irmo dela, Erik, estaria l e mostraria o campus a Serena pelo menos uma vez
na vida em vez de tomar um porre com os colegas de quarto na casa nos arredores do
campus. Aind assim, era s Erik. Ele ia entender se ela se atrasasse.
Quando voc tem 17 anos e  loura e linda, sempre pode se atrasar.
-  claro que vou ficar mais tempo. - Ela pegou o brao de Drew e puxou-o pela porta da
biblioteca. - Vamos, estou morrendo de fome!
Quem precisa de biblioteca cheias de papiros quando Harvard tem muito mais a oferecer?

b se destaca no campus da g

- Meu nome  Rebecca Reilly e serei sua anfitri neste fim de semana. Aqui est um crach,
um mapa e um apito. Por favor, coloque o crach e mantenha o mapa e o apito com voc o
tempo todo.
Blair olhou a loura falsa baixinha e petulante diante dela. Ela nad tinha contra a petulncia.
Ela prpria recorreu  petulncia quando tentou conseguir que um estilista como Kate
Spade doasse as bolsas de brindes para uma das grandes festas beneficientes que ela
organizara, ou quando precisou que uma professora a deixasse sair para uma liquidao da
Chlo. Mas a petulncia autntica entre os colegas era simplesmente triste e desesperada.
- Um apito? - repetiu Blair.
Em todo vo at l ela imaginou que essa viagem iria dar uma levantada no ego. Ia passar o
dia com uma guia nerd que, comparada com ela, a faria se sentir sofisticada e inteligente.
Mais tarde ela pegaria um quarto no Ritz-Carlton de Washington ou em um hotel
igualmente grande e passaria a noite em seu ofur privativo, emborcando champanhe e
entregando-se a mais sexo por telefone com Nate.
- Georgetown d apitos a todas as alunas. Temos um grupo de defesa das mulheres muito
forte. E no temos estupros nem assdio no campus h dois anos! - anunciou Rebecca com
sotaque do sul. Ela sorriu exultante para Blair pelas pestanas grossas maquiadas de azul. O
cabelo louro de farmcia com permanente cheirava a produtos capilares Finesse, e os
Reeboks de couro branco eram t novos que pareciam nunca ter sido usados fora do
shopping.
Blair tirou um fio de cabelo da manga do novo casaco rosa Marni.
- Preciso pegar um quarto de hotel pra esta noite...
Rebecca pegou o brao dela.
- No seja boba, querida. Voc vai ficar comigo e com as minhas amigas. Temos uma
quadra simplesmente deliccccciosa e voc vai ter a melhr das melhores diverses de todos
os tempos, porque hoje vamos dar nossa festa Belas do Sul s para mulheres!
Como  que ? Desde quando algum achava que s ter mulher num lugar era a idia de
uma festa?
- Que timo - respondeu Blair fraquinho. Se ao menos ela j tivesse se registrado em um
hotel. Ela olhou em volta para as outras visitantes sendo recebidas pelas anfitris. Todas,
anfitris e visitantes, pareciam estranhamente parecidas com Rebecca. Como se todas
tivessem sido criadas em cidades suburbanas onde todo mundo era louro, feliz, limpo e sem
complicaes. Blair se sentia uma ET snica e esgotada entre elas, com o cabelo escuro,
curto e espigado e as roupas de grife.
Na verdade, essa era exatamente a levantada de ego que ela procurava. Est vendo, sou
diferente e mais inteligente e melhor do que essas meninas, disse a si mesma. Pelo menos
ela nunca parou para tingir de louro o cabelo naturalmente castanho.
-Vem, vamos comear o giro! - Rebecca pegou a mo de Blair como se elas tivessem
quatro anos de idade e puxou-a para fora da sede da admisso. O sol brilhava no rio
Potomac e as agulhas da antiga capela jesuta da universidade assomavam majestosamente
no alto da colina. Blair tinha de admitir que o velho campus da Universidade de
Georgetown era bonito, e a cidade de Georgetown era mais elegante e mais limpa do que
New Haven. Mas definitivamente faltava o exclusivo ar de somos-os-mais-inteligentes-da-
turma de Yale.
- L em cima,  sua esquerda, voc vai ver uma construo grande e moderna.  nossa
Biblioteca Lauinger, prmio de arquitetura, com a maior coleo de ... - Rebecca andou de
costas na frente de Blair at um caminho de lajotas, tagarelando informaes entediantes
sobre Georgetown. Blair a ignorou, mantendo os olhos focalizados no trnsito humano que
atravessava o campus principal. Rapazes e garotas vestidos dos ps  cabea de Brooks
Brothers ou Ann Taylor marchavam decididos para a biblioteca, as bolsas Coach
carregadas de livros. Blair levava os estudos muito a srio, mas era sbado. Essa gente no
tinha nada melhor para fazer? Rebecca parou de repente e colocou a palma da mo na testa.
- Querida, estou com uma enxaqueca danada. Esta coisa de andar de costas me deixa tonta,
eu podia vomitar!
Blair queria dizer alguma coisa sobre como toda a situao dava vontade nela de vomitar,
mas a maioria das situaes era assim.
- Por que no nos sentamos em algum lugar e tomamos um ... caf - sugeriu ela, satisfeita
por parecer to normal e simptica, quando podia mesmo tomar um bom martni de vodca
bem forte.
Rebecca atirou os braos no pescoo de Blair.
- Uma garota que l meu pensamento! - guinchou ela.
- Sou totalmente viciada em macchiatos de caramelo, e voc?
Eca.
Eram s duas da tarde. O caf teria de servir.
- Tem algum lugar perto daqui?
Rebecca passou o brao pelo de Blair.
- Claro que tem! - Ela sacou o celular Nokia rosa e branco. - S me d um minutinho para
eu localizar as meninas. Por que a nossa fesssta Belas do Sul no comea maisss cedo?
Blair sorriu e passou os dedos pelo celular em sua bolsa Prada verde-menta. J estava morta
de saudade de Nate. Se ao menos tivesse pegado emprestado a garrafinha prateada que ele
levava, ento ela pelo menos teria uma lembrana dele e um trago de vodca para o
macchiato.
Rebecca olhou para cima, interrompendo a conferncia que estava tendo com as amigas.
Ela cobriu o bocal com a mo.
- Elas j esto em um bar - sussurrou, as bochechas corando de um rosa altivo e
constrangido. - Fica na rua M. Voc se importa se a gente se encontrar com elas l?
- Tudo bem - concordou Blair prontamente. D um coquetel e um cigarro a Blair e ela pode
ficar feliz praticamente na companhia de qualquer um.

o quanto eles realmente o querem?

- Cara, voc nunca me disse que os treinadores eram todas mulheres - sibilou Jeremy Scott
Thompkinson, um dos melhores amigos de Nate, enquanto passava correndo por Nate para
pegar um passe longo.
Nate girou o basto de lacrosse acima da cabea e esperou at que Jeremy tivesse lanado
para avanar e pegar o passe ele mesmo. Era um tipo de manobra de exibio, mas
funcionava. Alm disso, ele devia estar se exibindo mesmo. Ele atirou
a bola de volta para Jeremy, demonstrando suas habilidades de trabalho em equipe do modo
como o treinador Michaels pedira a ele. Depois os dois rapazes voltaram correndo ao meio
do campo.
- Aquela alta  treinadora de Yale. A baixa  a mulher da admisso da Brown que me
entrevistou - explicou Nate. O treinador da Brown no pde vir porque tinha um jogo.
- Mas cara, so todas mulheres! - disse Jeremy de novo, o cabelo desgrenhado de astro do
rock voando na brisa enquanto se afastava lentamente. - No surpreende que voc tenha
entrado!
Nate sorriu para si mesmo enquanto enxugava o suor da testa. Podia ter sido legal acreditar
que ele no dava ateno nenhuma a sua perfeio, mas a verdade era que ele sabia
exatamente como era bonito. Nisso ele no era um perfeito imbecil.
Da linha lateral, as duas mulheres observavam-no intensamente. Depois o treinador
Michaels soprou o apito.
- Vamos sair cedo hoje, rapazes! - gritou o treinador, cuspindo na grama. - Minha mulher e
eu vamos comemorar nosso quadragsimo aniversrio hoje  noite. - Ele enfiou as mos
nodosas no abrigo verde Lands' End e assentiu para Nate antes de cuspir na grama de novo.
- Vamos, Archibald.
Nate seguiu o treinador at onde estavam as duas mulheres das universidades.
- Seria timo ter nosso prprio campo - disse o treinador Michaels s mulheres. Ele
gesticulou para o trecho de gramado do Central Park onde os colegas de time de Nate
estavam desmontando os gols. - Mas quando se joga na cidade a gente usa o que pode.
Como se ele realmente desse a mnima.
Em um banco prximo, quatro meninas do segundo ano com o uniforme xadrez verde da
Seaton Arms riam e cochichavam, os olhos fixos e desejosos em Nate.
- Pelo menos no parque sempre se tem pblico - observou a treinadora de Yale. Ela era alta
e tinha uma cara comprida, com uma juba loura e um rosto anguloso e bonito. Um homem
vendia bebidas e sorvete em um carrinho perto dos bancos. Ela abriu o bolso da frente da
mochila azul-marinho
com o decalque do buldogue de Yale em cinza. - Posso comprar um Gatorade para vocs
ou outra coisa?
- No, obrigado, dona. Tenho de ir para casa ver a minha mulher. - O treinador Michaels
apertou a mo das duas mulheres e depois deu um tapa nas costas de Nate. - Ele  um
garoto de talento. Se tiverem alguma pergunta, me procurem.
O treinador se afastou e Nate bateu na grama nova de primavera com o basto de lacrosse.
-  melhor eu ir para casa tomar um banho - murmurou ele, sem ter certeza do que as duas
mulheres tinham planejado. Brigid, a entrevistadora da Brown, olhava-o cheia de
expectativa. Brigid tinha deixado um recado no celular dele pedindo que a encontrasse no
saguo do Warwick New York Hotel s cinco da tarde para "discutir as opes dele".
Ou o que quer que isso signifique.
A treinadora de Yale passou a ele uma bolsa esportiva de nilon azul com um grande Y de
couro branco.
- Cortesia do time - disse ela. - Sua camisa, o short e
essas coisas esto a dentro. O suporte atltico. At meias.
A cara de Brigid caiu. Como  que no pensou nisso?
- Ainda vamos nos encontrar mais tarde? - perguntou ela rapidamente. - Posso te pagar um
jantar. - O cabelo dela era louro-avermelhado, o que Nate no se lembrava de quando a
conhecera em outubro, e ele se perguntou se ela havia pintado. Na verdade, ela era muito
mais bonita do que ele se lembrava e ele meio que gostou de ela no ter tentado seduzi-lo
com uma bolsa cheia de suteres e essa merdas da Brown.
Mesmo que ele decidisse ir para Yale, ser que precisava mesmo
de um suporte atltico da universidade?
- Estarei l - disse ele. Depois estendeu a mo para a treinadora de Yale. - Obrigado por vir.
Mas a treinadora no ia desistir com tanta facilidade.
- Que tal um brunch amanh l pelas onze? Estou no Hotel Wales na Madison ... O
Sarabeth's fica pertinho dali. As panquecas de l so deliciosas.
Nate percebeu que a treinadora de Yale tinha um peito seriamente bonito - grande, mas
firme. Ela parecia uma daquelas jogadoras olmpicas de vlei. Ele pendurou a bolsa de Yale
no ombro.
- Claro - concordou. - Um brunch parece timo.
Era meio pirante ser to desejado por duas das universidades mais difceis de entrar do pas,
e podia ser divertido ver at que ponto elas o queriam.

um morador do upper west side d no p

- Me diz com sinceridade, isso  obsceno? - perguntou Jenny. Vanessa estava empoleirada
na beira da cama de Jenny, filmando-a enquanto ela escolhia uma roupa para a prxima
sesso de fotos. Vanessa devia estar ajudando Dan a fazer as malas, mas ele descobriu um
caderno cheio de poemas que escrevera quando tinha 13 anos e estava ocupado caando
alguma jia potica reciclvel.
Boa sorte com isso.
Jenny estava apavorada de ter de aparecer na sesso de fotos sem suti, uma coisa que ela
nunca fazia, pelo menos no em pblico. No s isso, ela decidira usar uma camiseta azul-
clara que era meio apertada.
- E a, o que voc acha?
-  obsceno sim - respondeu Vanessa com franqueza, com o cuidado de manter a cmera
focalizada acima dos ombros de Jenny para que a classificao do filme no mudasse de
"Censura Livre" para "18 anos".
- Srio? - Jenny se virou para olhar a bunda no espelho atrs da porta do armrio. O novo
jeans Earl deixava suas pernas muito mais compridas do que a outra cala que tinha. Era
uma proeza de engenharia extraordinria.
Vanessa deu uma panormica no quarto. Era um quarto tpico de menina adolescente,
decorado em rosa e branco, decorado com uma colagem de fotos rasgadas de revistas de
moda presas na parede e uma estante salpicada de fuco para adolescentes e Barbies meio
vestidas que nunca eram jogadas fora. Mas a arte nas paredes certamente era singular. O
Beijo, de Klimt, uma cpia impressionante de Moinhos de Vento, de van Gogh, e uma
espantosa papoula do tipo O'Keefe - tudo esmeradamente pintado pela prpria Jenny.
Vanessa voltou a seu tema.
- Por que no experimenta uma blusa preta? - sugeriu ela. - Com suti.
A cara de Jenny caiu.
- Fica to ruim assim?
O pai dela apareceu na soleira da porta aberta, os longos fios do cabelo grisalho e crespo
puxados para cima com um dos elsticos de cabelo de Jenny.
- Meu Deus, vista um suter, qualquer coisa - arfou Rufus. - O que os vizinhos vo pensar?
Jenny sabia que o pai estava brincado, mas estava bem claro qual era o consenso geral. Ela
pegou um suter do armrio e o vestiu pela cabea.
- Obrigada, gente.  to legal saber que vocs se importam - disse ela, olhando para o pai. -
Alguma chance de eu me mudar para seu apartamento tambm? - perguntou ela a Vanessa.
- De jeito nenhum - retorquiu Rufus. - Quem vai beber todo o suco de laranja antes mesmo
que eu me levante de manh? Quem vai encher o compartimento de manteiga da geladeira
com esmalte? E quem vai manchar minhas meias de rosa?
Jenny revirou os olhos. O pai ficaria mesmo mais solitrio se morasse sozinho. E ela no
queria realmente ir morar com Dan e Vanessa. No quando eles estavam praticamente
casados e tudo isso. Seria muito esquisito.
De repente Vanessa se sentiu terrivelmente culpada por tirar Dan de Rufus quando a me
de Dan j o deixara anos antes para morar em Praga com um baro ou coisa parecida.
- Vamos jantar aqui nos fins de semana - disse ela de forma pouco convincente. - Ou vocs
podem ir l e cozinhar. Ruby tem um monte de coisas de culinria.  bom mesmo que
algum me encine a usar.
Rufus ficou exultante.
- A gente pode usar livros de receita!
Vanessa ajustou a lente da cmera, tentando enquadrar Rufus.
- Sr. Humphrey, importa-se se eu fizer algumas perguntas?
Rufus se sentou no cho e puxou Jenny para perto dele.
- Ns adoramos ateno! - disse ele e beliscou a filha do lado.
- Pai- Jenny gemeu, cruzando os braos no peito, embora estivesse de suter.
- Ento, como se sente por ter o filho com idade para ir para a faculdade e se mudar? -
perguntou Vanessa.
Rufus coou a barba grisalha espigada. Ele sorria, ma, os olhos castanhos estavam midos e
pareciam tristes.
- Se quer saber, ele devia ter se mudado h muito tempo. As famlias americanas estragam
os filhos. Eles deviam comear a estudar assim que onseguissem erguer a cabea e deviam
sair de casa aos 14 anos. - Ele beliscou Jenny de novo.
- Exatamente quando comeam a demonstrar ressentimentos com os pais.
- Pai - gemeu Jenny novamente. Depois ela se iluminou. Ei, isso significa que eu posso
ficar com o quarto do Dan? Tem o dobro do tamanho do meu.
Rufus franziu a testa.
- No vamos nos adiantar - grunhiu ele. Dan ainda precisa de um quarto. - Ele ergueu uma
sobrancelha desgrenhada para Vanessa. - Pode ser que voc o expulse. Ele pode at ser
expulso da faculdade!
- Mas voc disse... - comeou Jenny e depois parou. Seu pai sempre estava se
contradizendo. A essa altura ela devia estar acostumada com isso. - De qualquer forma,
depois que eu ganhar dinheiro como modelo, posso redecorar este quarto - acrescentou ela.
Rufus revirou os olhos dramaticamente para a cmera e Jenny deu um soco no brao dele.
Depois Dan apareceu na soleira da porta. Estava usando uma camisa plo Lacoste verde
que a me mandara para ele anos antes. Era trs tamanhos menor e o deixava parecido com
um jogador de golfe bundo.
- Essa camisa fica aqui - ordenou Vanessa.
Dan riu, tirou a camisa pela cabea e atirou-a no cesto de lixo de Jenny.
- Ei - gemeu Jenny. - Use sua prpria lixeira.
-  s uma camisa. Voc pode aguentar - resmungou Dan de volta.
Depois Jenny explodiu em risadinhas. an se achava um fodo porque teve um poema
publicado na New Yorker e tinha conseguido entrar para todas aquelas universidades, mas
sem camisa parecia mesmo franzino, e no era meio idiota que ele fizesse absolutamente
tudo o que Vanessa dizia sem questionar?
- Vou sentir a sua falta, Dan. - Jenny suspirou com um pesar fingido.
Rufus pegou um mao de cigarrilhas no blso de trs e passou a todos sem nunhuma
explicao. Depois acendeu o dele e cmeou a soltar baforadas.
- Talvez seja melhor assim - suspirou ele.
Vanessa desligou a cmera e rolou a cigarrilha apagada entre os lbios. Era difcil no se
sentir culpada quando Rufus parecia to triste, mas ela estava louca para ter Dan s para si,
24 horas por dia, sete dias na semana. Os olhos dela estavam cravados no peito branco e
ossudo dele. Era o peito de um artista torturado. O homem de Vanessa.
- Pronto para ir? - perguntou ela, sorrindo para ele toda empolgada.
Dan retribuiu o sorriso. Ele ainda no tinha descido do pico de felicidade e no pretendia
descer to cedo.
- Pronto - respondeu ele com coragem.
Esperemos que ele tenha posto outras camisas na mala.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

GAROTA IRRITANTE

Voc sabe do que eu estou falando. Aquela que acha que  linda e inteligente e que todo
cara est apaixonado por ela. Ela grita "Eu, eu, eu!" e levanta o brao sempre que um
professor faz uma pergunta.  a pessoa mais hipcrita da sala, mas no quer parecer
hipcrita, ento ri muito e age de um jeito idiota para esconder a suposta genialidade. E ela
 a bebum mais barulhenta e bagunceira que voc j viu. Sem as amigas, ia desmaiar numa
poa de vmito no cho do banheiro ou ir voando para casa com um cara mais velho
relaxado. Mas as amigas dela sempre parecem ter pena dela, e no dia seguinte ela est
mais eufrica do que nunca, sorrindo como se nada tivesse acontecido.

O problema com a Garota Irritante  que, gostemos dela ou no, sempre temos um pouco
dela em ns.  por isso que adoramos odi-la tanto. Ela  nosso pior pesadelo. Quer dizer,
quantas vezes voc quis levantar a mo quando sabia a resposta, s se detndo porque no
queria parecer uma imbecil? E quantas vezes voc quis se sentar no colo de um cara e
comear a beij-lo mas no o fez por medo dele rir da sua cara? De certa forma, a Garota
Irritante somos ns sem a insegurana. Ela  to legal consigo mesma que d vontade de
bater nela. Mas no fundo voc tambm quer poder ser assim to deestvel sem nenhuma
preocupao com o que os outros pensam. Encare a realidade, as pessoas sempre vo
encontrar motivo para nos odiar, especialmente se formos bonitas.

Mas existe uma certa loura que parece incapaz de cometer um erro.
No s ela entrou para todas as univercidades impossveis-de-entrar em que se inscreveu,
como j conseguiu que todos os caras em cada uma das faculdades fizessem fila para falar
com ela.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu soube que rolou um escndalo total de falsificao. Tipo voc pode pagar algum para
fazer para voc cartas de aceitao totalmente convincentes para, tipo assim, Princeton, ou
outras qualquer, e no h nada que as universidades possam fazer porque elas parecem
mesmo reais.
- wiz

R: Caro wiz,
Hoje em dia a gente pode comprar qualquer coisa, mas se voc no fosse um bom aluno
para entrar por mrito prprio em uma faculdade to difcil como a Princeton, ia mesmo
querer falsificar? Quer dizer, no fim das contas ia acabar tendo de ralar!
- GG

Flagra

Saca s essa: S e o cara nerd-mas-gracinha de culos de Harvard se alimentando com
batata frita em um dos refeitrios de Harvard. Ela  bem direta em seus critrios de escolha
da universidade. Rapazes bonitos , OK. Fritas decentes, OK. B indo com as novas colegas
de quarto a um bar de karaok em Georgetown. Ela realmente est tendo um colapso
vernoso! N fazendo uns exerccios particulares com a loura pernuda que treina o time de
lacrosse de Yale. Cutuca, cutuca. Como se ele j no tivesse segredos suficientes de B. A
baixinha J naquela loja de suti meio sinistra no Village onde eles do uma olhada em voc
e dizem que seu tamanho  totalmente diferente do que voc pensa. No caso dela,  52! V e
D em Williamsburg, comprando comida juntos. Na verdade, estavam brigando para
decidir se levariam espaguete ou uma massa mais interessante - , j esto mesmo casados.

Enquanto isso, de volta ao que interessa, ando pensando em vestir um moleton e fingir ser
treinadora de lacrosse. Quem sabe eu tenho sorte?

Sejam bonzinhos. Vocs sabem que eu no sou.

Para voc que me ama,
gossip girl
Trinta segundos de amor verdadeiro

Serena pegou o rosto de Drew nas mos e soprou vapor nas lentes dos culos. Depois tirou
o vapor com a ponta de seu nariz perfeito.
- Promete que vai a Nova York?
Ela passou a tarde toda sentada ao lado de Drew no fosso da orquestra durante o ensaio. O
regente at a deixara tocar os tmpanos e os sinos!  claro que ela mal teve tempo para ver
Drew tocar xilofone. O modo como ele fechava os olhos, franzia os lbios e batia os ps
enquanto tocava estava alem do adorvel. Depois do ensaio, ele comprou para ela um
capuccino na cafeteria e eles comearam a dividir um brownie. Mas na hora Serena estava
to encantada que teve de arrastar Drew de volta ao quarto dele no alojamento para uma
aula particular de xilofone.
Sei, sei.
No que ela o tenha livrado da cala elegantemente vincada J. Crew  ele no era esse tipo
de cara , mas ele definitivamente sabia beijar. Agora eles estavam deitados entrelaados
na cama estreita dele, as roupas amarrotadas e os cabelos embaraados. Serena queria ficar
daquele jeito pelo resto do fim de semana; infelizmente, ela precisava ir.
- E a, acha que vai decidir vir para c no outono?
- Com toda certeza  disse Serena a meia-voz. Ela aninhou a cabea no peito dele.  No
sei como vou agentar at la sem voc.
S faltavam duas semanas para Drew terminar o segundo ano. Depois ia passar o vero em
Moambique para estudar percusso.
Drew beijou o cabelo dela.
- Vou l te visitar antes de ir, e vou escrever todo dia enquanto estiver fora.
Ai.
Serena fechou os olhos e o beijou por um longo tempo. Era hora de jantar e o alojamento
estava silencioso. Depois, de repente, vozes ressoaram no corredor  medida que as pessoas
voltavam a seus quartos para fazer o que todo mundo faz depois do jantar na universidade 
estudar, paquerar a gostosona no corredor, fingir que est estudando, fazer cosmos, jogar
strip poker, pedir pizza.
A porta se abriu e Drew se afastou de Serena.
Um rapaz ruivo de bon de beisebol e short de basquete preto parou na soleira da porta.
- Oi. Qu que ta pegando?  disse ele com um forte sotaque de Massachusetts.
- Wade, Serena. Serena, meu colega de quarto, Wade. Serena  de Nova York. Ela est indo
para a Brown  explicou Drew parecendo aturdido.
Serena se sentou e limpou a boca.
- S parou para dar uma olhada em Harvard  observou Wade num tom de zombaria. 
Parece que achou legal.
Serena ficou ainda mais vermelha. Ela pos os ps no cho e calou os sapatos Calvin Klein
de camura marrom.
-  melhor eu ir. Meu motorista est esperando h uma hora.
- Eu te acompanho  ofereceu-se Drew. Assim que saram do quarto e desceram o corredor
para as portas de sada, Drew deu um pequeno aperto na mo de Serena.
- Nos ltimos dois anos Wade tem me enchido o saco por no ter namorada. Acho que ele
no esperava me ver com algum to...  Sua voz falhou e ele mordeu o lbio, como se
estivesse constrangido pelo fluxo de adjetivos que estava prestes a sair de sua boca.
Gostosa de dar gua na boca? Magnificamente esplendida? Soberbamente suculenta?
Mulher?
Serena sorriu para Drew enquanto ele mantinha a porta aberta para ela, as bochechas
rosadas com o jato de amor. Drew no precisava terminar a frase. Ela sabia como ele se
sentia, porque ela sentia exatamente a mesma coisa com relao a ele.
Um sed Lincoln cinza estava esperando na base da escada, pronto para tir-la de
Providence. Ela passou os braos no pescoo de Drew, apertou o rosto no dele e inalou
numa tentativa de absorver o mximo possvel dele.
- Eu te amo  sussurrou Serena no ouvido dele antes de se afastar e correr pela escada at o
carro.
Drew ergueu a mo para da adeus e o carro arrancou, deixando Serena sorrindo e chorando
e mais feliz do que se sentira h muito tempo. Pelo tempo que demorou para descobrir o
verdadeiro amor.
Um amor que ia durar no mximo uns trinta segundos.

B aprende uma coisinha na faculdade

- T legal, quer ouvir uma coisa totalmente grossa?  Forest, uma das colegas de quarto de
Rebecca na Georgetown, perguntou ao grupo.
Blair estava sentada  mesa redonda com Rebecca e as trs colegas de quarto ao fundo do
Moni Moni, um bar de karaok brega de Georgetown. Um nibus de turiso cheio de
hngaros com cara de nerd e moletom monopolizou o aparelho de karaok, dando tudo de
si em Staying alive, dos Bee Gees. Blair e as outras meninas bebiam coquetis geladssimos
e verdes sabor kiwi chamados Kiwi, o Homem da Neve, enquanto fingiam no perceber
como era irritante a suposta musica. As bebidas eram ridiculamente fortes e elas estavam
tendo problemas para elaborar as frases.
- Tenho certeza de que vai nos contar, mesmo que a ente no queira saber  respondeu
Gaynor, que tinha cabelos pretos com mechas louras e um nariz que era to achatado que
Blair podia ver direto por dentro.
No que ela realmente estivesse olhando.
- Vai contar ou no?  gemeu Rebecca.
- T legal  disse Forest lentamente. Ela acendeu um cigarro e fez uma pausa dramtica.
Forest era coreano-americana e tinha um cabelo pintado de louro que teria ficado muito
melhor se ela deixasse ser castanho.
No que Blair ligasse o suficiente para dizer alguma coisa.
- Ento vocs sabem como Georgetown deve ser totalmente de amor fraternal e no tem
fraternidades e nada deve ser competitivo, n? Bem, eu acabei de descobrir uma
fraternidade clandestina de lacrosse que, para a iniciao, os caras mais velhos fazem os
mais novos comerem um biscoito com o prprio esperma.  tipo um ritual. E se voc, tipo
assim, no comer o biscoito, no entra no time.
Todas fizeram careta, inclusive Blair. As vezes os meninos eram to... nojentos. Menos
Nate, que nunca faria nada nem remotamente to revoltante.
- Voc  de Nova York?  sibilou Fran, que tinha s um metro e meio, pesava uns 35 quilos
e falava aos sussurros. Sua pele era to transparente que Blair pensou que realmente podia
ver o Kiwi, o Homem de Neve, bombeando pelas veias dela.  S fui l uma vez. Peguei
uma intoxicao alimentar num restaurante de sushi e passei a semana toda vomitando.
- Como se voc j no vomitasse bastante  sacaneou Forest, sugerindo que o tamanho
diminuto de Fran era auto-imposto.
- Conhece um cara chamado Chuck Bass?  perguntou Gaynor a Blair.
Blair assentiu. Todo mundo conhecia Chuck, quer gostasse ou no.
-  verdade que ele no entrou pra lugar nenhum?  perguntou Rebecca, esmagando o gelo
entre os dentes ligeiramente projetados para fora.
- Esse ai  um perigo  disse Forest, sem um pingo de simpatia.
Blair bebeu o drinque em silencio. Como Georgetown estava ficando cada vez menos
atraente e basicamente no tinha alternativas, ela quase podia se solidarizar com Chuck.
- Conhece Jssica Ward?  perguntou Rebecca.  Ela veio aqui por um perodo e depois foi
transferida para a Universidade de Boston.
Blair sacudiu a cabea. No conhecia Jssica, mas podia entender por que pediu
transferncia.
- Voc conhece Kati Farkas?  perguntou Fran.  Fomos para o acampamento juntas.
Blair assentiu, fatigada. O jogo estava ficando cansativo.
- Ela  da minha turma da Constance.
- E Nate Archibald?  perguntou Gaynor. Ela cutucou o brao de Forest e ergueu as
sobrancelhas sugestivamente.  Lembra dele?
Forest a cutucou tambm.
- Cala a boca  rebateu ela, parecendo ao mesmo tempo irritada e triste.
Blair se eriou.
- O que tem ele?
- Ele veio aqui uma vez. E, fala serio, era o maior chapado que eu j vi. Mas eu soube que
ele foi recrutado para o lacrosse em todas as melhores universidades, at Yale. No acho
que ele tenha se incomodado de se inscrever para c. Ele no precisa disso.
- Nate Archibald  repetiu Fran.  todas ficamos apaixonadas por ele.  Ela riu
rispidamente.  Especialmente Forest.
- Cala a boca!  rebateu Forest de novo.
O estomago de Blair se revirou. Agora os hngaros estavam assassinando Eminem. Na, na,
na, na, na. Na, na, na, na, na, cantavam o rap deu uma forma exasperante. Ela empurrou a
bebida.
- Nate entrou para Yale? Mas que cascata  disse ela, quase para si mesma. Mas, quando se
tratava de Nate, ela nunca sabia no que acreditar.
- Por que a gente ia mentir pra voc? A gente nem te conhece.  respondeu Gaynor feito
uma cretina.
Blair a encarou por um momento e depois se curvou para pegar a bolsa debaixo da mesa.
- Volto j  anunciou ela e em seguida cambaleou at o banheiro.

N de namorador

Brigid tinha entrevistado Nate no outono anterior, ento j sabia que ele passava todo
vero, desde que nasceu, velejando no Maine. Por causa disso ela sups que ele gostava de
lagosta. E por que devia ser generosa com tudo do melhor para seduzi-lo a ir para a Brown,
ela o levou ao restaurante Citarella, onde havia reservado um lagosta gigante para dois, com
uma garrafa de Dom Prignon e uma cesta de pommes fritos.
- Fui criada no Maine  explicou ela, mexendo nas perolas.  Em Camdem. Toda a minha
famlia velejava e comia lagosta.
A verdade era que Nate achava lagosta uma coisa meio ridcula, tipo um personagem de
desenho animado que podia danar com o rabo, segurar um microfone na garra, cantar e
contar piadas e fazer as pessoas rirem. Certamente no era o tipo de comida que ele queria
quando estava com larica.
Quer dizer, basicamente o tempo todo.
-  isso.  Brigid completou a taa de champanhe, embora o garom tivesse acabado de
encher. Ela agora estava com um vestido laranja decotado e usava brilho labial reluzente e
maquiagem. O cabelo louro-avermelhado fora escovado pouco e ela estava ainda mais
bonita do que pela manha, no campo de lacrosse do parque. Ela mexia nervosa na haste da
taa.  mas chega de falar de mim. Voc, hmmmm...?  Ela mordeu o lbio.  Tem
namorada?
Nate remexeu a salada, lambuzando as folhas com queijo de cabra. Ele tinha certeza
absoluta de que o vestido decotado e o comportamento de paquera de Brigid estavam alem
de sua misso de lev-lo a se matricular na Brown. Ele suspeitava de que ela tivesse uma
queda por ele. Mas ela ainda era a entrevistadora da Brown ele queria causar uma boa
impresso.
- Hmmm. Mais ou menos  disse ele, hesitante.  Quer dizer, s vezes ficamos juntos e s
vezes no.
Ela pareceu gostar da resposta.
- Esto juntos agora?
Nate sempre preferia cerveja a champanhe, mas bebeu ao estilo de Blair. Em tese, ele e
Blair estavam juntos de novo, felizmente, ufa. Mas eles no tinham exatamente discutido os
termos da relao. Dar mole para funcionarias da admisso da Brown pode ser considerada
traio?
De repente o celular tocou e ele o pegou no bolso, xingando-se por ter esquecido de
desligar antes do jantar. Ele olhou para a telinha do telefone. Por falar no diabo...
A cabea de Nate estava meio tonta dos seis cachimbos de bagulho que tinha fumado na
casa de Anthony Avuldsen antes de sais. Falar com Blair podia trazer algum sentido a ele.
- Hmmmm, preciso atender essa  disse ele a Brigid.  Oi  disse ele ao telefone.
- Al  respondeu Blair com frieza  Antes que diga alguma coisa, tenho de te fazer uma
pergunta.
A voz dela estava entrecortada, como se ela estivesse tantando usar o menor numero de
silabas possvel. Nate entendeu que ela andara bebendo.
- T legal.
- Me fala a verdade. Voc se candidatou a Yale?
Ah, cara.
Nate pegou o champanhe e virou todo. Porra! Ele se xingou em silencio. Porra, porra,
porra. Definitivamente no havia resposta certa. Se dissesse sim, era um canalha e
mentiroso e se dissesse no, era um canalha mentiroso.
Brigid estava sorrindo para ele com expectativa, os lbios brilhantes, cheis de batom. Pelo
menos ele podia se consolar com o fato de que Blair estava em Georgetown, a quilmetros
de distancia, e ele estava jantando com a entrevistadora da Brown, louca para v-lo nu. Ele
decidiu contar a verdade.
- , eu me candidatei. E acho que entrei.
Blair fez um barulho estranho de gorgolejo, depois Nate ouviu o som distinto e conhecido
de Blair vomitando no banheiro.
- Vai se foder.  rosnou ela ao telefone antes de desligar.
Nate desligou o celular e ps no bolso. O garom tinha chegado com a lagosta.
- Cara, isso parece timo  disse Nate, a voz meio oca.
- Quer dividir a cauda?  perguntou Brigid, lidando com o crustceo fervente com uma
facilidade de especialista. Ela apontou para as garras de ao inox que o garom tinha
trazido.  Ou comeamos por uma pata?
O que Nate realmente queria era dar uns tapas e depois comer uma tigela de sorvete de
chocolate Breyers enquanto entrava em coma diante de Matrix, que ele j vira umas 18
vezes.
Brigid baixou a lagosta.
- Voc est bem?
Ele deu de ombros.
- Acho que a minha namorada acabou de terminar comigo de novo.
Os olhos verdes de Briged se arregalaram.
- Coitadinho.  Ela fez um gesto para o garom.  Pode levar isto?  ela empurrou a
cadeira.  Vamos. Vou te comprar uma cerveja e um cigarro.
Nate tentou dizer a si mesmo que, como Blair no estava ali para assassin-lo naquele
momento, ele praticamente estava seguro e devia curtir as prximas 24 horas antes de ela
voltar. Ele podia ficar com Brigid se quisesse.
A questo era que ele estava cheio de ficar sempre terminando com Blair quando os dois
sabiam que deviam ficar juntos pelo resto da vida. E, ao contrario de Blair, ele no ligava
para que universidade ia. Na verdade, para ele seria timo no ir a faculdade nenhum por
alguns anos. No que lhe dizia respeito, a nica maneira de se nivelar com Blair era
conseguir que revogassem a admisso a Brown e Yale. E que melhor maneira de fazer isso
do que agir como um babaca.
- Foda-se  disse Nate em voz baixa. Ele se levantou e ajudou Brigid com o casaco de brim
que estava pendurado nas costas da cadeira. Os dedos dele roaram no pescoo dela
enquanto ele puxava os cabelos de Brigid da Gola. Estavam muito prximos, e o hlito de
Brigid tinha cheiro de Hawaiin Punch.  O quanto a Brown me quer?  murmurou ele na
orelha dela.
Os olhos verdes de Brigid se arregalaram.
- Muito  sussurrou ela, meio insegura.
O garom deu a Nate um saco plstico com uma lagosta de 9 quilos embrulhada para a
viagem. Ele a largou na mesa e passou o brao na cintura de Brigid.
- Me mostra  disse Nate a ela asperamente, insatisfeito com o som da prpria voz.
Acho que ele no estava falando da lagosta.

S pega a estrada menos percorrida

S a meia hora de viagem de Providence, Serena pediu ao motorista que parasse num posto
de gasolina. A loja de convenincia era pequena e mal abastecida, mas ela comprou uma
Coca, uma barra de Twix e um jornal local para ter alguma coisa para fazer enquanto ficava
extasiada com Drew. Um rapaz estava parado ao lado das bombas, segurando uma placa
que dizia BROWN. Usava um jeans desbotado, uma bonita camisa listrada de azul e branco
e docksiders sem meias. Nas costas havia uma complicada mochila roxa e branca, do tipo
que as pessoas usam em caminhadas longas. O cabelo crespo e preto parecia limpo e ele
parecia bastante normal.
- Precisa de uma carona? - gritou ela.
O garoto girou a cabea.
- Eu?
Serena gostou de como os olhos castanhos dele se abriram, enormes.
- Consegui um motorista para nos levar l. Vamos - ofereceu ela.
O rapaz sorriu timidamente e a seguiu at o carro. Sentou-se ao lado da porta e ps a
mochila entre os dois. Uma bandeirinha italiana estava costurada nela. Serena bebeu a Coca
e fingiu ler o jornal. Depois o garoto pegou um bloco de desenho e um lpis na mochila e
comeou a rabiscar.
No comeo Serena achou que era um dever de casa ou uma carta, mas depois ela bocejou e
apoiou a cabea no encosto do banco, dando uma olhadinha no que o gartot estava
escrevendo. Para sua grande surpresa, ele a estava desenhando. As ms dela, para ser mais
exata.
- Posso ficar com ele depois que terminar? - perguntou ela.
O garoto deu um salto, como se pensasse que tinha sido realmente esquivo e misterioso
com o fato de que a estava desenhando. Ele fechou o bloco e enfiou o lpis atrs da orelha.
- Desculpe.
- Esta tudo bem. - Serena esticou os braos para cima e deixou as mos cairem no colo. -
Eu estou meio deslumbrada mesmo. Vai nessa. Continue desenhando.
Ele abriu o bloco de novo.
- No se importorta?
- No. - Afinal, era uma modelo profissional. Ela se sentou ereta e cruzou as mos da
mesma forma que estavam antes. - Assim est bom?
- Hmmmm - respondeu o rapaz, a cabea curvada sobre o trabalho. Ele tinha uma pele
azeitonada escura e cachos grossos de cabelo, e tinha um cheiro de hortel fresca.
Serena fechou os olhos, tentando se lembrar de como era o cabelo de Drew. Ela se
lembrava que o cabelo de Wade, o colega de quarto dela, era ruivo.
E o Drew era meio... louro-escuro? Castanho? Ela sinceramente no conseguia se lembrar.
Serena abriu os olhos de novo e olhou para o garoto. A nuca dele parecia macia e marrom.
Se tivssemos filhos, eles teriam um bronzeado de anos e cabelos castanho-alourados que
ficam to bonitos no sol, refletiu ela. Depois ela desviou os olhos, apavorada. Qual era o
problema dela? Nem sania o nome dele!
O garoto ergueu os olhos novamente.
- Voc vai para a Brown?
Serena continuou olhando a janela. Estava suja e ela podia ver o prprio reflexo. As
plpebras pretas era curvas e os olhos castanhos dele eram maravilhosamente suaves, como
os olhos do Bambi ou coisa ssim.
- Ainda no, mas posso ir no ano que vem.
Pera, ela no estava toda doida por Harvard s uns cinco segundos atrs?
- Espero que sim - disse ele baixinho antes de voltar a desenhar.
Serena no sabia o que estava dando nela, mas estava totalmente ligada. E se eu o agarrar e
o beijar?, perguntou-se ela. O motorista estava ouvindo um jogo de beisebol no rdio; nem
ia perceber.
- Sabe de uma coisa, voc daria um timo modelo artstico - disse o garoto. - Podia ficar
sentada nas aulas de desenho anatmico na Brown. O professor Kofke sempre est
procurando por bons modelos.
- Obrigada. Na verdade, j fiz alguma coisa como modelo - comeou Serena, mas depois se
calou por medo de parecer uma pirralha.
O garoto ps o lpis atrs da orelha, analisando o desenho.
- Eu nem me importo se a modelo  bonita ou no. Em geral s fao mos.
Serena espiou por sobre o ombro dele. Ele realmente tinha cheiro de hrtel.
- Voc fez minhas mos muito mais bonitas do que so. Olha s a unha do polegar: eu ro
toda! E este aqui... - Ela ergueu o dedo mnimo. - Minhas pobres cutculas!
Mas o rapaz no estava olhando. Ele abriu um bolso lateral da mochila, pegou uma folha de
papel e passou a ela.
Serena abriu a folha. Era um pedao retirado de uma revista.
- Abdome Mais Firme em Sete Dias. - Ela leu o ttulo.
- Do outro lado - disse o rapaz.
Ela virou o papel. No verso havia um anncio de Lgrimas de Serena. l estava ela,
chorando na neve no Central Park, usando um vestido amarelo.
- Seu nome  esse mesmo? Serena? - perguntou ele, olhando-a com olhos de Bambi.
- .
Ele pegou o papel de volta.
- Eu menti sobre fazer mos. Pensei que estivesse sonhando quando voc me pegou no
posto de gasolina. Eu pinto voc h dois meses. A partir desta foto. Ainda no terminei.
Est no ateli, l na Brown. - Ele dobrou o papel e o ps na mochila. Depois estendeu a
mo. - Meu nome  Christian.
Serena deixou a mo se demorar na dele. Pensou que ficaria assustada, mas em vez disso
ficou mais ligada que nunca.
- Voc se importaria de me mostrar um pouco quando a gente chegar l? - perguntou ela. -
Eu devia encontrar o meu irmo, mas j estou to atrasada que ele j deve estar num bar ou
coisa assim. - Erik no ia ligar se ela desse bolo nele. Irmos e irms sempre davam bolo
uns nos outros o tempo todo. Al disso, Christin tinha muito mais a oferecer do que uma
visita guiada.
 aposto que tinha mesmo.

b se une  irmandade exclusiva da georgetown

Os hngaros tinham ido embora, substitudos por ts mulheres com uniformes da segurana
do Museu Smithsonian cantando Whitney Houston. And IeeeeeIeeeI will always love you!
E vem me falar de sofrimento.
No momento em que desligou o celular, Blair foi para o bar e pediu uma jarra de margarita
cor-de-rosa de grapefruit para a mesa.
- Gente, vocs salvaram a minhavida - disse ela a Rebecca, Forest, Gaynor e Fran enquanto
baixava a jarra. Em resposta, as meninas balanaram a cabea, bbadas. Blair se sentou,
acendeu um cigarro, deu um trago e depois o passou a Rebecca.
- Estou to feliz por voc ser a guia, e no um man qualquer.
Rebecca passou o cigarro pela mesa e as meninas misturaram o brilho labial formando um
borro cor de ameixa no filtro.
- No ms passado a Forest estava levando um aluno em potencial... um cara. Eles foram
pegos pelo reitor de graduao praticamente transando na lavanderia. Ela foi demitida da
admisso.
- Cale a boca - gemeu Forest, mas estava sorrindo.
Blair tentou imaginar como teria sido sua visita se o guia fosse homem, mas, com a sorte
que sabia que tinha, ele seria um nerd total. Ela olhou para Forest, perguntando-se se talvez
devesse dizer uma coisa, que o cabelo tingido de louro parecia vagabundo e meio de puta e
que no admirava que o escritrio de admisso no a quisesse como guia. Mas, como
estava bbada feito um gamb, disse uma coisa totalmente diferente.
- E a, alguma de vocs ainda  virgem?
As quatro meninas riram e se chutaram por baixo da mesa. Blair acendeu outro cigarro,
sentindo-se um tanto irritada por ter chegado ao ponto de admitir que era virgem dinte de
quatro bregas to patentes.
- No precisam me contar, se no quiserem.
Rebecca piscou os olhos de bbada, tentando se recompor.
- Na verdade, todas ns somos. Olha, fizemos um pacto. - Ela olhou para as amigas na
mesa. - Georgetown no tem fraternidades, mas a gente meio que criou uma. Chamados de
a irmandade do celibato.
Blair arregalou os olhos. Estava prestes a ser doutrinada em uma espcie de culto 
virgindade e estava to bbada, triste e vulnervel que parecia mesmo uma boa idia.
- A gente no , tipo assim, contra namorar nem nada disso. Deus me livre. Todas ns
fazemos tudo, menos ir at o fim - esclareceu Gaynor. Ela coou o nariz arrebitado.
- Estamos nos guardando para o casamento.
- Ou pelo menos para o verdadeiro amor - esclareceu Fran. - Eu nunca vou me casar.
- Os pais de Fran se casaram e se divorciaram trs vezes cada um - observou Rebecca.
Blair apagou o cigarro. Nate que se foda. Yale que se foda. De repente ela no queria nada
a no ser brindar a essa pequena irmandade.
- Eu tambm - admitiu ela. - Quer dizer, tambm sou virgem.
As quatro meninas a encararam surpresas, como se no pudessem acreditar que uma garota
sofisticada de Nova York como Blair no tivesse experincia nenhuma com sexo.
- Voc tem de se juntar a ns totalmente - dise Fran no caracterstico sussurro spero e
intenso. - E, quando vier para c, vamos ficar todas juntas. No s at a formatura, mas para
sempre!
Blari ps os cotovelos na mesa e se inclinou para a frente, pronta para a ao
- O que  que eu tenho de fazer?
As quatro meninas riram de um jeito leviano, como se simplesmente adorassem os ritos de
iniciao.
- Sou o membro mais novo - explicou Forest
- Antes, o cabelo dela era quase preto - acrescentou Gaynor.
- Primeiro voc tem de deixar a gente raspar suas pernas - dise Fran.
- E depois vamos descolorir seu cabelo - acrescentou Rebecca.
E elas tinham problemas com toda a histria de esperma-no-biscoito?
Blair se endireitou na cadeira. sua vida estava uma merda e, alm disso, ela sempre quis
saber como ficaria loura. Ela pegou a bebida e virou na garganta, batendo o copo na mesa
quando terminou.
- Estou pronta - disse s novas irms.
- Oooobaaaa! - gritaram as meninas em coro e viraram elas mesmas outra rodada.
- Se eu no comer alguma coisa logo - murmurou Rebecca -, vou apagar.
- Eu tambm - concordaram as outras meninas.
- Vamos comprar numa loja antes que feche - acrescentou Rebecca. - Podemos pegar uns
lanches combinados ou coisa assim.
Nhammm... De repente elas at conseguem uns torresminhos!
Blair pegou a bolsa e se levantou, trmula.
- A ltima a chgar no txi  uma piranha bbada e virgem.
As cinco meninas deram-se os braos e cambalearam para a noite.
Pergunta: Mesmo que fossem suas melhores amigas, voc deixaria que quatro piranhas
bbadas e virgens raspassem suas pernas e tingisse seu cabelo?

dois  companhia, trs  multido

- Isso  incrvel! - Dan entusiasmou-se enquanto via o espaguete fervendo na panela. Ele
olhou para Vanessa, que estava em p ao lado dele, fatiando cebolas em uma tbua de corte
equilibrada na pia. Lgrimas de cebola rolavam pelo rosto dela. Ele lhe deu um beijo
molhado na bochecha. - Olha s a gente.
Vanessa riu e o beijou tambm. Na verdade, todo esse negocio de morar junto era divertido.
Ruby tinha partido cedo naquela manh e, com uma corrida de txi cheio de coisas, Dan se
mudara. Eles passaram a tarde na mercearia e compraram coisinhas idiotas para o
apartamento, como ms de geladeira, lenis pretos com VNIS em verde non. Agora
estavam cozinhando a primeira refeio juntos como casal.
Se  que se pode chamar espaguete com cebola e molho pronto de cozinhar.
Dan passou as mos por baixo das saias da Vanessa e apagou o fogo com a outra. O jantar
podia esperar. De rosto colado, eles saram tropeando da rea aberta da cozinha para a
sala, onde caram no futon de Ruby, que agora era o sof da sala. Ainda tinha cheiro de
Poison da Christian Dior e daquele ch de alcauz que Ruby estava sempre tomando, mas
agora era todo deles e os dois podiam transar nele sempre que quisessem.
- O que vamos fazer na segunda, quando ns dois no vamos querer ir na escola? -
perguntou-se Vanessa em voz alta enquanto Dan descia por seu brao aos beijos.
As mos dela estavam com cheiro de cebola.
- Matar aula? A gente no precisa se preocupar em entrar para a faculdade - disse Dan.
Ela tirou o cinto da cala dele e bateu no traseiro de Dan.
- Que menino rebelde. Lembra do que o seu pai disse? Se suas notas carem, vai ter de
voltar para l.
- Ei, isso  bom - brincou Dan.
- Ah, ? - Vanessa riu, chicoteando-o com o cinto, desta vez um pouco mais forte.
E ento algum espirrou.
Dan e Vanessa se separaram, assustados. Uma garota estava de p na soleira da porta.
Cabelo roxo e preto. Short preto. Camiseta preta rasgada Ozzfest. Meias pretas at o joelho.
All Star preto cano longo. Tarzia uma espcie de picareta e uma mochila do exrcito.
- Posso me juntar a vocs? - Ela chutou a porta atrs de si. - Meu nome  Tiphany. Ruby
no disse que eu ia ficar aqui?
Ruby no tinha dito nada sobre uma amiga que ia ficar, mas Ruby no era o ser humano
mais organizado do planeta.
Vanessa se afastou de Dan num puxo.
- Ruby foi para a Alemanha hoje. - Depois ela percebeu que Tiphany tinha entrado sozinha.
- Ela te deu a chave?
- Eu j morei aqui - explicou Tiphany.- Sua irm e eu fomos colegas de apartamento por
um tempinho. - Ela entrou e largou as coisas em cima do futon onde eles estavam sentados.
Depois ele se curvou e abriu a mochila. Uma cabecinha com olhos de conta e bigodes saiu
dali. Tiphany pegou a criatura e aninhou como se fosse um beb.
Dan ficou lvido. Parecia um rato.
- O que  isso? - perguntou Vanessa, intrigada. Ruby nunca falou de ningum chamado
Tiphany, mas Ruby morou sozinha em Williamsburg um ano inteiro antes dos pais
deixarem que Vanessa viesse de Vermont para morar com ela. Muita coisa deve ter
acontecido naquele ano e Vanessa nem estava sabendo.
- Este  o Tooter.  um furo. Ele tem uns problemas de gases e meio que gosta de roer
livros. Mas ele dorme todo enroscado do meu lado toda noite e  feito uma boneca. - Ela
ergueu a criatura para Vanessa. - Quer segurar?
Vanessa estendeu a mo para o animal esqueltico e o segurou nos braos. O furo olhou
para ela com os olhos de conta marrom.
- No  uma gracinha? - perguntou ela, e sorriu para Dan. Ter hspedes fazia com que ela
se sentisse ainda mais casada com Dan, e Tiphany parecia mais legal e mais interessante do
que qualquer pessoa da escola dela, disso Vanessa tinha certeza.
Dan no retribuiu o sorriso. Estava no auge da mera felicidade desde que abriu as cartas de
aceitao das universidades . ia para a faculdade tinha voltado com Vanessa. Eles estavam
morando juntos. Tudo estava tranqilo e bom. Tiphany no fazia parte da equao.
- Pra que serve isso? - perguntou Vanessa, apontando para a picareta.
Tiphany pegou-a e a balanou no ar algumas vezes. Depois apoio-a na parede.
- Trabalho. Estou no ramo da construo civil. Demolio, principalmente. Peguei um
projeto grande l pelo Brooklyn Navy Yard e eu meio que fiquei sem teto no momento.
Ento foi muito legal da parte de Ruby me deixar ficar aqui.
Vanessa se virou para Dan.
- O macarro - disse ele com urgncia.
Dan se levantou e foi para a cozinha. Ele abriu o vidro de molho pronto, despejou o
contedo e as cebolas em uma frigideira e acendeu o fogo maximo.Depois despejou a
panela fervente de macarro no escorredor da pia. Pegou trs tigelas no armrio.
- Acho que quem quiser comer, pode comer - gritou ele.
- Estou cheia de fome. Ah, e tenho um presentinho pra gente. - Tiphany vasculhou e pegou
uma garrafa pela metade de Jack Daniels. Ps um pouco do usque na tampa da garrafa e
estendeu para Tooter. - D plo no peito dele - disse ela a Vanessa, e tomou um gole da
garrafa.
Vanessa passou a ela o furo e foi ajudar Dan a encontrar os talheres.
- Tudo bem?- sussurou ela.
Dan no respondeu. Colocou uma colher de caf instantneo em uma caneca e misturou
com gua quente da torneira. Tiphany colocou Tooter no cho e o furo disparou para uma
pilha de livros de poesia de Dan e comeou a mordiscar.
- No! - gritou Dan, atirando a colher no pequeno roedor.
- A, no grita com ele! - gritou Tiphany, pegando Tooter novamente e segurando-o junto
ao peito - Ele  s um beb.
Vanessa ofereceu-lhe uma tigela de espaguete.
- Dan  poeta - disse ela, como se isso explicasse tudo.
- D pra perceber - tornou Tiphany sem o menor sinal de amargura. Ela pegou a tigela e
levou para o futon para comer. Tooter ficou ao lado dela, balanando as patas na borda da
tigela, e comeou a chupar o macarro ruidosamente.
De repende todo o apartamento se encheu de um fedor de ovo podre, leite azedo e enxofre
queimado. Tiphany cobriu a boca com a mo.
- Opa! Tooter apitou!
Que coisa mais empata-foda.
- Meu deus. - Dan pegou um pano de prato e o apertou no nariz e na boca.
-Ah, qual  - sussurou Vanessa com os dedos fechando o nariz - No  to ruim. Ela  legal.
Dan a encarou sobre o pano de prato. Ele podia se sentir desabando do topo em que estava
a uma velocidade alarmante e estava decepcionado consigo mesmo por ficar to irritado
com uma garota que na verdade parecia perfeitamente legal, daquele jeito bobinho de quem
adora fures.
Ele atirou o pano de prato para o lado, serviu-se de um pouco de espaguete e foi para a
outra ponta do futon.
- E a - comeou ele, decidindo fazer um esforo - ,qual  a sua faculdade?
Tiphany riu e enrolou espaguete no garfo.
- A escola da vida - respondeu ela alegremente.
- Legal - respondeu Vanessa. - Quero te entrevistar para o meu filme.
- Legal - concordou Dan com um pouco de entusiasmo demais.
Talvez no seja to legal assim.

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

DE ONDE SOMOS?

J se perguntou como seria a vida se voc fosse para uma escola diferente de uma cidade
diferente e tivesse um grupo de amigos totalmente diferente? Provavelmente voc seria
completamente diferente do que  agora; ia falar diferente, se vestir diferente. Voc ia fazer
atividades diferentes depois da aula, ouvir musica diferente. Bem,  exatamente o que est
acontecendo com esse negocio de pra-que-universidade-eu-devo-ir?.  claro que seus pais e
professores lhe diro que no importa aonde voc v, e sim o que voc fizer. Tenho certeza
de que isso  verdade em parte. Mas se eu no me adaptar a uma certa faculdade porque
todo mundo usa jeans Seven em vez de Blue Cults ou acha que  pretensioso carregar seu
filhote de poodle caramelo para toda parte numa trela da Burberry, eu quero saber agora.

No que o jeans ou o cachorro faam uma mulher. Bom... na verdade, eles meio que fazem
sim.

O bom nessa historia todo  que se um de ns tiver dado ou estiver a ponto de dar alguma
mancada do tipo altera-status, vamos pintar a tela em branco da faculdade com o que
reinventarmos de ns mesmos. E que parece que alguns aqui estaro se reinventando muito.
Lembra daquele cara que no entrou pra lugar nenhum? O pai deve teve a brilhante idia de
que o lugar perfeito pra ele era a academia militar. Mais quatro anos de uniforme. Sem
Prada. A cabea quase raspada. E sem monogramas!

Seu e-mail
P: Cara GG,
Vou para Georgetown e tenho certeza absoluta de que vi aquela garota, a B, de que voc
sempre fala, andando com aquelas bregas num bar de karaok brega onde s vai gente
brega, e ela estava se divertindo pra caramba. Elas estavam totalmente de porre e voltaram
para o campus com um cara de Lexus que parecia seboso.
- dia

R: Cara dia,
Estou detectando cimes no seu tom? O que essas supostas bregas tm a ver com voc?
Acho timo que B esteja ampliando os horizontes e fazendo novas amigas.
- GG

P: Prezada GG,
Achei que N j estivesse nas faculdades da Ivy League, mas acho que vi ele e a mulher que
me entrevistou na Brown naquele restaurante aonde eu fui com os meus pais, e meio que
parecia que eles estavam a ponto de ir pra cama.
Qual  a dele?
- celeste

R: Cara celeste,
Boa pergunta. Talvez ele esteja preocupado que a Brown mude de idia. Ou talvez ele s
esteja cansado de levar tanto fora de voc-sabe-quem!
- GG


Flagra

J com um personal shopper na Bloomingdale`s tomando mais conselhos sobre lingerie.
Pelo menos ela finalmente est procurando ajuda profissional  graas a Deus! N e a
funcionria de admisso da Brown pegando o elevador juntos no Warwick New York
Hotel. Deixe-me adivinhar: ela queria fazer uma segunda entrevista. B e quatro louras
bbadas em um Walgreens de Georgetown comprando barbeadores descartveis e tintura
de cabelo loura. S deitada no telhado do ateli na Brown contando estrelas com um sujeito
latino. Cara, a fila dessa garota anda pra caramba! D, V e uma garota mais velha de cabelo
roxo e preto que levava um furo em uma cafeteria de Williamsburg, tomando expresso.
Parece que D se adaptou bem aos moradores de l.

Tenho a sensao de que ser uma noite longa e srdida  do tipo bem incomum. Beba
montes de Red Bull e Gatorade de manha e na segunda voc ficara jovem e novo. Mal
posso esperar para saber de tudo!

Pra voc que me ama,
gossip girl

a manh seguinte
- Acho que  bom que eu j esteja na Brown, n ? - disse Nate, todo convencido.
Ele acendeu um baseado que tinha acabado de apertar, deu um tapa e passou para Brigid.
Depois se levantou se levantou e puxou a cala cqui para cima antes de ir at a janela. O
quarto de Brigid no Warwick New York Hotel dava para um duto de ventilao. O quarto
era bom, para quem gosta de padronagem floral e carpete marrom, mas no era exatamente
o Plaza.
- No servem caf no quarto nesta espelunca? - perguntou ele.
Brigid estava sentada na cama, nua, com as coberturas frouxamente dobradas pelo o corpo.
- Tem um restaurante l embaixo, mas eles cobram umas cinco pratas por uma xcara de
ch.
Nate girou nos calcanhares.
- E da? - Ele queria que ela sentisse que a noite toda fora um equvoco. Que aceita-lo na
Brown tinha sido um erro.
Ela balanou o baseado na borda de um cinzeiro de vidro.
- Sabe de uma coisa, em geral eu no fao isso - disse ela, os olhos azul-esverdeados
dardejando para cima e para baixo do corpo dele como se tentasse ler Nate.
Nate abriu o armrio de madeira do outro lado da cama e ligou a Tv. Comeou a ver um
debate esportivo na MSNBC, ignorando-a de propsito.
- Eu gosto de voc. Voc sabe disso, no ? - perguntou Brigid, os olhos queimando
buracos nas costas dele. - Fizemos isso porque gostamos genuinamente um do outro?
Nate no respondeu.
Brigid puxou as cobertas at o queixo.
- No vai dizer nada a Brown sobre isso, vai?
Ele desligou a TV e atirou o controle remoto na cama. Brigid agora parecia preocupada, e
era exatamente isso o que ele queria.
- Talvez sim - respondeu ele. - Talvez no
Ela mordeu o lbio. O cabelo louro-avermelhado apontava para todo lado.
- Sua admisso ser retirada- alertou ela.
Perfeito. Nate enfiou os ps nos sapatos e vestiu a camiseta meio desabotoada pela cabea.
- Eu posso ser demitida.
Ele pegou o baseado do cinzeiro e fumou.
Ele pegou o baseado do cinzeiro e fumou.
- Tenho de ir - sibilou ele, segurando o trago. Tinha um brunch com a treinadora de Yale
dali a uma hora, e queria ficar bem e chapado primeiro. Ele apagouo baseado entre os dedos
e o enfiou no bolso. - Talvez a egnte devesse ter trazido a lagosta - disse ele a Brigid,
enfiando a camisa na cala.
Ela abriu a boca e depois fechou novamente. Os olhos dela estavam com a borda vermelha,
co se tivesse a ponto de chorar.
-  isso?
-  isso - disse Nate, e depois girou e saiu rapidamente.
Tchauzinho!
No corredor ele apertou o boto do elevador e esperou com a testa apoiada na parede. Ele
nunca foi to desagradvel com ningum - pelo menso, no de propsito -, e se sentiu
pssimo com isso. Ainda assim, fez tudo por Blair, e ele no ia memso seguir em frente e
conseguir a demisso de brigid. S oq eu qeuria era uma carta da Brown dizendo que ele,
no fim das contas, no ia ra l.
E depois dessa pequena performance, ele provavelmente ia conseguir.
A manh seguinte, parte II

- No sei bem  disse ela delicadamente.  Eu devia ir para Yale agora.  Ela fechou os
olhos.  Este fim de semana t uma doidera.
- E no acabou ainda, gata.  Erik bocejou.  Nem acredito que ainda estou acordado. So
s nove horas da manh de sbado, pelo amor de Deus! Mas, a, vou te mandar um carro.
Ele vai te pegar na estrada  direita do estacionamento da. E nada de pegar outros
desconhecidos em postos de gasolina. Divirta-se em Yale hoje, embora seja melhor vir para
a Brown para a gente poder sair. A gente se fala depois. Voc sabe que me ama. Tchau! 
tagarelou ele disparatadamente antes de desligar.
- Onde  que voc est afinal, porra?  Erik.
- Shhhhh  sussurrou Serena ao telefone.  Estou no prdio de belas-artes. Em um ateli de
pintura.  ela olhou para Christian. Estava deitado no cho ao lado dela, dormindo em cima
de um pedao de tela intacto. Havia tinta verde no cabelo dele.  A gente dormiu aqui.
- Ah, dormiram, ?  respondeu Erik num tom de zombaria.  Nem acredito que voc est
aqui e eu ainda nem te vi.  gemeu ele, fingindo estar magoado, quando Serena sabia que
ele provavelmente ficara acordado a noite toda na balada e no queria outra coisa a no ser
voltar a dormir.  E ai, esta apaixonada ou o qu?
Serena sorriu. Os olhos castanhos de pestanas grandes de Christian estavam fechados e sua
boca macia estava relaxada.
Ele parecia um beb dormindo.
Serena desligou, perguntando-se se devia acordar Christian ou deix-lo dormir. Um bigode
de suco de lima tinha secado no lbio superior dele, dos coquetis brasileiros que ele fizera
para ela na noite anterior, e havia manchinhas de tinta verde em toda a sua pele azeitonada.
Ela tambm estava meio suja da tinta e amarrotada, mas Serena era o tipo de garota que
podia dormir no cho de um ateli a noite toda, acordar, sacudir as rugas do jeans, passar os
dedos nos cabelos, passar um pouco de ChapStick sabor cereja na boca e voil  deusa
instantnea.
A luz do sol entrava pelas janelas altas de madeiras do ateli. De onde estava, os prdios de
tijolinhos vermelhos do campus da Brown pareciam serenos e sonolentos, quase como uma
cidade fantasma. Depois um grupo de alunos andou pelo caminho diretamente na frente da
janela, usando calas de moletom velhas e levando canecas de caf enormes para a viagem.
Serena afastou-se de Christian e calou os sapatos Calvin Klein marrons. Encostada na
parede do outro lado do ateli estava a cpia em tamanho natural recm-acabado que
Christian fez do anuncio do Lagrimas de Serena. Era difcil entender por que ele usou tanto
verde, porque a propaganda era uma foto de um dia de neve em fevereiro, mas, mesmo com
todo aquele verde, a pintura era atordoante. E estranha. Christian tinha desenvolvido uma
tcnica em que usava s uma linha para completar a imagem. Na pintura, os traos do rosto
de Serena estavam todos ligados. Seus olhos ligavam-se ao nariz, que se ligava  boca, que
se ligava ao queixo, s bochechas, s orelhas, ao cabelo. Meio que fazia com que ela
parecesse uma coisa sada de Shrek, especialmente com todo aquele verde, mas ainda era
bonito, de seu jeito peculiar.
Ela pegou o tubo de brilho labial Chanel na bolsa, encontrou uma folha de papel no cho e
escreveu Gosto do verde em estocados cor-de-rosa. Venha me ver em NY. Com amor, S.
depois empurrou a folha de papel para Christian, pegou a bolsa e saiu na ponta dos ps pela
porta.
- Au Revoir  sussurrou ela, virando-se para soprar um beijo ao rapaz que dormia. Ela
hesitou. No era indelicado sair sem sequer dizer adeus? No quando eles no fizeram nada
alm de se beijar e dormir nos braos um do outro. Alm disso, o bilhete era bem
romntico.
Um carro buzinou e Christian se mexeu. Serena saiu furtivamente pela porta e desceu a
escada. Jamais gostou de despedida e, se Christian acordasse, nunca ia chegar a Yale.
- Te amo  sussurrou ela enquanto saia do prdio. Ela conhecia bem o campus da Brown,
das visitas que fez a Erik, e encontraria o caminho para o estacionamento. Ignorando a
calada pavimentada, ela desceu a ladeira gramada, os sapatos molhados de orvalho e as
pernas da cala cobertas de grama recm-cortada, esperando por ela, e de repente Serena
teve uma sensao ruim de dej vu. Foi somente ontem que Drew se despedira dela com
um beijo no alto da escada de seu alojamento em Harvard, enquanto o carro esperava para
lev-la para Brown? Foi s ontem que ela disse eu te amo a outro cara?
,  isso mesmo. Ontem.
O motorista abriu a porta do carro e ela entrou.
- Eu amo voc tambm  sussurrou ela para Drew como quem se desculpa, embora ele no
estivesse ali. Um fim de semana visitando universidades devia ajudar a esclarecer as coisas,
mas Serena se sentia mais confusa do que nunca. Como conseguiria se concentrar na
faculdade quando a faculdade estava cheio de rapazes s esperando que ela se apaixonasse
por eles?
Sempre havia a Dorna B. Rae College for Womem em Bryn Mawr, na Pensilvnia. Eles
ainda esto aceitando inscries.

a manh seguinte, parte 3

- Pra curar a ressaca, minha irm.
Blair abriu um olho e viu Rebecca parada diante dela, brandindo um enorme Bloody Mary,
completo, com aipo, rodela de limo e um misturador de coquetel em flamingo rosa. O
cabelo louro tingido de Rebecca estava recm pintado e ela usava um moletom felpudo cor-
de-rosa Juicy Couture e delineador azul eltrico nos olhos.
Curar ressaca. Era exatamente como Bair se sentia - suja e embolada de ressaca. Ela tentou
se sentar e depois caiu no colcho inflvel de novo, gemendo. O couro cabeludo pinicava.
As pernas ardiam. Ela estava com um cheiro estranho. O que havia de errado com ela?
Sem comentrios
- Juro por Deus que voc vai sentir melhor depois de beber isso. - Rebecca se ajoelhou e
aninhou a cabea de Blair, como um me que oferece um caldo quente a uma filha doente. -
 nossa receita secreta.
Mas que coisa tranqilizadora.
Blair se sentou, estremecendo enquanto tomava a bebida grossa e vermelha. Tinha gosto de
vodca com batata frita sabor churrasco.
Eca!
- Seu cabelo vai ficar muito melhor depois que as razes comearem a crescer - disse
Rebecca a ela. - E de repente voc tambm vai querer tingir as sobrancelhas, para
combinar.
Blair tinha se esquecido do cabelo. Ela sabia que agora era loura, ou pelo menos alguma
coisa parecida com loura, mas no conseguia suportar olhar at que estivesse emc asa ao
alcance de toda linha Elizabeth Aren Red Door Salon. Rebecca teria de emprestar um
chapu a ela.
O quarto das meninas tinha duas camas beliche, uma perpendicular a outra para que as
quarto amigas pudessem conversar e rir a noite. As camas estavam vazias
- Onde esto as outras? - gransou Blair. Parecia que sua boca tinha sido regada de esmalte
de unha.
- Comprando bagels. - Rebecca puxou o cabelo para trs num rabo-decavalo apertado. -
Toda segunda comemos bagels e conversamos sobre os caras que podamos ter dormido
com a gente na noite anterior mas no dormiram.
Que diverso maravilhosa.
Blair estava meio de ressaca demais para discutir sobre bagels ou homens.
- Tenho de ir para casa - resmungou ela. Em casa ela podia se deitar na cama, ver filmes
antigos e comer croissants da bandeja que Myrtle levaria pra ela. Escreveria um e-mail
desagradvel para Nate. E no teria de olhar para o perturbador mbile de coelinho da
pscoa feito de camisinhas vermelhas LifeStyles que as meninas penduraram no teto do
quarto do alojamento.
- Voc s pode sair quando elas voltarem - insistiu Rebecca. Ela se sentou na cama de
baixo do beliche mais perto de Blair, abriu um kit de manicure rosa metalizado e comeou
a limpar as unhas dos ps com um instrumento pontudo de ao inox. - Vamos ter de te
ensinar a saudao especial
Blair decidiu no ato que, se fosse morar em um quarto de alojamento universitrio, ia
querer um quarto spara ela. De jeito nenhum ia fiar sentada com um abndo de garotas
enquando elas futucavam nos dedos dos ps ou montavam mbiles de camisinhas. Ela
freqentava escolas exclusivas para meninas desde a primeira serie - j era bastante tempo
com mulheres, muito obrigada.
Arrastando-se para se levantar, ela tentou manter a compostura vestida com a camisola
azul-clara das meninas Super poderosas que Gaynor emprestara a ela na noite anterior.
Precisava de um banho e depois tinha de ir para casa. Na verdade, o banho que se fodesse.
Banhos envolvem banheiros com espelhos - e se ver em um espelho era uma coisa que ela
queria evitar a todo custo.
Vestir o jeans, estremecendo quando ela roou na pele recm-raspada. Depois enfiou a
blusa de linho branco pela cabea, sentindo-se doente demais para usa-la como um top.
Pendurou a camisola atrs da cadeira da mesa de algum.
- tenho que ir agora - insistiu ela. Um bon de beisebol da geortown estava no cho. - 
seu? - perguntou ela a Rebecca.
- Pode ficar com ele - ofereceu Rebecca generosamente
Blair pegou o bon e o colocou.
- Diga a todas que eu agradeo e diga adeus por mim - disse ela fraquinho.
Depois a porta do quarto se abriu num rompante e Forest, Gayor e Fran entraram trazendo
sacos de papel cheios de bagels quentes e recm-assados e canecas fumegantes de caf. O
estomago de Blair se revirou com um misto de nusea e fome.
- Ai, meu deus, voc esta indo embora? - lamentou Forest. Ela largou os sacos e se atirou
para Rebecca e Blair. - Vamos, meninas, hora da roda!
Blair apertou sua boca bem fechada enquanto o vomito ameaava jorrar pelos dentes. Tinha
levantado rpido demais. Ou talvez no devia ter bebido aquele Bloody Mary.
Ou deixar que quarto garotas bbadas raspassem suas pernas e tingissem seu cabelo.
As meninas formaram um circulo fechado, de mos dadas. Balir balanou entre Rebecca e
Forest, o cheio combinado dos perfumes das duas deixando-a ainda mais nauseada.
- O que dizemos...? - sussurrou Fran comum entusiasmo rouco. Parecia a frase de abertura
de uma espcie de cntico.
- O que nos dizemos quando ele diz:  Vamos, voc sabe o que quer`? - entoaram as quarto
meninas. - Dizemos: Peral, babaca!`.
As meninas se curvaram na roda numa espcie de chave de cabea loura.
- Nada de sexo sem o verdadeiro amor. Amizade agora e para sempre! - Elas se separaram
uivando e pulando como lideres de torcida.
- Tenho que ir - resmungou Blair pela dcima quinta vez, o estmago ainda revirando. Ela
cambaleou at a porta, esperando chegar no banheiro a tempo, mas era tarde demais. Em
vez disso, teve que arrancar o bon da georgtown da cabea e vomitar nele.
- Vou chamar um carro para voc. - Rebecca pegou o telefone e comeou a discar com
eficincia. - No queremos que voc perca o avio.
A irmandade era legal, mas ningum queria uma irm doente vomitando no banheiro.
- Toma. - Fran estendeu um bon azul com um Y branco. Um bon de Yale. - Pode usar o
meu.
Blair levou o bon pro banheiro. Uma olhada de uma frao de segundo no espelho deixou
muito claro que ela definitivamente precisava de um bon. E culos de sol. E de toda uma
vida nova.

a manh seguinte, parte iv

-- Ele levou um tempoo para se vestir hoje de manh, apesar de sempre ficar desse jeito.
-- Dan ouviu Vanessa dizer a Tiphany quando acordou. Ele estava deitado de costas na
cama de Vanessa, ouvindo a voz das duas do lado de fora da porta enquanto elas
tagarelavam na cozinha, preparando o caf da manh.
Desse jeito como?, perguntou-se ele.
-- Olha, leva tempo para dominar a arte da camisa meio para fora da cala -- respondeu
Tiphany. Depois Vanessa disse alguma coisa que Dan no pde ouvir e as duas deram uma
gargalhada.
Tiphany estava cozinhando um ovo no microondas. Vanessa estava com a cmera apoiada
no ombro.
-- Ento me diz por que voc preferiu no ir  faculdade -- perguntou ela.
Tiphany prendeu o cabelo roxo e preto num n e abriu a porta do armrio para pegar um
prato.
-- Na verdade, nao foi bem uma escolha minha. Eu simplesmente no podia me candidatar.
-- Ento o que voc fez quando todo mundo foi para a faculdade? -- incitou Vanessa.
Tiphany ps duas fatias de po na torradeira e depois abriu todas as gavetas da
cozinha, procurando por uma faca.
-- Por tipo um ano eu s fiquei vadiando. Fui para a Flrida. Morei na praia e fiz piercings
em quem quisesse. Depois peguei um emprego de garonete em um navio de cruzeiro por
um tempinho. Depois larguei o navio e fiquei no Mxico, pintando casas.
Depois voltei e comecei a trabalhar em obras. -- Ela sorriu e lambeu manteiga na faca. --
Foi uma viagem fantstica.
-- Caraca -- assinalou Vanessa. Tiphany provavelmente era a pessoa mais interessante e
pra cima que ela j conhecera, e ela podia se sentir desenvolvendo uma queda por ela. No
de um jeito sexual, mas numa espcie eu-queria-ser-como-voc.
-- Mas se voc pudesse fazer tudo novamente, teria ido para a faculdade? -- gritou Dan da
soleira da porta do quarto.
Ele estava usando uma camisa vermelha desabotoada e cueca samba-cano branca, e o
cabelo estava desgrenhado e embaraado.
-- Oi, dorminhoco -- respondeu Tiphany, ignorando a pergunta.
-- Oi, dorminhoco -- disse Vanessa exatamente no mes-mo torn de voz. -- Tudo bem?
-- Tudo timo. -- Dan puxava a camisa, pouco  vonta-de. --Vocs acordaram agora?
-- Estamos acordadas h algum tempo -- respondeu Vanessa vagamente.
Tiphany pegou o ovo no microondas, colocou-o na torrada e levou o prato para a sala.
Havia um volume embaixo do leno
no futon de Ruby, onde Tooter, o furo, estava enroscado, dormindo. Tiphany ps um de
seus CDs no aparelho de som e aumentou o volume. Era uma coisa alta e spera que Dan
nunca ouvira antes. Certamente no era musica para quern acaba de acordar. Ela danou
para Vanessa e pegou as mos dela e, para surpresa de Dan, Vanessa comeou a dar
pulinhos e a rebolar no ritmo da msica.
Como  que ?
Vanessa nao danava. Nunca. O que a Tiphany fez com
ela?
Enquanto as meninas danavam, Tooter deslizou das co-bertas e trotou at os Pumas azuis
e dourados novinhos de Dan, que estavam ao lado da porta da frente. Ele os farejou
algumas vezes, depois se virou, agachou e comeou a urinar.
-- Ei! -- gritou Dan, correndo para resgatar os sapatos.
-- Tooter? -- Tiphany parou de danar.--Est tudo bem, nenm. Vem pra mame.--Ela se
agachou e o pegou nos braos.
--No tenha medo.
Vanessa se juntou a ela, as bochechas rosadas de danar.
-- Ah, Dan. Voc o assustou.
-- No, eu no o assustei.--Dan deu uma palmada com raiva no furo. -- Vai para a
mame, seu merdinha -- acres-centou ele em voz baixa.
Em sua cabega, ele j comeara um novo poema, Chama-va-se "Matando Tooter".

a grande estria de j

-- Em fila, meninas. Por ordem de tamanho, por favor! -- ladrou Andre, o assistente de
fotgrafo.
Eram onze horas da manh de domingo e Jenny tinha chegado ao estdio uma hora antes,
depois de acordar s seis e passar trs horas se arrumando. Tinha tomado um banho, secado
o cabelo e se maquiado -- trs vezes. Na primeira vez ela ficou exagerada, na segunda s
parecia meio anormal e na terceira decidiu sensatamente s deixar secar o cabelo no vento e
sair sem maquiagem, porque, de qualquer forma, esse era o trabalho do stylist.
A sesso seria no mesmo estdio do go-see. Desta vez a tela branca e a chaise longue de
veludo vermelho no estavam l, substitudas por um pedao gigante de grama artificial
Astroturf cobrindo o cho e uma rede de vlei instalada em cima do Astroturf. Quando
Jenny chegou, descobriu que no era a nica "modelo" sendo fotografada. Havia outras
cinco garotas, e todas pareciam... modelos. O stylist pediu a ela para vestir um top esportivo
de Lycra azul-rei da Nike e short de Lycra da mesma cor. Depois penteou o cabelo de
Jenny para trs num rabo-de-cavalo e passou um pouco de brilho labial. Jenny se sentia
mais pronta para uma aula de educao fsica do que para uma sesso de fotos, mas
percebeu que todas as outras modelos estavam vestidas da mesma maneira.
-- Formem uma fila na frente da rede. Depressa, meninas. Isso no  astrofsica --
reclamou Andre.
Como em geral era a garota mais baixa de qualquer grupo, Jenny ficou na ponta da fila, na
frente da rede de vlei, ao lado de uma menina de peito achatado que s era alguns
centmetros mais alta do que ela. Depois Andre se aproximou e a pegou pelo brao,
arrastando-a para a outra ponta da fila, ao lado de uma garota alta com peitos que eram
quase to grandes quanto os dela. Ele empurrou umas outras meninas na fila.
-- Vamos l -- gritou o fotgrafo, andando a passos largos nas pernas atarracadas. Ele
coou o cavanhaque, avaliando a fila. -- Coloquem os braos na cintura uma da outra.
As meninas fizeram o que ele disse.
-- No, assim  lder-de-torcida demais. Afastem-se um passo e coloquem as mos nos
quadris. As pernas afastadas. -- Ele ergueu a cmera e olhou por ela. -- Os ombros para
trs, queixo erguido, isso -- instrua ele, batendo as fotos.
Jenny fez o mximo para parecer corajosa, forte e desafiadora, como pensava que devia ser
uma modelo da Nike. Ela no tinha a musculatura de uma alpinista nem de uma
maratonista, mas as outras meninas tambm no.
-- Pra que  isso, afinal?--sussurrou ela  menina do lado.
-- Pra uma revista de adolescentes -- respondeu a garota.
-- Que tipo de expresso voc quer que a gente faa? -- disse a mesma menina para o
fotgrafo.
-- Isso no importa. -- O fotgrafo subiu em uma escadinha e continuou a fotogrfa-las.
Jenny relaxou a cara de modelo-desafiadora-da-Nike. O que ele quis dizer com no
importa? Ela fechou os olhos e esticou o lbio inferior num biquinho exagerado, testando-o.
-- Boa, baixinha! -- gritou o fotgrafo.
Jenny abriu os olhos, completamente confusa. Ela arreganhou os dentes e torceu o nariz.
Depois ps a lngua para fora.
-- Excelente! -- respondeu o fotgrafo.
Jenny riu. Na verdade, era muito mais divertido do que tentar parecer sedutora e bonita.
Pelo menos podia mostrar sua personalidade. E pela primeira vez na vida, diante de uma
cmera -- de top esportivo, simplesmente --, ela se esqueceu
completamente dos peitos.
E isso era uma espcie de milagre.

yale quer ver n com o suporte atltico deles

-- Est esperando h muito tempo, treinadora? -- perguntou Nate com a voz arrastada
enquanto se juntava a treinadora de Yale na mesa do Sarabeth's 45 minutos atrasado. --
Desculpe pelo atraso. Ainda estou um trapo de ontem a noite. -- Ele fumou dois baseados
depois daquele com Brigid no quarto de hotel. Agora os olhos dele eram meras fendas e ele
no conseguia parar de sorrir.
O Sarabeth's era iluminado e florido e estava cheio de mes comendo o brunch com os
bebs e pais lendo os jornais de domingo. Todo o lugar cheirava a xarope de bordo.
-- Sente-se. -- A treinadora apontou para a cadeira do outro lado da mesa. Seus cabelos
louros cascateavam pelos ombros e ela usava batom vermelho e uma espcie de top
prateado. Parecia a irm mais velha desaparecida de Jessica Simpson.
-- Lindo bon -- acrescentou ela com um sorriso. Nate estava usando um dos bons de
Yale que ela lhe dera.
-- Tambm estou com o suporte atltico -- disse ele, tentando desesperadamente manter a
cara sria. Ele estava ficando meio bom na interpretao de um babaca. Nate pegou um
muffin da cesta na mesa e enfiou a coisa toda na boca. -- Estou
com uma fome da porra--acrescentou ele de boca cheia.
-- Coma o quanto quiser--disse a treinadora a ele generosamente.
--Estou acostumada a sair com um time de rapazes famintos.
-- Humft--grunhiu Nate. Essa ia ser mais difcil do que ele pensava. Ele pegou uma
poro inteira de manteiga com os dedos e enfiou na boca com o muffin.
-- Ento me diz por que eu devia jogar com esses boiolas. A treinadora bebeu o ch.
-- Voc  do tipo que gosta de desafios... eu sei disso. Caso contrrio, fica entediado. Voc
faz coisas de que pode se arrepender depois.
Meu trabalho  te colocar na linha e eu garanto que vou fazer isso.
Nate engoliu todo o naco de manteiga. No surpreende que o time de Yale estivesse se
saindo to bem esse ano. Ele tinha de admitir, estava impressionado. E depois, convenc-lo
a ir para Yale era a misso da treinadora, o motivo pelo qual ela veio a Nova York. E a
misso dele era ser desadmitido.
Talvez ele estivesse usando a abordagem errada. Ele limpou a boca e fitou os olhos azuis da
treinadora com os olhos verdes irresistveis.
-- Algum j te disse que voc  gostosa?--Ele ps a mo na perna dela sob a mesa e a
apertou.
A treinadora sorriu daquele jeito plcido e confiante.
-- Muitas vezes, em especial os rapazes do meu time. De repente Nate sentiu uma dor
quente e em estocada na mo.
-- Porra! -- gritou ele, afastando a mo. Ele aninhou a mo no colo. A treinadora de Yale
o havia atingido com o garfo.
Ele estava sangrando!
-- E tenho de dizer que me sinto atrada por voc. Voc  um rapaz bonito. Mas terei de me
contentar em ver voc naquele suporte atltico de Yale no vestirio s no outono que vem.
-- Ela pegou a bolsa e atirou um Band-Aid para ele. -- Fechado?
De repente Nate percebeu que Yale, afinal, podia ser o lugar certo para ele. E se Blair
entrasse? Eles podiam ir para Yale juntos e viver felizes para sempre. Talvez Serena
tambem fosse para l, e ento os trs viveriam felizes para sempre.
Uma historia improvvel.
-- Fechado -- disse ele e sinalizou para o garom com a mo boa. Pediu uma cerveja e
depois abriu para a treinadora o mesmo sorriso chapado e arrogante que fazia as mulheres
desmaiarem e as professoras lhe darem um A quando ele merecia um C.
A treinadora passou o polegar pelos dentes do garfo.
-- Acho que vou gostar de ter voc no meu time -- disse ela.
E todas ns vamos gostar de ver Nate de suporte atltico.

yale abre caminho para o corao de s

O guia de Serena em Yale no estava l, o que no era de surpreender, uma vez que ela
estava quase uma hora atrasada.
-- Volte s trs -- disse-lhe a mulher na mesa da recepo do escritrio de admisso. --
Vai haver uma visita guiada nesse horrio.
Serena ficou parada do lado de fora do centro de visitantes de Yale, uma casa branca
histrica com persianas pretas, perguntando-se o que ia fazer.
-- Do r mi f sol l si d! -- cantou um coro de vozes masculinas mais distante, na Elmer
Street. -- L, l, l, l! -- entoaram as vozes mais uma vez.
Serena seguiu seus ouvidos e foi na direo da Capela Battell. Quando chegou  capela,
descobriu um grupo de rapazes de p, em formao, sob uma soleira em arco, exercitando a
voz. Ela estava ouvindo os famosos Whiffenpoofs, o grupo de canto a capela totalmente
masculino de Yale, mas nunca os havia ouvido cantar. E ela no tinha idia de que todos
eram to adorveis!
De repente eles comearam a cantar Midnight Train to Georgia. Ela se sentou na base da
escada da capela, esperando que eles no se importassem de ela ficar ali ouvindo. E olhou
-- para o tenor pueril e louro na primeira fila, que ficava se balanando para a frente e
fazendo pequenos e lindos solos; para o jogador de rgbi musculoso ao fundo, que tinha o
bartono mais baixo que ela j ouvira; o nerd sardento que era simplesmente muito bom; o
cara alto, branco e magro com cabelo escuro desgrenhado que cantava os solos com um
forte sotaque britnico e se vestia no estilo mais dndi dcada de 1940 que Serena j vira na
vida.
Ela podia ter se levantado e feito o prprio solo a capela: Homens de Yale, homens de Yale,
nham, nham, nham!
Os rapazes cantavam uma nota doce e longa, erguendo-se na ponta dos ps para atingi-la.
Depois o tenor louro na frente do grupo veio cantarolando e estalando os dedos pela escada
da capela na direo de Serena. Quando chegou ao degrau dela, ajoelhou-se e olhou para
ela.
-- Um, dois, trs... Linda garota, no quer se apaixonar por mim? -- cantou ele.
Serena riu. Ele estava brincando?
-- Linda garota, no quer ser minha famlia?--O jogador de rgbi se juntou  msica no
alto da escada.
-- Linda garota, no quer passar a tarde me beijando sob uma rvore? -- O grupo inteiro
cantou em harmonia.
Serena sentou em cima das mos, corando furiosamente. Agora podia entender por que
Blair queria tanto entrar para Yale!
-- Hoje  domingo, e nos domingos cantamos em vez de falar. O dia est linndo. No quer
dar um passeio comigo? -- cantou o tenor louro, pegando a mo dela.

Serena hesitou. Era meio arrogante da parte dele aparecer e comear uma serenata para ela.
O rapaz pareceu perceber a hesitao de Serena.
-- Meu nome  Lars. Estou no segundo ano--sussurrou ele, como se estivesse preocupado
que o resto do grupo o ouvisse falar em vez de cantar. --  s uma msica improvisada.
Fazemos isso o tempo todo.
Serena relaxou um pouco. Lars tinha olhos azul-claros magnficos e a mais elegante linha
de sardas na ponta do nariz. Ele tambm usava o mesmo par de sapatos Camper caramelo
que ela comprou para o irmo no aniversrio passado.
-- Vou perder minha visita guiada -- confessou ela.
-- Eu te mostrarei tudo, sem problemas-- cantou ele.
Ela olhou por sobre o ombro para a College Street, no antigo campus de Yale. Um grupo de
meninas jogava Frisbee no gramado de New Haven, as janelas de fronto da antiga
residncia erguendo-se em volta delas. Era um lugar bonito.
-- Linda garota, vamos todos acompanh-la na visita -- cantaram os Whiffenpoofs.
Serena riu novamente e deixou que Lars a colocasse de p. Se Yale a queria tanto, bem que
eles podiam ter!

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

FATOS POUCO CONHECIDOS (OU MENTIRAS ULTRAJANTES -- VOC
ESCOLHE)

Na Georgetown existe um crculo de prostituio que se disfara de irmandade do celibato.
 um grupo extremamente exclusivo que j existe h meio sculo.
Uma serial killer que leva um furo de estimao e usa nomes exticos de mulherzinha,
como Fantasia ou Tinkerbell, est solta na regio metropolitana. Arma preferida: uma
picareta.

Um espertinho andou se disfarando de funcionrio da admisso da Universidade de
Brown, aceitando alunos e recolhendo o dinheiro da matrcula. Quando os alunos aparecem
no outono procurando orientao, a universidade nunca ouviu falar deles. At agora, as
autoridades ainda no identificaram o criador desse golpe inventivo.

A ltima edio da revista Treat traz um artigo chamado "Seios: Tamanho  Documento?"
Est pensando o mesmo que eu?

Aparentemente, o departamento de artes da Brown vem cantando loas a seu mais novo
professor, um novato venezuelano que se especializa em verses abstratas de figuras da
cultura pop, especialmente figuras adolescentes da cultura pop. Novamente, est pensando
o mesmo que eu?
 claro que tudo isso pode ser um monte de asneira.

Seu e-mail:

P: Cara GG,
Como  que voc no est se estressando com a universidade? Estou comeando a achar
que voc na verdade est tipo na sexta srie e talvez s tenha uma irm ou irmo mais velho
ou coisa assim e  desse jeito que fica sabendo das coisas.
-- bird

R: Cara bird,
Adoro ver quanto tempo todo mundo passa pensando em MIM. Ser que vou acabar me
transformando num daqueles cones que comeam a inspirar teses de doutorado, tipo a
Madonna? Mas vou te dizer uma coisa: sexta srie? Com toda essa experincia...
-- GG

P: CaraGG,
Fui expulso da Brown antes mesmo de comear meu ano de calouro. Antes de mais nada,
eu realmente fiquei surpreso de ter sido aceito ali, porque tirei D em quase tudo no terceiro
ano do secundrio. De qualquer forma, acontece que no entrei realmente. Eu fiz parte de
toda aquela tramia onde todo mundo foi aceito e levaram o dinheiro dos pais sem que a
faculdade sequer soubesse disso. Agora sou caddy no clube de golfe do meu pai.
-- putter

R: Caro putter,
Eu meio que espero que voc seja um caddy chapado e entediado, tipo aqueles do clube de
golfe do MEU pai, que contam a todo mundo a prpria histria de como foram aceitos na
Brown e depois expulsos.  uma boa histria. S espero que a mesma coisa no acontea
comigo nem com nenhum dos meus amigos.
-- GG

P: Querida GG,
Vc pode explicar a diferena entre uma garota que sai com caras diferentes e uma galinha?
Pq eu sei que posso parecer uma galinha, mas o que h de to errado em ter montes de
amigos que so homens? Nenhum dos caras parece ligar, s as meninas.
-- popgrl

R: Cara popgrl,
Nenhuma. Nenhuma. Nenhuma. Na verdade, uma garota muito querida minha --
conhecida aqui como S --  exatamente desse tipo, e olha como est se dando bem!
-- GG

Flagra


V e D sendo arrastados em Chinatown por uma garota barulhenta de cabelo preto e roxo
levando um peixe vivo num saco plstico azul. Vamos dizer que eu no v jantar na casa
deles to cedo. B no Elizabeth Arden Red Door Salon depois da hora de fechar no
domingo. Como  que se soletra correo da cor S com a cabea colada na janela do trem
New Haven-Nova York, roncando suavemente. Acho que ela no dormiu muito no fim de
semana -- cutuca, cutuca. N num canto de uma rua escura trocando o suter da Brown por
uma trou-xinha. E a baixinha J correndo no Riverside Park. Tentando se tonificar para o
prximo compromisso como modelo?

Quem imaginava que este seria um fim de semana to transformador?

Te vejo na escola amanh.

Pra voc que me ama,
gossip girl
b merece uma purple heart

-- A Sra. M. recebeu uma ligao de Georgetown -- cochichou Rain Hoffstetter para Kati
Farkas na biblioteca da Constance Billard School enquanto as meninas fingiam escolher
livros sobre pintura americana moderna para ler durante o perodo de estudos. -- No
sbado  noite a Blair e um bando de meninas da Georgetown foram pegas recebendo uma
grana para transar. Elas foram a um single bar na cidade e pegaram homens a noite toda. A
me dela vem para uma reunio no escritrio da Sra. M. porque agora nem para
Georgetown ela pode ir.
Com toda certeza Blair tinha acabado de dizer  bibliotecria que estava matando o perodo
de estudos por ter uma reunio importante na sala da diretora com a me dela.
-- Achei a Blair engraada hoje--disse Isabel Coates com um ar de diverso. --Acho que,
se voc vai esperar esse tempo todo para perder a virgindade, pode muito bem ser paga para
isso.
-- Mas como  que ela estava usando uma malha? Est tipo uns trinta graus hoje! --
assinalou Kati.
Laura Salmon riu.
-- Vai ver ela est, tipo assim, ardida... sabe como , de todo aquele sexo.
Ou talvez ela tenha deixado quatro meninas bbadas ras parem suas pernas?
A sala da Sra. M. ficava no andar trreo, no fim do corredor que partia da rea de recepo.
Enquanto ia para l, Blair percebeu que a mesa de recepo estava coberta de buqus de
flores -- principalmente rosas.
-- Para quem so? -- perguntou Blair a Donna, a nova recepcionista.
Donna deu de ombros e carimbou outra carta com a assi natura da Sra. M.
-- Bem que eu queria saber.
Blair olhou o carto no buqu maior, uma linda mistura de rosas amarelas e frsias. Serena,
Serena, dizia. No consigo parar de cantar o seu nome. E estava assinado: Com amor, Lars
e os Whiffenpoofs de Yale.
-- J imaginava -- disse Blair amuada enquanto ia para a sala da Sra. M. Talvez ela
tambm tivesse entrado para Yale, se fosse piranha o suficiente para ir para a cama com
cada um dos caras dos Whiffenpoofs.
A sala da Sra. M. era totalmente vermelha, branca e azul. Papel de parede listrado de
branco e azul-claro. Carpete ver melho. Sof de veludo azul-marinho. Cadeira vermelha e
branca de chintz. Era muito patritico. At a Sra. M. era ver melha, branca e azul -- cala
de senhora de linho azul-marinho, batom vermelho, pele branqussima, unhas com esmalte
vermelho. S o cabelo dela, que era crespo e castanho, saa do esquema de cores.
-- Gosto de seu cabelo curto--comentou a Sra. M. quando Blair entrou.
 claro que gosta, sua sapatona, pensou Blair, sorrindo educadamente. Ela passou a mo
na cabea.
-- Obrigada.
Na verdade, Blair estava meio aliviada por ter chegado quela altura do dia sem que
ningum -- nem mesmo a prpria me -- percebesse que seu cabelo tinha mudado de
castanho-escuro natural para amarelo-txi e depois foi tingido novamente de castanho. O
colorista tinha feito um trabalho decente, mas para ela a cor no era naturalmente uniforme
e o couro cabeludo coava como louco de toda aquela tintura.
Blair se sentou no sof e depois sua me entrou com um andar pesado na sala da Sra. M.,
segurando a barriga como se o beb fosse cair se ela no o suspendesse. Fios do cabelo
louro da me estavam colados no rosto e a pele estava vermelha e borrada. Ela se abanava
com a mo.
-- No ano passado, na mesma poca, eu jogava uma par tida inteira de tnis cinco vezes
por semana. Agora mal posso andar uma quadra sem suar!
A Sra. M. deu seu sorriso educado de conversa-com-os-pais.
-- Vai ficar em forma muito rpido quando estiver cor rendo atrs de um beb.
Ah, , at parece que j no tinha uma bab dormindo no quarto de empregada da
cobertura!
Blair revirou os olhos e cocou a barriga da perna raspada com gilete. No tinha convocado
essa reunio para falar de bebs. Pela janela da sala da Sra. M. ela viu uma mulher de uni
forme militar andando pela rua 93. Essa viso deu uma idia a Blair. No havia uma
espcie de programa do exrcito que patrocinava o curso universitrio? Ela podia entrar
para o exrcito, ir para Yale e depois fazer o mnimo de servio militar exigido. Ela se
imaginou at a cintura em uma trincheira la macenta, combatendo o inimigo, enquanto os
outros estavam estudando na biblioteca ou coisa assim. Podia ser uma herona, ganhar uma
Purple Heart! E, quando fosse para a academia militar, Nate iria procurar por ela,
arriscando sua vida para t-la de volta e finalmente transar com ela depois de todos aqueles
anos.
O resgate da soldado Blair. Em breve em uma locadora perto de voc.
A Sra. M. aninhou o traseiro largo e msculo na cadeira vermelha de espaldar alto atrs da
imensa mesa de mogno.
-- Aproveitando a presena das duas aqui, gostaria de dar os parabns a Blair por seu
desempenho na Constance. Nunca teve uma nota abaixo de B. Uma freqncia excelente.
Demonstraes maravilhosas de liderana e participao. Blair, voc receber um monte de
prmios na formatura em junho.
A me de Blair sorriu vagamente para a diretora. Sua mente parecia estar em outras coisas.
-- Ento por que no entrei para Yale?--perguntou Blair. -- Que sentido tem trabalhar
tanto e tudo se uma universidade como Yale aparece e aceita algum da minha turma que
era muito mais burra do que eu?
A Sra. M. remexeu nos papis que estavam em cima da mesa.
-- No posso falar por Yale, e no posso dizer que tenha entendido essa deciso. Mas
nossos registros mostram que vo c est na lista de espera. Ainda h uma chance muito boa
de voc entrar.
Blair cruzou os braos. No era o suficiente. Ela olhou para a me. Era agora que a me
devia oferecer um monte de dinheiro para a Constance, com a condio de que a Sra. M.
desse uns telefonemas para o sub-reitor de admisso de Yale e garantisse uma vaga para
Blair. Mas Eleanor s ficou sentada olhando a janela e arfando pela boca como um
cachorro no vero.
-- Me? -- perguntou Blair.
-- Uuuush! --Eleanor arfou, abanando-se freneticamen te. -- Se importaria de me chamar
o carro, querida? -- Ela se ergueu da cadeira e se agachou no carpete vermelho da Sra. M.
numa pose que Blair reconheceu da aula pr-natal de Ruth. -- Uuuush! Acho que pode vir
muito antes do que todo mundo pensa!
Mas que senso de oportunidade incrvel. Blair deu um sorriso duro para a pose de
exerccio-de-respirao-de-parto da me.
-- Uuuush, uuuush, uuuush!
-- Me!
A Sra. M. chamou Donna pelo interfone.
-- Chame uma ambulncia, por favor, Donna. A Sra. Waldorf Rose parece estar em
trabalho de parto.
-- No! -- reclamou Blair. -- Lenox Hill no fica longe. O carro da mame est esperando
por ela aqui na frente.
A me pegou a mo de Blair e a apertou com fora. Blair teve a sensao de que tinha dito
a coisa certa.
-- Suspenda--ordenou a Sra. M. naquela voz de coman do militar que sempre divertia as
meninas. -- O carro da Sra. Rose est esperando l fora. Por favor, diga ao motorista que
ela vai sair e precisa ir para o hospital Lenox Hill.
-- Uuuush, uuuush, uuuush! -- arfava Eleanor.
-- Agora -- ladrou a Sra. M. ao telefone.
Blair pegou o celular na bolsa e ligou para Cyrus.
-- Vai nascer -- disse ela para a caixa postal dele numa voz sem emoo. --Estamos indo
para o hospital.--Ela desligou e ps as mos nas axilas da me. -- No quer ter aqui, no ,
me?
-- No -- gemeu Eleanor e cambaleou. Ela passou um brao no ombro de Blair e o outro
na cintura da Sra. M. -- Uuuush, uuuush, uuuush -- arfava ela enquanto o estranho trio
seguia pelo corredor e saa pelas grandes portas azuis da Constance.
-- Vou ligar para o hospital e avisar que vocs esto indo -- disse a Sra. M. a Blair, cheia
de competncia.
-- Ataque cardaco? -- perguntou o motorista enquanto abria a porta do carro para elas.
Ele quase parecia feliz com isso.
-- No, idiota--rebateu Blair.--Ela est tendo um beb. E se voc calasse a boca, j
estaramos l.
-- Uuuush, uuush, uuuuuiiii! -- arfava a me, agarrando a mo de Blair com um aperto
mortal.
Blair olhou para as janelas altas do terceiro andar da biblioteca da Constance enquanto o
carro partia. Estavam lotadas de caras de meninas espiando a rua.
-- Ai, meu Deus. Acho que ela acaba de ter o beb na sala da Sra, M.! -- gritou Rain
Hoffstetter.
-- Quem? A Blair? -- perguntou Laura Salmon.
-- No, imbecil. A me dela -- corrigiu Rain.
--  tudo culpa da Blair. Eu soube que o estresse pode provocar um parto preaturo --
observou Isabel Coates.
-- Coitada da me dela.  tipo assim, ah, alis, sua filha  uma prostituta. E, opa, l vem
outra criana para voc estragar tudo! -- acrescentou Nicki Button.
-- Beb chegando! Uiiiiiii! -- sibilava Eleanor, ficando de quatro na traseira do carro.
-- O beb est chegando agora-- rosnou ela, mordendo o vinil do apoio de brao.
Blair se virou da janela e bateu no ombro do motorista.
-- Estamos quase l, me -- murmurou ela, feliz por es tar por perto quando a me
entrasse em trabalho de parto, em vez de ser uma vendedora irritante da Saks ou coisa
parecida.
-- Imagine que voc est...--Ela tentou pensar em uma coisa que Ruth tinha dito em aula,
mas a nica coisa que conseguiu lembrar foi o troo da bunda-desinflando-como-um-balo,
e de jeito nenhum ia dizer aquilo. Em vez disso, tentou pensar no que faria relaxar a si
prpria. -- Imagine que voc est co mendo uma tigela de sorvete de chocolate e vendo
Bonequi nha de luxo -- disse ela por fim.
-- O beb est chegando agora! -- guinchou Eleanor novamente, os ns dos dedos brancos
e a cara roxa do esforo.
Blair percebeu que no importava muito o que ela disses se. O beb estava nascendo mesmo
-- era s uma questo de minutos. O carro parou em um sinal de trnsito na 89 com a Park.
Ela se arrastou para a frente e se inclinou para mais per to do ouvido do motorista.
-- Quer que a gente foda totalmente o banco traseiro do seu carro ou vai passar esse sinal e
nos levar l em trinta se gundos?
O motorista pisou no acelerador, apertando a buzina com fora ao mesmo tempo.
O beb est chegando!

n e s perdem o trio esquisito

Nate estava saindo da escola para pegar um burrito e uma trouxinha para o almoo quando
parou de repente. Uma mulher louro-avermelhada estava sentada no banco de couro
marrom bem do lado de dentro das portas da escola, a bolsa preta Kate Spade colocada
elegantemente nos joelhos e uma mo chila da Universidade Brown nos ps. Um romance
gordo estava aberto em seu colo e parecia que ela estava ali h horas. Nate saiu de fininho
pela escada dos fundos at a rea dos ar mrios no poro. Dessa vez ele teria de ignorar a
larica e esquecer o habitual baseado pr-trigonometria. Era isso ou se arriscar a enfrentar
Brigid.
-- Cara, o que est fazendo por aqui? -- perguntou Jeremy, vendo-o do p da escada.
-- Nada demais -- rosnou Nate. -- Ei, j comeu? -- perguntou ele cheio de esperana.
-- No. Vou na deli agora. Quer vir? --Jeremy bateu no bolso da cala caqui para que Nate
ouvisse o estalo seco de papel enrolado e um saco cheio de erva. -- Que tal um aperitivo
primeiro?
Nate pegou uma nota de vinte dlares do bolso e passou ao amigo.
--- S me traz um sanduche de atum e um Gatorade ou coisa assim.
Jeremy pegou o dinheiro.
-- Como , no terminou seu dever de trigonometria de novo?
-- Eu ainda nem comecei.
Jeremy rodou a mochila e pegou um caderno dele. Entregou o caderno a Nate.
-- Comece a copiar. Vou trazer sua comida quando voltar.
-- Valeu, cara -- disse Nate, grato, A verdade era que Jeremy era ainda pior em
trigonometria do que ele, mas ainda era um tremendo amigo.
-- Ei -- chamou Jeremy, parando ao p da escada. --J soube da me da Blair? Acho que
teve o beb, tipo assim, numa reunio na escola da Blair.
Nate encarou o amigo, assustado demais para responder por medo de que Brigid ouvisse.
Ele ergueu a mo e assentiu duro antes de entrar na rea apinhada dos armrios. Porra! Ser
que a vida de Blair tinha ficado mais melodramtica ainda, caraca?
Espere e ver.
A sala dos armrios embaixo era o nico lugar da escola onde ele podia usar "dispositivos
portteis". Rapazes estavam por ali ouvindo MP3 ou se reunindo em grupos para ver um
DVD no laptop de algum. Nate se sentou no cho de linleo frio verde-vmito na frente de
seu armrio, pegou o celular e ligou para o nmero de Serena.  claro que no ia ligar para
Blair. No quando ela estava no hospital cuidando da me e tudo.
Como se ele fosse ligar para ela, de qualquer forma.
Covardo.
Serena estava sentada em um lugar cobiado junto  jane la da biblioteca da Constance
Billard, fingindo ignorar as fofocas que voavam pela sala, especialmente porque metade era
sobre ela. Tinha perfeito conhecimento do fato de que a recepo da escola, no primeiro
andar, parecia uma exposio de flores da Macy, e que todas aquelas flores eram de seus
admiradores da Ivy League. Mas como podia gostar de estar apaixonada por trs caras
diferentes quando no tinha ningum com quem dividir a empolgao? E como devia
escolher um cara sem um conselho objetivo de sua melhor amiga?
Pera, no era para escolher uma universidade?
Era bvio que Blair estava tremendamente irritada com ela por toda aquela histria de Yale
e no ia querer papo com Serena. E alm disso parecia que Blair ia ficar meio preocupada
por algum tempo, com a irmzinha chegando to inesperadamente. E Serena no podia ir
at uma das supostas amigas e colegas de turma, como Isabel Coates ou Kati Farkas,
porque, baseado nos boatos cochichados meio alto que circulavam na escola, pensava-se
que Serena tinha transado com toda a orquestra de Harvard, cada professor do
departamento de arte da Brown e todos os Whiffenpoofs de Yale.
-- Soube que ela at fez com o primeiro-violino--murmurou uma menina de forma
indiscreta. -- Ele  tipo o prodgio de quinze anos do Japo.
-- Sabe o professor de arte que ficou com ela na Brown? Ele  tipo o professor mais velho
de l. Est l na universidade desde que foi fundada.
Desde 1764? Caramba, isso  que  ser velho!
-- Ouvi dizer que ela roubou o roteiro da Audrey Hepburn que a Blair escreveu para Yale.
Foi assim que ela entrou. Blair descobriu e agora elas so, tipo assim, inimigas totais de
novo.
Ser o assunto de histrias to ultrajantes no era nenhuma novidade para Serena. A volta
misteriosa para a Constance no outono passado, depois de quase dois anos fora no colgio
interno, transformara Serena em uma veterana de meias-verdades e fofocas banais. Ela
sabia qual era a melhor maneira de lidar com isso tambm: ignorar.
De repente o celular dela vibrou na bolsa de lona rosa Lulu Guiness. Ela deu uma espiada e
reconheceu o nmero de Nate.
-- Oi -- sussurrou ela, segurando o telefone na orelha, atrs do livro gigante de qumica.
-- Soube da me da Blair?
--  por isso que estou ligando--respondeu Nate. -- O que aconteceu?
Serena no era do tipo de espalhar fofoca.
-- No sei muito bem. S o que realmente sei  que a Blair ia a uma reunio com a diretora
e a me, e de repente ela e a me estavam, tipo assim, correndo para um carro na frente da
escola. A recepcionista disse a umas meninas da nossa turma que ela estava em trabalho de
parto e o carro ia para Lenox Hill.
-- Caraca -- murmurou Nate.
-- Eu sei -- respondeu Serena. -- Ela s devia ter o filho em junho.
-- Voc acha que a gente deve ir ao hospital? Tipo assim, talvez amanh? A gente podia
levar flores e...
-- No sei no -- respondeu Serena, em dvida, embo ra certamente tivesse muitas flores
para reciclar.--  uma coisa meio particular, de famlia. A gente pode no ser bem
recebido.
Na verdade, a me de Blair sempre os tratou como se fos sem da famlia. Era Blair que no
ia receb-los bem, e os dois sabiam disso.
--  -- concordou Nate. -- Voc deve ter razo. Acho que eu s... --A voz dele falhou.
-- Eu sei -- disse Serena delicadamente.
Os dois queriam formar um trio de novo, presentes na vida um do outro em pocas como
essa. Era muito ruim que Blair estivesse puta com eles.
-- A doideira  que eu meio que estou com vontade de ir pra Yale -- admitiu Nate. -- A
Blair vai me matar.
Serena olhou pela janela. Algum levava vinte ces de uma vez para passear na rua, indo
para o Central Park, a cabea voltada para trs, cantando a plenos pulmes.
-- Eu tambm meio que estou tendendo para Yale--disse ela, embora no estivesse
totalmente convencida. Drew, Christian ou Lars? Como ia decidir? -- Ou talvez eu fique
um ano parada.
-- A gente podia ir pra Yale juntos -- refletiu Nate. Agora sim, isso seria qualquer coisa.
-- Talvez -- concordou Serena. A biblioteca ficou incri velmente silenciosa de repente.
Ela espiou por cima do livro para ver o que estava acontecendo, e quatro pares de olhos
desviaram-se rpidos. Toda a sala estava ouvindo a conversa.
Bom, bem-feito por usar o celular na biblioteca, o que todos ns sabemos que contraria a
poltica da escola.
-- Preciso ir--disse a ela Nate rapidamente. --A sineta vai tocar a qualquer minuto.
-- Vem c--disse Nate antes que ela desligasse --, aquela garota de cabea raspada ainda
est entrevistando gente no parque?
-- Acho que insistiu -- respondeu Serena.
-- Falou--respondeu ele, parecendo distrado.--Tchau -- acrescentou, antes de desligar.
Serena fechou o livro de estalo. Talvez pudesse prensar algumas flores que recebera dentro
desse mesmo livro e us-las para fazer um carto bonitinho para a me de Blair ou coisa
assim.
Nate enfiou o celular no bolso e saiu da rea dos armrios, a caminho do florista do bairro
para mandar umas flores para a me de Blair. Bem a tempo, lembrou do motivo para ter se
enfiado na sala dos armrios. Brigid ainda estava acampada ali, esperando por ele.
Ele girou nos calcanhares e voltou lentamente para baixo enquanto ligava para a telefonista.
Blair sempre dizia que, quando eles tivessem um apartamento juntos, ela pediria flores da
Takashimaya trs vezes por semana. Ela era toda exagerada com flores. Ele conseguiu o
nmero e discou.
-- Gostaria de mandar flores para uma paciente do hos pital Lenox Hill, em Manhattan --
disse Nate  mulher do outro lado da linha.
Jeremy descia a escada atrs dele.
-Legal - observou ele, passando a Nate um saco de papel pardo e o troco.
-Coloque s "Com afeto, vrgula, Nate" no carto - instruiu Nate.
Legal.

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Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.
oi, gente!

ANNCIO DE NASCIMENTO DO NY TIMES

Eu fiz o anncio do casamento, e agora, s... arr, cinco meses depois, estou fazendo o
anncio do nascimento. L vai:
Yale Jemimah Doris Rose, menina. Aguardada para incio de junho, a pequena chorona no
pde esperar. Decidiu nascer no hospital Lenox Hill, no Upper East Side de Manhattan, s
2:17 da tarde do dia 20 de abril -- ontem. Tempo total do parto: 45 minutos. Peso: 3 quilos
e 885 gramas. Altura: 48 centmetros. Se tivesse esperado mais, seria um Big Mac em vez
de apenas uma Gritoninha. Os eufricos pais so Eleanor Wheaton Waldorf Rose, socialite,
e Cyrus Solomon Rose, em preiteiro, da 72 Leste. Os irmos so Aaron Elihue Rose, 17;
Tyler Hugh Waldorf Rose, 12; e Blair Cornelia Waldorf, 17, que  responsvel pelo nome
incomum da nenm. Blair obviamente espera que a nova irmzinha lhe traga sorte na
universidade de mesmo nome -- Deus sabe que ela est precisando. Me e filha passam
bem, e a famlia feliz voltar para sua cobertura amanh  tarde.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Ontem  noite descobri meu irmo mais velho lendo minha revista Treat na cama. Peguei
de volta com ele, mas ele me mostrou a pgina em que estava interessado.  aquela garota
da minha turma da Constance de top esportivo que  baixinha demais para ficar ali com
todas aquelas modelos, tipo por ordem de tamanho de peito. Meu irmo perguntou se podia
tirar a pgina e colocar no armrio dele. Eu disse no, mas acho que ele vai comprar a
revista e fazer assim mesmo. No lugar da garota, eu ia morrer.
-- phoenix

R: Cara phoenix,
Vamos esperar, pelo bem da sua colega, que seu irmo no tenha um monte de amigos.
-- GG

Flagra

Um grupo inteiro de veteranas da Constance Billard no Wicker Garden da Madison
Avenue, arrulhando para presentes para bebs. Uma desculpa para comprar. J e E pegando
por acaso o mesmo nibus circular e se ignorando por toda a viagem. Ainda irritadinha,
hein? V fazendo luzes roxas em um cabeleireiro de Williamsburg. Pera, como  que ela
pode fazer luzes se nem tem cabelo? N saindo de fininho da St. Jude's School for Boys
depois de at o zelador ter ido em bora. Cara, ele  mesmo paranico. B na Zitomer na
Madison comprando fraldas e um macaco de cashmere de trezentos dlares para bebs.
Adivinha quem vai ser a irm preferida dessa garotinha? S andando pelo parque, dando
flores a sem-teto. O que vale  a inteno.

Vou at a banca da minha rua para ver aquela revista!
Pra voc que me ama,
gossip girl

tamanho  documento

Dan entrou na sala do primeiro perodo de ingls na tera-feira e encontrou todos os
colegas de turma debruados em uma revista para meninas.
-- O que as pessoas no percebem  que eles so ainda maiores pessoalmente -- observou
de seu lugar habitual nos fundos da sala Chuck Bass, na opinio de Dan o pior cara da
Riverside Prep, e talvez do mundo. Chuck estava usando a boina verde-oliva no estilo
exrcito que pegou em West Point naquele fim de semana. Era o novo acessrio preferido
dele, alm do macaquinho de estimao, que ele levava a todo lugar, at ao banheiro.
Chuck olhou para cima. -- Estou certo?
Dan teve a sensao desagradvel de que Chuck falava com ele.
--  como se estivessem cheios de hlio ou coisa assim -- acrescentou outro garoto,
inclinando-se por sobre a mesa de Chuck para ver.
Chuck sacudiu a cabea. O cabelo escuro tinha crescido de um jeito masculino at o queixo
e ele o balanava com um orgulho bvio.
- Cara, se eles fossem cheios de hlio, ela ia flutuar por a. --Ele semicerrou os olhos para a
revista novamente, o anel rosa com monograma em ouro brilhando nas luzes implacveis
da sala de aula. Depois olhou de novo para Dan. -- Cara, ela  sua irm. Qual  a dela,
porra?
O instinto de Dan era dizer a Chuck para ir se foder, mas como envolvia a irm mais nova,
Jenny, que sempre se metia em todo tipo de problema, ele se sentiu no dever de verificar
por si mesmo. Ele se sentou na carteira na frente de Chuck e ps os ps na cadeira. No
cho, alguma coisa se contorceu na bolsa laranja Prada de Chuck. De repente apareceu uma
cabea branca com olhos de bolas de gude douradas. Era o macaco de Chuck, rindo
diabolicamente. Dan olhou para Chuck.
-- O que tem a minha irm?
Chuck deu um sorriso afetado e passou a revista a ele.
-- No me diga que voc no sabia disso.
A revista estava aberta em uma matria de duas pginas intitulada "Seios: Tamanho 
Documento?". O artigo era uma discusso honesta do status social das meninas com base
no tamanho dos peitos. Aparentemente, se voc fosse achatada ou peituda, era mais
provvel que ficasse no ostracismo. Se fosse rechonchuda mas no de uma forma to
medonha, era uma puta. As meninas populares tendiam a ter peitos bonitos, de tamanho
mdio. Dan analisou a foto. Jenny e cinco outras meninas usando idnticos tops esportivos
azuis e shorts de Lycra estavam em fila por ordem de tamanho dos peitos, do maior para o
menor, diante de uma rede de vlei. As outras meninas eram todas modelos -- louras, com
sorrisos perfeitos, barrigas lisinhas e bronzeado dourado. A menina ao lado de Jenny
definitivamente tinha implantes de silicone, mas o peito dela ainda no era to grande
quanto os cem por cento naturais de Jenny. O peito de Jenny parecia anormal e quase uma
aberrao, enfiado dentro de um top esportivo pequeno demais. Pior ainda, ela estava
mostrando a lngua e os grandes olhos castanhos brilhavam, como se estivesse se divertindo
muito.
-- Meu Deus -- murmurou Dan, e atirou a revista de volta  carteira de Chuck, as mos
comeando a suar e a tremer como sempre acontecia quando precisava de um cigarro. Ele
sabia que o artigo pretendia animar as meninas de peitos grandes. Jenny estava ali,
parecendo uma aberrao mas com orgulho deles. Mas isso no ia impedir que cada cara
que visse a foto a tirasse da revista e escrevesse algum comentrio obsceno embaixo antes
de colar na porta de um reservado do banheiro.
-- Diz aqui que oito entre dez homens preferem uma mulher bonita com seios de tamanho
mdio em vez de uma mulher mdia com peitos supergrandes--acrescentou Chuck
Obrigado, Capito Babaca, senhor.
Era bvio para Dan que a irm estava to ansiosa para ser modelo que no pensou em como
a foto realmente ficaria. Ainda assim, h no muito tempo, uma foto bastante com
prometedora de Jenny tinha sido publicada em toda a Internet. As pessoas falaram no
assunto por um ou dois dias e depois deixaram de lado. E Jenny nunca pareceu ter se
aborrecido com aquilo. Ela era como o Mr. Magoo, passando cegamente pelas situaes
mais constrangedoras e medonhas e depois saindo delas ilesa e sem culpar ningum. Com
sorte aconteceria a mesma coisa agora, mas, s por garantia, Dan se sentiu na obrigao de
alert-la.
Jenny estava sentada sozinha perto da parede espelhada nos fundos do refeitrio do poro
da Constance Billard, comen do um sanduche de queijo grelhado com picles. Ela se
concentrava em alinhar os picles em uma fatia de po torrado, tentando fingir que no se
importava por comer sozinha. Havia uma quietude estranha no ar que ela no conseguia
explicar muito bem, mas, toda vez que olhava para os espelhos, s o que via eram as
cabeas das outras meninas mais velhas da escola, enfiadas em seus pratos, comendo em
silncio.
T legal. Desde quando as meninas comiam to quietinhas? Na realidade a sala estava
zumbindo, zunindo com o som do furo de reportagem mais suculento da manh.
-- Ouvi dizer que ela nem foi paga para fazer isso... ela se apresentou como voluntria --
cochichou Vicky Reinerson.
-- Mas a Serena botou pilha nela pra fazer, lembra? No grupo de discusso? -- sibilou
Mary Goldberg. -- Ficou toda assim: "Ah, Jenny, qualquer uma pode ser supermodelo."
-- Pra ela  fcil falar -- concordou Cassie Inwirth.-- Mas no  que eu lamente pela
Jenny. E to bvio que ela s queria chamar ateno.
-- E, mas ningum quer esse tipo de ateno--argumen tou Vicky.
As trs meninas deram uma olhada na nuca de Jenny. Como  que ela podia ficar sentada
ali almoando como se no houvesse nada de errado?
O celular de Jenny tocou baixinho dentro da bolsa.
-- Oi. -- Ela atendeu sem nem verificar quem estava ligando. Dan e Elise eram as nicas
pessoas que faziam isso, e ela e Elise no eram mais amigas. Ela enfiou o celular por baixo
do cabelo crespo para esconder das funcionrias do refeitrio. -- E a?
-- S estou ligando para saber se voc est bem -- resmungou Dan em resposta.
Jenny olhou para seu reflexo no espelho. Estava de pregadores de metal no cabelo hoje, e
pensou que ficava meio retro e cool.
-- Hmmm, acho que sim.
-- Ento ningum, tipo assim, te disse nada, nem... -- gaguejou Dan.
-- Sobre o qu? Por qu, voc fez alguma coisa estranha, Dan? -- acusou Jenny.
-- Sobre a sua foto na revista. Os caras aqui roubaram das irms deles. Esto colando em
todos os armrios e essas coisas.
Um pequeno arrepio correu pela coluna de Jenny. Dan no ficaria to preocupado se a foto
fosse to boa quanto ela pensava. -- Voc viu? Qual  o problema dela?
Ele no respondeu.
-- Dan! --Jenny praticamente gritou. -- Qual  o problema da revista?
-- E s que...--Dan se atrapalhou.--T legal, diz tudo sobre como as meninas sem peito ou
com peitos bem grandes no so populares. Acho que o artigo  para voc se sentir melhor,
mas voc parecia meio... uma aberrao de circo perto das outras garotas. Quer dizer, elas
basicamente fazem voc parecer maior e mais anormal.
Jenny empurrou a bandeja de comida e pousou a cabea na mesa de madeira fria. No
admirava que o salo estivesse to quieto. Todo mundo estava ocupado cochichando sobre
ela, a anormal dos peites.
.
Era ainda pior do que um anncio de Stayfree. Ela era uma aberrao de circo. Talvez
devesse fugir e morar com a me neurtica na Europa ou coisa assim. Trocar de nome.
Tingir o cabelo de laranja.
-- Jenny? -- chamou Dan delicadamente. -- Eu sinto muito.
-- Deixa pra l -- disse Jenny de um jeito infeliz e desligou. Ela manteve a cabea na
mesa, querendo ter o dom de desaparecer dali.
De repente sentiu um corpo quente ao lado dela e o cheiro caracterstico da mistura de leos
essenciais de Serena.
-- Oi, dorminhoca. Mas a, Jonathan Joyce... sabem quem  ele, n?... me ligou, tipo assim,
todo empolgado com suas fotos. Ele sabe que somos colegas e quer fotografar ns duas
juntas, tipo assim, no fim desta semana!
Era alguma piadinha maldosa? Jenny fechou os olhos com fora, como se eles pudessem
sair da cabea e atingir Serena.
-- Vai poder ficar com algumas das roupas -- acrescentou Serena.
Jenny ergueu a cabea e se levantou, trmula.
-- Me deixa em paz -- murmurou ela, depois saiu do refeitrio e foi para a enfermaria,
onde pretendia implorar para ser mandada para casa.

d e seus amiguinhos peludos

-- Tooter, olha s isso! -- Tiphany ps o furo no ombro e acenou a pata dele para o
macaco branco de Chuck Bass. O macaco estava vestido com uma camiseta vermelha
trazendo um monograma em S. -- Oi, macaquinho, quer ser meu amigo?
Vanessa e Tiphany tinham ido pegar Dan na escola.
--  melhor no -- alertou Vanessa, sabendo como Dan odiava mortalmente Chuck Bass.
--- Oi, gracinha, qual  o seu nome? -- Chuck se aproximou e coou embaixo do queixo
de Tooter. Ele erguia o macaco para que os dois animais ficassem  altura do focinho. --
Eu sou Sweetie. E no se preocupe, eu no mordo. Eu sou mesmo um doce.
-- Meu nome  Tooter. -- Vanessa piou na verso dela da voz de um furo. -- E tome
cuidado, eu posso apitar! -- acrescentou ela, dando uma gargalhada.
Dan empurrou as portas da escola e parou no alto da escada. Passou a bolsa de carteiro pelo
ombro, semicerrando os olhos para a luz spera do sol de abril. Por toda a tarde ficara
preocupado com a irm mais nova. A essa hora, Jenny devia estar em casa, deitada de cara
na cama, totalmente s. A casa dele ficava a apenas vinte quadras de distncia; talvez ele
devesse ir at l e tentar anim-la. Mas, quando Jenny estava triste, s o que queria era ficar
sozinha, assim como Dan. Era coisa de famlia.
-- Ei, gostoso, aqui! -- gritou Tiphany para ele com a voz alta de estilhaar vidro. Na
calada estavam Vanessa, Tiphany e Chuck Bass. O furo de Tiphany e o macaco de Chuck
estavam nos ombros dos donos, se catando.
-- Meu Deus -- murmurou Dan. Talvez Chuck fosse se mudar para a casa deles tambm, e
eles podiam formar uma grande famlia feliz. Ou talvez ele s dissesse a Vanessa que agora
ia ficar em casa por algum tempo. A irm precisava dele.
-- Posso te acompanhar at em casa? -- Vanessa se afastou do grupo enquanto Dan descia
a escada com uma expresso azeda. Ela o beijou rapidamente no rosto. -- Oi, docinho, no
fique to irritado o tempo todo. -- Dan tem andado irritado e recolhido desde que eles
foram morar juntos e Tiphany apareceu. J estava ficando meio cansativo ter de ser a parte
animada do relacionamento.
Docinho? Em questo de dias Vanessa tinha pegado o jeito de falar todo animado e
alegrinho de Tiphany, irritando ainda mais Dan.
-- No estou irritado--rosnou ele, olhando para Chuck e Tiphany, que estavam unindo
seus animais de estimao. -- S estou...
Tiphany apontou os indicadores para ele, como duas pistolas, e fingiu atirar.
-- Sabe de uma coisa, Danny, acho que o que a sua irm mais nova fez foi totalmente
radical. Mostrar os peitos  a declarao feminista mais ousada que uma mulher pode fazer!
--Ela tranara a frente do cabelo e deixara a parte de trs numa espcie de ninho de rato
maluco roxo e preto, o que ela provavelmente pensava que tambm era uma grande
declarao feminista.
Vanessa procurou no olhar um momento antes, quando Chuck mostrou a foto de Jenny a
Tiphany, mas no conseguiu evitar. E o engraado era que ela realmente concordava com
Tiphany. Jenny podia no parecer uma modelo, mas era definitivamente ousada.
-- Tambm acho que sim -- concordou ela antes de ver a cara de Dan.
-- Ela no mostrou nada -- disse Dan a eles com raiva.
-- Meu Deus, ela s tem catorze anos.
-- Ah, isso me lembra uma coisa -- retrucou Vanessa, ansiosa para mudar de assunto. --
Caso tenha se esquecido, meu aniversrio  neste fim de semana. Vou fazer dezoito anos!
Dan franziu a testa. Ele e Vanessa nunca ligaram muito para o aniversrio deles.
-- E eu estava pensando que, agora que a gente mora junto, podia fazer uma festa! --
continuou Vanessa.
Dan percebeu que havia um brilho meio roxo no cabelo dela que ele no tinha visto antes.
-- Uma festa? --Vanessa sempre odiou festas. Essa idia definitivamente tinha de ser da
Tiphany.
-- Vai ser radical! -- gritou Tiphany. Ela pegou a pata de Tooter e apontou para o macaco
de Chuck. -- Voc vai, n? -- perguntou ela com aquela voz idiota de furo.
-- Mas  claro que sim--disse Chuck como um macaco. Mas que merda  essa?
-- Vamos. --Vanessa puxou Dan para a Broadway. Fazia outro dia de sol e um fluxo
contnuo de rapazes estava indo para o oeste, na direo do parque. -- Primeiro eu quero
fazer mais umas entrevistas. Depois a gente pode ir para casa e mandar os convites por e-
mail.
-- Mas...
-- No se preocupe com a sua irm -- argumentou Vanessa, lendo a mente dele. -- Ela 
mais sensata do que voc pensa. --Ela o beijou, tentando arrancar um sorriso dos lbios
fechados dele. -- Nossa primeira festa de verdade!
Dan deixou que ela o levasse, seguindo-a com ps de chumbo. Ele odiava festas e, alm
disso, eles no tinham outros amigos. No total, a lista de convidados consistiria em Chuck,
Tiphany, o macaco de Chuck, Tooter e a pria social da irm de Dan, Jenny. Que festa.
Vanessa o cutucou nas costelas.
-- Vamos l, d um sorriso. Voc sabe que quer.
-- Se no sorrir, vou mostrar meus peitos pra voc -- ameaou Tiphany, pulando na
calada ao lado deles com as botas John Fluevog em xadrez roxo e preto. Ela abriu o casaco
de camuflagem do exrcito que pegou no armrio de Ruby e enfiou Tooter no top preto.
-- Posso mostrar os meus tambm? -- Chuck se juntou a eles. O macaco tinha enrolado o
rabo comprido e branco duas vezes no pescoo dele. Com a boina militar de West Point, ele
e Tiphany pareciam feitos um para o outro.
Dan arreganhou os dentes e deu um sorriso fraco s para calar a boca deles.
-- Ele sorriu! -- gritaram Vanessa e Tiphany alegremente, e se cumprimentaram batendo
as mos.
Eis o que Dan realmente estava pensando enquanto continuava a sorrir: o Evergreen
College ficava do outro lado do continente, no noroeste do Pacfico, onde chovia muito e as
pessoas eram deprimidas. Ele nunca pensou seriamente em ir para l, mas para ele estava
comeando a parecer o paraso.

n desnuda... a alma

O Central Park estava na tarde ensolarada de sempre com uma multido de patinadores,
skatistas, jogadores de Frisbee e meninas com o suti do biquni fingindo que estavam na
praia de St. Tropez.
Vanessa ligou a cmera no local habitual na Fonte Bethesda. Tiphany tirou Tooter da blusa
e comeou a banh-lo na gua. Dan voltou e comprou um daqueles cones de sorvete
enormes de um vendedor na esplanada. Depois ele se sentou em um banco do parque para
esperar por Vanessa, rezando para que Tiphany o deixasse em paz.
-- Ento eu acho que posso ser feliz em West Point -- confidenciou Chuck Bass para a
cmera de Vanessa. -- Desde que eu possa encontrar um lugar para manter Sweetie perto
de mim, para que eu possa visit-lo. E eles no vo raspar a minha cabea... sem ofensas. E
eu pegar uma cama maior do que aqueles catres pequenininhos que eles do para os manes
pobres dormirem.
Parece que ele vai ter um despertar rude.
-- A mame prometeu que vai abrir uma conta para mim na Balducci's, para eles me
mandarem uma caixa com brie, caviar, chocolate e cigarros uma vez por semana --
acrescentou ele. -- Vou sentir falta do meu apartamento, mas  melhor do que nada... --A
voz dele falhou e ele enfiou a cara no monte de plos brancos do pescoo de Sweetie. --
West Point
-- disse ele, a voz abafada. -- A porra da West Point!
De repente Nate Archibald apareceu ao lado dele e Chuck olhou para cima, dando um
sorriso detestvel, como seja no estivesse quase aos prantos.
-- Eu acabei, se quiser ser o prximo -- resmungou ele, claramente sem disposio para se
abrir diante de outro homem. Chuck se levantou e levou o macaco para onde Tiphany
estava dando banho em Tooter. -- Posso ajudar? -- piou ele na voz do macaco.
Nate ps as mos nos bolsos da cala caqui e mudou de posio, passando de um p a
outro. Depois ele se sentou no lugar de Chuck.
-- Acho que eu caguei tudo--admitiu ele para a cmera.
-- Quer dizer, a vida da minha namorada est, tipo assim, um desastre e eu nem posso ligar
pra ela. -- Seus olhos verdes pareciam tristes e ele observava Tiphany lavar Tooter na gua
que caa em cascata da fonte.
-- Decidiu para que faculdade quer ir? -- perguntou Vanessa. Ela no ligava de ouvir
sobre a vida amorosa desse cara, mas o filme devia ser sobre o ingresso na universidade.
Nate fez uma careta.
-- Esse  o problema -- explicou ele. --Yale. Agora quero ir para Yale. -- Ele sacudiu a
cabea e sorriu infeliz para o cho. -- De jeito nenhum eu vou para a Brown. E os times de
lacrosse das outras universidades no so to bons. Mas se eu for para Yale e a Blair no
sair da lista de espera... -- Ele se apoiou nos cotovelos e semicerrou os olhos para o cu. --
Sei que foi ela quem disse isso. Mas acho que eu acreditei tambm... que a gente ia se
casar. -- Ele se sentou novamente, tirou o bon surrado da St. Jude's e esfregou os olhos,
cansado. -- Agora eu no sei.
Tiphany levou Tooter at Vanessa e apertou o corpo frio e molhado do animal na nuca de
Vanessa.
-- Aaaaai!--gritou Vanessa, quase deixando a cmera cair. Depois ela e Tiphany
explodiram numa gargalhada histrica.
Nate se levantou, ainda imerso em pensamentos enquanto se afastava.
Em seu banco do parque, Dan atirou o sorvete na lata de lixo e acendeu um cigarro. Era
estranho, mas ele e Nate estavam pensando quase a mesma coisa. Ele sempre achou que ele
e Vanessa iam ficar juntos para sempre. Agora no tinha tanta certeza.

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para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!


GLINDA, A BRUXA BOA

T legal, ento todo mundo quer ter uma fada madrinha. Bem, uma garota rechonchuda,
que  do Upper West Side e pode ou no cometer os erros mais constrangedores da vida
uma vez por semana, por acaso acaba de encontrar uma delas em uma veterana loura, alta e
linda. Como todos sabemos, S  mestre em transformar infmia em magia. No olhe agora,
mas J pode ser a prxima Jessica Simpson! Ou, melhor ainda, a prxima S...

COMPANHIA ESTRANHA

Um dos motivos para a maioria de ns estar doida para ir para a faculdade no ano que vem,
independentemente do lugar,  que vamos morar sozinhos -- sem pais nem babs nem
empregadas nem guarda-costas nem ningum nos observando. Mesmo que alguns tenham
andar prprio ou a prpria cozinha ou qualquer outra coisa em casa, a questo  que
queremos ir embora. A no ser, isto , que j tenhamos sado de casa -- como algum que
conhecemos --, e no est dando certo por causa de alguns hspedes indesejados...

A VERDADE SOBRE LIBERTY, OU LOLITA, OU O NOME QUE ELA ASSUMIU
ESTA SEMANA

Vou contar a vocs o que eu soube. Sabe aquela garota do furo peidorrento e cabelo roxo e
preto com uma trana estranha? Antigamente ela era legal. Com isso quero dizer que ela ia
a uma boa escola particular s para meninas no Upper East Side, morava em uma casa na
cidade e jogava tnis. No terceiro ano ela decidiu se rebelar, "esqueceu" de se candidatar a
universidades, largou a escola, foi deserdada pela famlia e comeou a vagar pelo pas
fazendo piercings para ganhar dinheiro. Quando est sem grana, ela sempre volta para a
cidade para sugar os velhos amigos e roubar as roupas deles. E ela sempre  to alegrinha
com tudo que em geral leva algum tempo para as pessoas se tocarem.

Seu e-mail

P: Cara GG,
Sou chefe de obstetrcia e ginecologia na maternidade do hospital Lenox Hill. Por acaso
estava de planto quando uma mulher em trabalho de parto entrou apressadamente,
acompanhada por sua filha adolescente. Minutos depois fui chamado para outra
emergncia, mas fiquei to impressionado com o modo como a filha cuidava da me que
quis descobrir o nome dela para poder recomend-la ao programa de medicina de Yale, que
eu cursei. A me estava registrada com o nome de Rose, mas no consegui encontrar a filha
em lugar nenhum. Pode me ajudar?
-- drpepper

R: Caro drpepper,
Acho que algum vai ganhar o dia -- quer dizer, a vida.
-- GG

P: Cara GG,
No acha que  meio grosseiro, tipo assim, entrar para uma irmandade exclusiva que
realmente significa alguma coisa para os outros membros e depois, tipo assim, nunca mais
ligar para as pessoas nem nada disso? Quer dizer, por que entrou, antes de tudo?
-- myowngrl

R: Cara myowngrl,
Voc nunca fez nada de que se arrependesse?
-- GG

Flagra

B andando pelo Sheep Meadow com uma Burberry com a estampa Snugli, a irmzinha
nova toda embrulhada dentro. Parece que B descobriu seu lado delicado e coberto de peles.
S e um fotgrafo de moda muito famoso escolhendo acessrios na Jeffrey para fazer umas
fotos. Havia um certo busti guarnecido de cristais que simplesmente no servia para S. Ou
ela est pensando em botar silicone, ou eles vo usar peitos falsos, ou o busti  para outra
garota... N vendo presentes para bebs em prata de lei na Tiffany & Co. Ele pode comprar
um chocalho para mim quando quiser. V e aquela garota de cabelo roxo e preto numa fila
de conga com C e o macaco dele na Five and Dime em Williamsburg. Sem comentrios. E
onde estava D? Sem comentrios.
S mais um dia para o fim de semana e j estou ouvindo boatos sobre uma festa.

Pra voc que me ama,
gossip girl

mostra-e-explica

-- Esta  Yale no lenol para beb que comprei para ela na Hermes. E aqui esto ela e Kitty
Minky vendo Bonequinha de luxo comigo na cadeira de balano. Olha, ela at est com as
meias de gatinha com as orelhinhas e bigode!
A sala das alunas na sexta-feira estava na meia hora sagrada durante a qual as veteranas da
Constance Billard se sentavam no cho da sala do terceiro ano--uma sala de aula
minscula no quinto andar -- bebendo capuccinos, trocando fofocas e opinies pessoais
sobre as novas compras de roupas. Nessa sexta era o primeiro dia de Blair de volta  escola
desde O Beb, ento a meia hora foi usada num mostra-e-explica.
-- E aqui est ela dormindo no moiss.
-- Ai -- disseram trinta meninas em coro.
-- E onde ela conseguiu esse mobile incrvel da vaca pulando a lua de prata? -- perguntou
Laura Salmon.
-- E da Tiffany. Foi um presente.
De Nate, acrescentou Serena silenciosamente de onde estava sentada  margem do grupo.
Nate tinha at ligado da Tiffany para Serena para que ela o ajudasse a escolher alguma
coisa.
-- O cesto onde ela est dormindo  to lindo -- acrescentou Isabel Coates. --Adoro como
a fita rosa fica nas mos dela.
Obrigada, pensou Serena. Ela encomendou o cesto de uma butique para bebs do sul da
Frana e ele fora enviado especialmente para ela.
--- Foi tranado a mo com ramos de salgueiro por monges alsacianos -- revelou Serena.
-- Deve ficar na famlia e virar herana.
O que significa que era um presente para Blair tambm.
Blair desviou os olhos da cmera digital. Ela e Serena no se falavam desde a infeliz
festinha de abertura-de-cartas-de-admisso-das-universidades, e estava bem bvio que os
generosos presentes para o beb que Serena e Nate tinham mandado para a me dela
significavam ofertas de paz. Mas Blair nunca foi de perdoar e esquecer com facilidade.
A primeira sineta tocou e o grupo espremido de meninas resmungou e comeou a se
dissipar, recolhendo livros, canetas, borrachas, escovas e o que mais precisassem para
passar o dia, enquanto ainda se demoravam para ouvir Serena e Blair se enfrentarem.
Serena ficou onde estava, abraando os joelhos e vendo Blair arrumar as coisas da escola na
mochila Fendi azul-clara pequena demais para os livros.
-- Ela  linda -- disse Serena a Blair com sinceridade. Blair deixou escapar um meio
sorriso. Sim, Yale era linda
-- Como foi o fim de semana?--perguntou Blair. -- Para onde acha que vai?
Era uma pergunta espinhosa. Se Serena dissesse Yale, Blair arrancaria seus olhos e os
queimaria no cho, e se dissesse outra universidade, ela estaria mentindo, uma vez que
ainda no tinha se decidido. Mas Yale ficava mais perto da cidade e tinha Lars e os
Whiffenpoofs, e aquele ar nervoso da Nova Inglaterra que a fazia se lembrar de casa. Alm
disso, no seria muito divertido se ela, Nate e Blair fossem amigos de novo e todos fossem
para l juntos?
Ela se arrastou de bunda pelo carpete vermelho macio em direo a Blair e comeou a
explicar.
-- Na verdade, eu estou apaixonada. Por todas elas. Cada universidade. -- Ela corou
enquanto enfiava uma mecha de cabelo atrs da orelha. -- Eu me apaixonei por meus
guias. Eram todos homens e eram to...
Blair ergueu a mo e revirou os olhos. Ser que ningum nem nada mudava?
-- No quero saber. -- Na realidade, ela queria, mas sabia que Serena ia acabar contando
de qualquer jeito.
-- E voc? -- perguntou Serena, curiosa. -- Como foi na Georgetown?
Blair revirou os olhos de novo e tocou o cabelo, meio constrangida.
-- No vai querer saber. Serena deu de ombros.
-- No importa. Voc vai para Yale, de qualquer forma -- declarou ela com confiana.
A segunda sineta tocou e as outras meninas vagavam por ali, vendo Serena e Blair pelo
canto do olho enquanto fingiam beber nos copos de capuccino vazios.
-- Eu soube que Serena conseguiu um supercontrato de modelo para o ano que vem, para
dar o lugar dela em Yale para Blair. A Blair s precisa fingir que  ela -- cochichou Kati
Farkas a Isabel Coates.
E quem Serena vai fingir ser? Kate Moss?
-- Eu ouvi dizer que ela e Blair vo levar os bebs delas para Yale e criar um grupo de
apoio a lsbicas-com-filhos -- sibilou Isabel Coates.
-- Ai, meu Deus. Eu vi totalmente Serena no ginecolo-gista da minha me ontem --
ofereceu Laura Salmon. -- Eu estava esperando pela minha me, e depois ouvi Serena
dizendo que tinha pegado todas aquelas doenas dos caras com quem ela dormiu no fim de
semana. Ai!
-- Pera, pensei que elas estivessem brigadas--disse Kati. -- Olha, elas esto se abraando.
Cada uma das meninas se virou para olhar por sobre o ombro enquanto Serena e Blair
estavam unidas.
-- O Nate tem ligado, tipo assim, umas dez vezes por dia para perguntar de voc --
murmurou Serena enquanto apertava o rosto no de Blair.
Blair mordeu o lbio superior.
-- Ele mandou uma coisa muito bonitinha para Yale.
-- Voc sabe que ele te ama -- disse Serena, embora ela no precisasse dizer. -- E todos
ficamos muito mais felizes quando no brigamos.
--  -- admitiu Blair. Mas Nate ia ter de provar isso a ela sozinho.
At parece que ela precisa ser to durona para conseguir.

glinda a bruxa boa e sua ajudantezinha

- Posso me sentar aqui? - perguntou Elise a Jenny na hora do almoo da sexta-feira.
- No sei por que eu ia querer - grunhiu Jenny. Desde que sua foto medonha aparecera
naquela revista, ela ficava se esgueirando de caba baixa, evitando lugares pblicos a todo
custo. S estar na escola j era excruciante. Mas seu pai a obrigara a ir, e agora ela estava
estacionada na mesa ao lado do espelho de sempre, olhando para o prprio reflexo.
- Comprei um sanduche de sorvete para voc. - Elise se sentou de frente para Jenny e
empurrou o sorvete para ela.Jenny o afastou. Estava em greve de fome.
- No estou com fome. Na verdade, estou quase indo embora - acrescentou ela, rabugenta.
Ento Elise estava tentando ser amiga dela de novo? Sinceramente, ela no estava com
humor para isso.
Elise pingou mel de uma embalagem pltica em uma xcarade ch, comeando a pequena
cerimnia do ch que fazia todo dia na hora do almoo desde que ela e Jenny brigaram.
- Fica aqui sentada comigo um pouquinho - pediu ela numa voz que beirava o desespero.
Jenny juntou as sobrancelhas.
- Por qu?
Elise mexeu o ch e tomou um gole com cuidado.
- Sei l. - Ela olhou para o salo, como se procurasse por algum. - Porque eu te pedi?
Jenny soltou um suspiro pesado e se levantou.
- Olha, vou para o laboratrio de informtica, t legal? - Pelo menos l ela podia se
esconder de todos os olhares maldosos enquanto fingia mandar e-mails a todos os amigos
que no tinha. - Te vejo depois.
Elise pegou o brao dela.
- Espera. Senta a. S mais um minuto.
Jenny puxou o brao.
- Qual  o seu problema?
A cara sardenta de Elise ficou vermelha feito uma beterraba.
- Eu s... - E ento Serena mergulhou seu lindo traseiro na mesa e Elise soltou um longo
suspiro de alvio. - Pensei que ia ter de sentar em cima dela para ela no sair daqui -
resmungou ela.
- O que  que t rolando? - perguntou Jenny. Ento agora Elise e Serena estavam, tipo
assim, trabalhando juntas para sabotar a vida dela e torn-la ainda pior do que j estava?
Mas que coisa mais linda.
Serena pegou uma pilha de revistas da bolsa.
- Antes que diga alguma coisa, posso te mostrar as coisas que Jonathan Joyce tem feito? -
Ela folheou as revistas e comeou a apontar as fotos. - Aqui. E aqui. E olha como isso 
bacana!
Jenny ficou vidrada nas fotos. Modelos brincando em uma cama com pouca maquiagem, ou
nenhuma, com camisetas velhas e calas baggy de homem. Uma garota sentada sobre as
pernas, tomando um copo de leite. Um homem beijando seu cachorro. Uma comissria de
bordo dormindo em um saguo de aeroporto coberta pelo palet do piloto. No havia nada
de provocante nas fotos. Eram simplesmente timas.
- Ele quer nos fotografar no carrosel do Central Park no sbado - continuou Seena. - As
roupas so incrveis... escolhemos juntos. - Ela sorriu radiante para Jeny. - E o melhor de
tudo  que a gente vai ficar com as roupas que usar nas fotos.
Jenny no sabia o que dizer.  claro que parecia empolgante, e a hitria de ficar com as
roupas era definitivamente o mximo, mas como ia saber que no era outra sacanagem
degradante olha-a-garota-do-peito?
- Tenho uma festa de aniversrio no sbado em Williamsburg - protestou ela, sem
convencer.
- Mas no vai durar at a noite - argumentou Elise. - Eu posso ir com voc na sesso de
fotos, e posso gritar e apitar se eu achar que sua integridade est sendo comprometida.
Se deixasse, Elise ia partir para os termos clnicos que ela leu em um dos livros de auto-
ajuda da me. Jenny cruzou os braos, cobrindo a parte de sua integridade que era
comprometida com mais frequncia.
- Eu o fiz prometer que no vai nos fotografar com naa que seja revelador - acrescentou
Serena. - Ele est interessado mesmo em nossa cara.
Jenny examinou seu reflexo na parede espelhada diante dela. Tinha um rosto com, e quele
cara famoso queria tirar uma foto dele. Qual era o problema?
Ela respirou fundo.
- Tudo bem. Eu vou.
- Ueeeebaaaa! - Serena lhe deu um abrao apertado. - Vai se incrvel, voc vai ver!
As outras meninas que comiam no refeitrio olharam curiosas.
- Vai ver a Jenny concordou em doar o tecido adiposo dos peitos dela para os implantes de
Serena - arriscou Mary Goldberg.
Ou talvez Serena tenha encontrado o jeito perfeito de evitar a gangue de perseguidores da
Ivy League que vinha  cidade para v-la no sbado!

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oi, gente!

QUE HISTRIA  ESSA DE FESTA?

Mas a ser no Brooklyn e as pessoas que vo dar a festa no so basicamente do tipo que
vemos socialmente, mas no h muito mais o que fazer neste fim de semana, e uma festa
no  feita pelas pessoas que do:  feita pelas pessoas que vo. Ento eu digo o seguinte,
vamos nessa, e levem todo mundo que vocs conhecem, e vamos detonar. Entenderam?

Seu e-mail

P: Cara GG,
Eu vou para Georgetown e soube que tanta gente usou a Georgetown como opo de
segurana este ano que a universidade est fazendo de tudo para convencer as pessoas a
irem para l. Tipo assim, mandando um grupo de garotas a Nova York neste fim de semana
para recrutar toda a galera que entrou.
- gshock

R: Cara gshock,
Por acaso esse grupo especfico de meninas tem o cabelo pintado de louro e cicatrizes de
tanto raspar as pernas?
- GG
P: Cara GG,
Estou no programa ROTC em Yale, o que significa que meus estudos so pagos pelo
exrcito, e fao treinamento bsico ao mesmo tempo. O oficial responsvel pelo meu
programa recebeu uma carta daquela garota que disse que estava na lista de espera de Yale,
mas ela entraria para o programa se eles prometessem uma vaga para ela. Ento o oficial do
programa decidiu me mandar a Nova York para conhec-la. Ela escreveu num papel de
carta estranho com sapatos em toda parte e ps uma foto da irm beb dela na carta. O
nome da irmzinha dela  Yale. No parece coisa de biruta?
- armygurl

R: Cara armygurl,
Voc no sabe no que est se metendo. Um conselho: use o capacete.
- GG

Flagra

N na FAO Schwarz, tentando decidir entre um pnei de pelcia em tamanho natural e um
centro de diverso para bero que toca DVD e MP3.  legal que ele seja to generoso e
tudo isso, mas j est ficando ridculo. S e J na Bendel`s, comprando para festejar enquanto
E, a amiga de J, carregava devidamente as sacolas.
B apresentando a nova irmzinha ao departamento de calados da Barneys, onde todo
mundo sabe o nome dela. Dez rapazes lindos na fila de New Haven cantando uma msica
de Amor sublime amor. Aquela amiga do furo peidorreiro de V comprando uma
mochilona cheia de birita numa loja de bebidas da Williamsburg. Acho que algum est se
preparando para festejar pra valer. D sentado sozinho em um restaurante de Williamsburg
tarde da noite, escrevendo. Um poema de aniversrio para V, quem sabe?

No se esqueam, e no se esqueam de dizer a todo mundo que vocs conhecem para que
no se esqueam  amanh  noite todo mundo aprontando no Brooklyn.

A gente se v l!

Pra voc que me ama,
gossip girl

e ele achava que ningum ia

-- Feliz aniversrio. -- Dan deu a Vanessa o poema que tinha escrito para ela e se apoiou
no batente da porta. -- Eu queria te dar isso antes que chegue mais algum.
-- Nem diga "Se algum vier"--alertou Vanessa.--Eles viro. -- Ela se curvou na pia do
banheiro, vendo seu reflexo enquanto passava nos lbios o batom preto-arroxeado de
Tiphany. Depois ela se sentou na privada e comeou a ler o poema em voz alta.

uma lista de coisas que voc adora:

preto
botas com ponta de ao
pombos mortos
chuva suja
ironia
eu

uma lista de coisas que eu adoro:

cigarros
caf
voc e seus braos brancos como ma
mas o problema das listas  que tendem a se perder


-- Obrigada -- disse Vanessa. Ela dobrou a folha de papel e enfiou na gaveta do armrio
debaixo da pia onde Ruby guardava todas as coisas de cabelo e a maquiagem.
Era uma reao meio esquisita a um poema que devia ser agridoce.
-- Meu Deus, cara, voc precisa comear a tomar plulas de felicidade -- murmurou
Tiphany do corredor. -- Como  que pode escrever um poema para o aniversrio da
namorada que parece to melanclico!--Ela cutucou Dan quando passou por ele, pegou o
batom na pia e passou na boca. -- Rosas so vermelhas, violetas so azuis. -- Ela puxou
Vanessa para cima e lhe deu um beijo no rosto, deixando uma marca borrada de preto-
arroxeado. Depois ela a beijou na outra bochecha. -- Cara, voc est uma gata assim toda
cheia de batom!
As duas meninas riram e se olharam no espelho. Tiphany usava uma blusa de seda preta
que pegou no armrio de Ruby.
-- Blusa legal -- observou Vanessa.
-- Cala legal -- disse Tiphany em resposta. Vanessa tinha pegado a cala de pijama
listrada de zebra de Ruby e ela realmente meio que deu certo com uma minissaia de brim
preto, uma camiseta preta e botas de combate. Bem uma mistura de Blondie com Sex
Pistols.
Dan se afastou, querendo que Tiphany no estivesse no seu humor rude habitual e ouvisse o
poema dele. E da, se no era todo animado, alegrinho e divertido? Ainda era um poema de
amor. E havia uma mensagem nele, se ao menos Vanessa tivesse tempo para ouvir.
-- Ontem eu estava pensando que podia ser uma noite legal para fazer um piercing --
anunciou Tiphany.
Vanessa olhou para ela no espelho. As orelhas de Tiphany no tinham brinco nenhum.
--  mesmo? Tipo onde?
Tiphany riu e ergueu as sobrancelhas agourentamente.
-- Eu no, bobalhona. Voc!
A campainha da portaria tocou repetidamente e Tiphany pegou o brao de Vanessa e a
arrancou do banheiro.
-- Convidei umas pessoas. Voc no se importa, n?
-- Claro que no -- disse Vanessa, feliz por sair do assunto do piercing.
Dan abriu a portaria para eles e um minuto depois uma tropa de caras enormes com
sobretudos sujos e cheirando a tinta irrompeu no apartamento com as botas de trabalho.
-- Oi, rapazes. -- Tiphany arrastou um saco pela sala e o abriu. Estava cheio de
garrafinhas de vodca Grey Goose. -- Essa  minha equipe da obra. Eles no falam ingls
muito bem. --Ela passou a cada um deles uma garrafa e depois abriu uma para si mesma.
-- Hora de se divertir!
Dan entrou na cozinha para preparar uma xcara de caf bem forte para ele. Os caras da
obra tinham cheiro de removedor de tinta e provavelmente eram todos psicopatas, assim
como Tiphany. Mas, se eles no falavam ingls, ele no teria de conversar com eles, o que
era bom.
Vanessa no ligava que um bando de homens estranhos estivesse em sua casa, desde que se
comportasse. Pelo menos agora parecia mais uma festa. Ela foi at o aparelho de som e ps
um EP da banda de Ruby. Como era aniversrio dela, ela meio que sentia falta da irm.
"Prick my finger, kiss my ass!", berrava a voz de Ruby dos alto-falantes.
-- Serena! Conheci uma garota chamada Serena! -- ecoou um grupo de vozes mais
meldicas do lado de fora do apartamento.
A porta da frente ainda estava aberta. No corredor estava um cara louro e meio infantil
seguido por outros nove rapazes, todos usando terno azul-marinho e gravata de Yale, com
uma rosa vermelha na lapela.
-- Serena est aqui? -- perguntou o louro. Na verdade, ele nem disse a pergunta, ele
cantou.
-- Aindaaaaa no -- cantou Tiphany em resposta. -- Mas eeeeeentraaaaaa au! --
Ela passou uma garrafa de Grey Goose a cada um deles. -- Vocs tambm danam ou s
cantam?
Dan estava parado na cozinha, fumando como uma chamin e engolindo caf. A festa
estava se transformando em uma coisa sada de Amor sublime amor--operrios contra
cantores. Talvez eles tivessem um tambor.
Vanessa estava empoleirada no peitoril da janela, filmando as pessoas. A festa j estava to
doida que ela no conseguia imaginar o que ia acontecer depois.
E ento a porta da frente se abriu um pouco e entrou um macaco branco usando uma
camiseta vermelha com o S monogramado.
-- Sweetie!--gritou Tiphany, pegando o macaco nos braos. -- Tooter est dormindo no
armrio. Mas, se ele souber que voc est aqui, aposto que vai sair para brincar.
-- Algum quer um charuto? -- perguntou Chuck Bass, brandindo um punhado deles. --
O mordomo do meu pai acaba de trazer um ba deles de Cuba.
O mordomo dele?
Os Whiffenpoofs e a equipe da obra de Tiphany se serviram dos charutos. Tiphany levou o
macaco de Chuck para o armrio onde Tooter estava dormindo no cho, enroscado em cima
do suter cinza preferido de Dan.
-- Sem macaquices a, hein, crianas?--disse ela, fechando parcialmente a porta para que
eles tivessem privacidade. Ela se virou para Vanessa. -- Agora, que tal o piercing?
Vanessa sorriu, nervosa.
-- Eu sempre quis fazer um na boca.
-- T feito! -- Tiphany agarrou um dos caras da obra pela camisa. -- Gelo, agulhas,
vodca, fsforos. No banheiro. Vai -- ordenou ela, empurrando-o novamente.
De repente quatro louras usando suter cinza da George town apareceram na porta, de mos
dadas.
-- Blair Waldorf est a? -- perguntou uma delas.
-- Ainda no -- respondeu Tiphany, como se conhecesse Blair a vida toda. Ela deu uma
garrafa de vodca a cada uma das meninas. -- Mas estou fazendo piercing no banheiro, se
quiserem vir.
As quatro meninas se olharam cobiosamente, os olhos brilhando. Elas sempre quiseram
fazer tatuagens iguais. Pier cings iguais no umbigo ia ser melhor ainda.
-- Vamos nessa! -- gritaram em unssono.
Vanessa baixou a cmera e as seguiu pelo corredor at o banheiro. Afinal, era aniversrio
dela. Por que no?
Porque ia doer pra caramba?

b&n

Yale tinha uma enfermeira em tempo integral que dividia o quarto com Myrtle, mas sempre
que Blair ouvia o choro do beb, corria para o quarto antes que a bab chegasse l e
afagava a cabea careca de Yale at que ela se aquietasse novamente. Ela fazia isso com
tanta regularidade que a enfermeira nem se incomodava mais de se levantar quando ouvia
pela bab ele trnica que Yale estava chorando, porque logo em seguida escutava os
arrulhos de Blair, "Quem  a minha princesinha?", numa voz que ningum sabia que Blair
era capaz de fazer.
Nessa noite, porm, a enfermeira realmente teria de fazer seu trabalho, porque Blair ia sair.
-- Volto daqui a duas horas--prometeu ela  irmzinha.
O txi a deixou em um trecho da Broadway em "Williamsburg que s podia ser descrito
como miservel. Havia lixo espalhado em toda a calada e cada porta estava pichada. Ela
sups que a anormal de cabea raspada da Vanessa e a irm dela achavam que era urbano,
duro e bacana morar em um lugar assim, mas Blair podia viver sem o urbano, o duro e o
bacana, muito obrigada. A Quinta Avenida era perfeitamente adequada para ela.
Blair subiu no quadrado de cimento cheio de coc de pombo que servia de degrau e tocou o
interfone para o apartamento de Vanessa. Ningum atendeu. Ela tocou novamente. De
novo, nenhuma resposta. E agora, o que ela devia fazer?
-- Acho que deixaram aberto--disse uma voz conhecida. Blair girou rapidamente e viu
Nate parado abaixo dela na
calada. Ali estavam eles, juntos, no Brooklyn. Era totalmente inesperado.
Como se ele no fosse o motivo de ela vir  festa, antes de mais nada.
-- S vim para ver quem estava aqui. No posso ficar muito tempo -- disse ela a Nate
asperamente. Ele parecia meio cansado e descuidado, mas de uma forma bonitinha. Como
se tivesse tirado uma soneca todo vestido. Na verdade, ele estava exatamente do jeito que
Blair gostava.
-- Eu tambm. -- Nate a olhou timidamente com aqueles olhos verdes e brilhantes dele. --
Voc est linda. Eu... eu gostei do seu cabelo.
Blair tocou o cabelo. Ele era a nica pessoa em todo o universo que percebeu que estava
um pouco mais escuro do que antes.
-- Obrigada.
-- E a, como esto as coisas em casa, com o beb e tudo? -- perguntou Nate. Ele enfiou as
mos nos bolsos como se no tivesse certeza do que fazer com elas.
Algum atirou uma garrafa de vodca pela janela e ela se espatifou na calada s a seis
metros de distncia. Blair desceu do degrau de cimento. No ia subir, no agora.
-- Yale ... --A voz dela falhou enquanto ela lutava para encontrar as palavras certas que
descrevessem a irm mais nova. -- Perfeita -- disse por fim.
Havia um brilho de felicidade nos olhos de Blair que no estavam ali antes.
-- Eu queria conhec-la um dia -- acrescentou Nate. Blair estendeu a mo para o brao
dele. O que estavam
fazendo numa festa no Brooklyn, onde nenhum dos dois queria estar?
-- Vamos l agora.
Justamente nesse momento um txi encostou e Serena, Jenny, Elise e dois caras vestidos
com ternos amarelo-banana Dolce & Gabbana desceram. Depois outro txi parou e deixou
quatro modelos com roupas de Carmen Miranda, completas, com turbante de frutas e tudo.
E em seguida outro txi cheio de modelos, e depois os Raves -- sim, a banda toda, menos o
vocalista, que tinha acabado de sair -- desceram de outro txi.
-- Nossa limo Hummer quebrou, ento tivemos de pegar um txi -- explicou Jenny a Blair
e Nate com um riso de felicidade.
Blair apertou mais o brao de Nate e puxou-o para o primeiro txi vazio.
-- Vamos.
Serena pestanejou enquanto eles subiam no banco traseiro.
-- Comportem-se, os dois!
Blair sorriu e deixou a cabea tombar no encosto de couro falso do txi. A perna de Nate
estava tocando a dela e todo o corpo de Blair ardia com o calor dele. Ela se sentiu meio
como Sandy no fim do filme Grease -- Nos tempos da brlhantina, quando ela e Danny
disparam naquele carro envenenado, deixando todos os outros no festival da escola. Sempre
ficava muito bvio para Blair o que Sandy e Danny iam fazer em seguida, com Sandy
vestida naquela cala de vinil preto e tudo. Ele mal conseguia tirar as mos dela.
"You're the one that I want -- ooh, ooh, ooh, honey!" Nate deslizou a mo entre os joelhos
de Blair e deixou-a ali.
Ah, ela ia se comportar direitinho a noite toda.

J anda com uma comitiva

Dan mal reconheceu a irm. Ela e Serena irromperam na festa parecendo estrelas de cinema
com a mesma roupa, leggings listrados de turquesa e preto, botas pontudas e colete de
couro turquesa. O cabelo tinha passado por uma escova, elas estavam com clios postios e
os lbios com batom rosa-chocking.
Uma mistura de motociclista piranha da dcada de 1980 com Mod Squad.
Melhor ainda, elas eram seguidas por toda uma turma de modelos e gente da moda da
sesso de fotos, e os membros de uma nova banda de sucesso chamada Raves. Elise
tambm estava ali, vestindo um macaco laranja berrante que Jonathan Joyce dera a ela de
presente por ser to boazinha nas fotos.
Jenny partiu para cima de Dan e lhe deu um beijo no rosto,
-- Feliz aniversrio! -- guinchou ela, embora soubesse perfeitamente que no era
aniversrio dele. Ela acabara de ter o melhor momento da vida e estava fervendo de
adrenalina. -- Cad a Vanessa?
Dan enfiou o dcimo nono cigarro da noite entre os lbios e o acendeu rapidamente.
-- No banheiro, fazendo um piercing -- respondeu ele com amargura.
-- Caraa! --Jenny lhe deu outro beijo no rosto. -- Que festa tima!
A banda comeou a montar o equipamento na sala. Elise apareceu para arrastar Jenny dali.
-- Se nos der licena, Daniel, tem uma coisa que preciso mostrar a Jennifer. -- Ela pegou
Jenny pelo cotovelo. --Vai gostar de ver isso. Est no armrio.
Seriam aqueles dois animaizinhos fazendo baguna, quem sabe?
Dan no sabia por que estava to preocupado. Jenny estava bem. Talvez fosse a diferena
entre os 14 e os 18 anos. Quando se tem 14 anos, uma coisa que hoje parece o fim do
mundo pode ser totalmente esquecida amanh. Quando se tem 18, sua vida est muito mais
perto de acabar.
Ah, d um tempo. Ele ainda nem fez 18!
A banda comeou a tocar e de imediato todos passaram a sacudir o corpo. Na ltima hora
tinha entrado um fluxo contnuo de pessoas e o apartamento estava apinhado de alunos de
cada escola particular de Manhattan. Agora que eram veteranos no segundo semestre, no
importava se conheciam Vanessa ou no. D-lhes um motivo para pirar e as pessoas
aparecem.
Dan no estava com muita vontade de danar nem de pirar. Em vez disso, ele decidiu ficar
bbado. Vagando pela sala de estar, ele pegou uma garrafa de Grey Goose do saco meio
vazio de Tiphany e depois se encostou na parede para beber e ver a banda tocar. Chuck
Bass danava com uma das garotas da Georgetown.
A menina tinha acabado de fazer um piercing no umbigo e estava cheia de Band-Aid, e o
apito de metal, pendurado numa corrente no pescoo, ficava subindo e batia em seu nariz
arrebitado.
Considerando o parceiro de dana, aquele apito podia ser uma mo na roda.
Uma garota de uniforme completo do exrcito, at capacete e chapa de identidade, foi at
Dan e o cumprimentou.
-- Viu Blair Waldorf? -- perguntou ela.
Dan sacudiu a cabea e tomou um gole gigante de vodca. No tinha muita certeza de como
isso ia se manifestar, mas sua prpria pirao no ia demorar muito.

s no consegue manter seus meninos na linha
Serena danava com os dois stylists gays da sesso de fotos, os ternos amarelo-banana
fazendo um forte contraste com a legging azul-turquesa dela de um jeito espalhafatoso de
que ela no se cansava.
-- Serena? -- Um rapaz alto com culos de aro prateado entrou em seu campo de viso e
pegou a mo dela. Serena parou de danar, o corao todo alvoroado. Era Drew, de Har-
vard. Ou seria da Brown?
-- Oi -- disse ela devagar, batendo os clios postios para ele. Ela apontou para a legging
listrada maluca e as botas brancas pontudas. -- Como v,  assim que eu me visto
normalmente. -- Ela agora lutava para situar Drew. A essa altura os rapazes estavam todos
um borro s. Ele era o cara que toca xilofone ou  o pintor?
Drew deu um sorriso duro. Ele parecia pouco  vontade no terno J. Crew elegantemente
passado e sapatos de camura marrom. Era como se mal pudesse esperar para dizer:
"Vamos cair fora desta pocilga e tomar um caf em algum lugar elegante e sossegado."
Serena hesitou. Ela queria ser aquela garota, queria mui to. A garota que tomava caf com o
namorado. Um casal. Mas ela no queria perder a festa.
De repente algum pegou-a pela cintura e baixou-a num mergulho exagerado. A respirao
de Serena ficou presa na garganta enquanto ela via a cara quadrada do colega de quarto de
Drew.
-- Opaaa! -- exclamou ela, os olhos arregalados.
-- Deve se lembrar do Wade -- disse Drew, parecendo ainda mais desconfortvel do que
antes. --Ele insistiu em vir.
Wade puxou-a para mais perto e lhe deu um beijo na boca. Smack!
-- Est feliz? -- perguntou ele.
Serena no queria parecer fcil, mas tinha de admitir que estava mesmo feliz. Quando mais
alegre melhor, no que dizia respeito a ela. Uma baixinha louro-avermelhada com uma bolsa
Kate Spade preta e caretinha bateu no ombro dela.
-- Conhece Nate Archibald? -- perguntou a mulher. Serena assentiu.
-- Ele j foi. -- Drew ainda estava parado ao lado dela, as mos nos bolsos, com cara de
quem precisava fazer alguma coisa. -- Esse  meu amigo Drew -- disse Serena  loura. --
Ele  de...
-- Harvard -- completou Drew, erguendo a mo naquele jeito encantador de nerd dele.
Do outro lado da sala os Whiffenpoofs comearam a cantar com os Raves. Eles eram
incrveis. Serena ficou na ponta dos ps para acenar para eles e todos os dez rapazes lhe
sopraram um beijo. Mas no estava faltando algum? O artista da Brown. Ele no a amava
tanto quanto os outros?
Ah, amava sim.
As pessoas estavam se amontoando perto das janelas, vendo alguma coisa que acontecia na
rua.
-- Me pe no ombro? -- pediu ela a Wade com doura.
Wade carregou Serena at as janelas e ela viu, por sobre a cabea dos espectadores, do que
tratava toda aquela confuso. Na rua, algum estava pintando em spray um mural em tons
de verde e dourado. Era Christian, a cabea escura curvada com seriedade no trabalho. 
medida que o mural tomava forma, ficou evidente que era um retrato de Serena, com
borboletas verdes fosforescentes no cabelo e asas douradas brotando dos ombros, como
uma espcie de anjo glorioso.
Serena riu, constrangida pela adorao exagerada de Christian, mas se divertindo assim
mesmo. Talvez o amor verdadeiro no fosse exatamente o que ela queria. Talvez s fosse...
amor. E ela estava cercada dele.

o chocalho de morder de b deixa n ligado

-- Ande por este lado do quarto -- sussurrou Blair. -- As tbuas do cho rangem ali.
Nate seguiu-a pelo quarto do beb, iluminado apenas por um abajur de papel em forma de
lua, at onde Yale estava dormindo em seu bero branco cheio de fitas. No canto, perto da
janela, o pnei em tamanho natural que ele tinha mandado da FAO Schwarz os olhava
como um sentinela.
O beb estava enrolado em um cobertor rosa e deitado de costas, a cara franzida e vermelha
parecendo nova.
-- V como os olhos dela esto se mexendo por baixo das plpebras -- sussurrou Blair. --
Ela est sonhando.
Nate no conseguia imaginar o que algum to novo no mundo podia sonhar, mas imaginou
que devia ser como um daqueles sonhos que ele tinha quando ficava muito chapado. Nada
acontecia, ele simplesmente sentia as coisas. E ele sempre acordava com fome.
Blair estendeu a mo para o bero e pegou um pequeno chocalho de prata. Parecia um
haltere minsculo.
-- Isto era meu quando eu era beb. -- Ela o virou. -- T vendo todas as marcas de
mordida?
Ela passou o chocalho a Nate.  primeira vista, parecia liso, mas quando ele olhou mais de
perto pde ver centenas de marcas. No era surpresa que Blair tivesse sido uma morde-dora
to voraz, obsessiva e agressiva desde o incio. Mas havia alguma coisa calma nela agora,
como se aquietar o beb a tivesse ensinado a se acalmar tambm.
Nate devolveu o chocalho a ela e o chocalho fez um barulho. Imediatamente Yale comeou
a se remexer e a gemer, os braos e pernas chutando em todas as direes e o rosto se
enrugando como uma ameixa seca.
Blair se curvou no bero e pegou a irm.
-- Shhhhh -- sussurrou ela. -- No foi nada. Volte a dormir. -- Ela embalou Yale at que
ela parasse de se agitar. Depois colocou o beb novamente no bero e enfiou o cobertor em
volta dele. -- Pronto. V dormir -- disse ela de novo e depois olhou para Nate.
-- Ela  linda -- disse Nate a ela, a voz falhando. Silenciosamente, ele pegou a mo de
Blair e puxou-a para o corredor. Ela fechou a porta do quarto e ele a abraou com fora,
colocando os lbios nos dela.
-- Meus pais viajaram -- sussurrou ele no cabelo dela. A cobertura estava to silenciosa
que Blair praticamente
podia ouvir o prprio corao batendo. Tyler e Aaron estavam vendo filmes na biblioteca, e
a me e Cyrus estavam fora. Mas ela no podia transar com Nate ali, no com Yale deitada
dormindo inocentemente no quarto ao lado. Ela fechou os olhos e o beijou de novo antes de
sussurrar:
-- Tudo bem, estou pronta.
At que enfim.

j est ansiosa por um futuro escandaloso

Jenny nunca foi uma grande danarina, mas como podia deixar de danar naquelas botas
brancas pontudas e doidas? E o que seu colete de couro turquesa tinha de maravilhoso era
que mantinha tudo no lugar. No tinha peito se esparramando. Nenhuma apalpadela
acidental. Nada se balanando e cambaleando. Mas mesmo sem o colete ela teria se sentido
tima. Mais do que tima.
Os Raves pararam de tocar e anunciaram que iam fazer um pequeno intervalo. Os
Whiffenpoofs, porm, s estavam comeando.
-- Um, dois, um dois trs... -- comearam eles a cantar naquela harmonia tradicional a
capela. --Jenny, oh, Jennifer -- comearam a fazer uma serenata para ela. -- A irmzinha
de Serena, Jennifer. Elas no se parecem. Uma  alta, a outra baixa, mas so as gatas
mais doidas do mundo.
Serena apareceu e passou o brao nos ombros de Jenny, balanando-se com a msica. Os
outros convidados ficaram vagando pela sala, sem prestar muita ateno, agora que a
msica de verdade tinha parado.
-- Jennifer, ela tem umas tetas enormes!--cantou Chuck Bass em voz alta enquanto
passava pelas duas meninas, sacudindo a bunda bbada com o macaco nos ombros e a
boina do colgio militar na cabea. Alguns risos abafados ecoaram pela sala.
Epa.
-- Voc sabia que eles transaram uma vez, n? -- cochichou uma garota da Seaton Arms
para a amiga. -- Foram pegos numa festa em outubro, no banheiro. Ela estava, tipo assim,
totalmente nua e Chuck estava fazendo o toalete dela.
-- Pensei que ele fosse gay--disse uma menina que usava uma camiseta nova da Vassar.
-- Todo mundo quer apertar os grandes peites de jenny! -- continuou Chuck de uma
forma irritante.
-- Chuck Bass tem cabelo na bunda! -- contra-atacou Serena em voz alta, -- ignore --
disse ela a Jenny.
Mas, em vez de ficar roxa de ultraje e totalmente envergonhada, Jenny no conseguia parar
de rir. Duas semanas antes a pequena performance de Chuck teria sido um desastre para
ela. Agora todo mundo estava rindo dele, e no com ele. E agora que ela passara por um
escndalo -- ou dois ou trs -- e sara ilesa, estava mais resistente. Jenny tinha um
passado, uma histria. Ela era a garota de quem no se conseguia parar de falar. Com
peites e tudo, ela, Jennifer, estava destinada ao sucesso.
E se a vida desse uma guinada de azar e as coisas se sassem irreparavelmente mal, ela
sempre podia ir para o colgio interno, como o pai ameaara. Ali ela podia se reinventar.
Talvez ela at voltasse do internato e se reinventasse de novo, como Serena havia feito.
Jenny podia at ter tantos namorados quanto Serena. Um dia.

d explora um novo talento

-- Me arranja um cigarro, cara? -- pediu Damian Polk, primeiro guitarrista dos Raves e
um dos preferidos na msica para Dan. Dan estava bbado demais para ficar deslumbrado.
Ele ergueu o mao amassado e meio vazio de Camels que tinha aberto s meia hora antes,
depois Damian acendeu seu cigarro com o Bic amarelo de Dan. Damian usava uma espcie
de casaco militar de lona marrom com palavras em finlands ou outra lngua qualquer
pintadas em preto. Era o tipo de casaco que s uma pessoa famosa podia usar.--Por acaso
sabe quem  que mora aqui? -- perguntou ele.
-- Eu -- respondeu Dan de porre. -- Mais ou menos. Com a minha namorada.  o
apartamento da irm mais velha dela, mas ela viajou.--Ele decidiu no mencionar a
Tiphany. Preferia pensar que Tiphany no existia. E agora que pensou no assunto, ele no
viu Tiphany nem Vanessa a noite toda. Quanto tempo um piercing podia durar?, perguntou-
se ele, a cabea densa da vodca.
Damian assentiu pensativamente.
Os outros membros dos Raves se reuniam na cama, folheando os cadernos de Dan.
-- J viu este? Se chama "Putas" -- disse o baixista a Damian, erguendo o poema. -- Seria
uma perfeita, tipo assim, balada de amor rejeitado, t ligado? Tipo a msica perfeita para o
meio de um show. Especialmente depois desta engraada, "Matando Tooter".
Dan os encarou. Ainda havia uma chance muito boa de ele estar sonhando ou que tivesse
morrido depois de ser pisoteado por um dos enormes amigos operrios de Tiphany.
Damian assentiu para ele.
-- Achei o cara que escreveu. Ele  bonito o bastante para ser o homem de frente.
Dan oscilou diante dos outros. Homem de frente?
-- Mas ele sabe cantar? -- perguntou o baterista, dando uma olhada em Dan e puxando o
bigode estranho e assustador. Os Raves tinham um estilo meio misto. Parte irmo mais
velho legal, parte serial killer.
Cantar?
Damian bateu nas costas de Dan.
-- Voc vai tentar, no vai? Afinal, as msicas so suas. Cante como quiser. A gente toca
muito alto, ento voc vai achar que est gritando. -- Ele deu outro tapinha nas costas de
Dan. -- E s fazer com que fique bom, t?
-- T.
Enquanto seguia a banda at a sala, Dan sentiu como se seu corpo estivesse nas mos de um
ventrloquo louco com um senso de humor distorcido. O que ele percebeu em seguida  que
estava tirando a camisa.
Bem, ele  o homem de frente, afinal de contas. O baterista espancou a bateria algumas
vezes e uma lufada de expectativa encheu a sala.
-- Vamos fazer "Matando Tooter" primeiro, t legal? -- perguntou ele a Dan.
Dan assentiu. Ele mal sabia os versos, mas estava totalmente de porre, ento no precisava
declamar.
A banda explodiu numa batida frentica e ritmada com uma linha do baixo ondulante. Era
perfeito para o poema, ou msica, ou a merda qualquer que quisessem chamar.
-- "Est com fome? Fiz uma coisa pra voc! Morre, Tooter, morre!" -- gritou Dan no
microfone. -- "Est cansado? Eu te ponho pra dormir! Morre, Tooter, morre!"
-- "Morre, Tooter"! -- Os Whiffenpoofs fizeram coro. A sala estava apinhada e
imediatamente as pessoas pegaram a loucura, danando e tirando a roupa.
Dan rasgou a camisa. O que  isso? Ele mostrou o dedo a todos.
-- "Quer mais o qu? Vem pegar! Morre, Tooter, morre!" T legal, ento talvez ele
estivesse totalmente de porre, mas
ainda assim era melhor do que chafurdar na autopiedade e se sentir um coitadinho num
canto.
E pelo menos agora ele sabia, depois de todos aqueles anos, que escrevia msicas mrbidas
e tortuosas, e no poemas.

v mete o p na bunda de algum

- A, tem algum chamado Vanessa aqui? - gritou um cara do lado de fora do banheiro.
- Oi? - respondeu Vanessa e abriu a porta um pouco. Na ltima meia hora ela estava
curvada sobre a pia, passando gua na boca, mas o lbio ainda estava sangrando.
O cara enfiou o telefone na mo dela. Ele estava sem camisa e tinha uma tatuagem de cobra
no peito.
- Uma piranha a j ligou umas quinhentas vezes. Ser que ela no entende que a gente est
tentando ouvir a msica aqui?
Vanessa pegou o fone e o aninhou entre o queixo e o ombro enquanto Tiphany passava gelo
no lbio dela.
- Al?
- Oi,  sua irm, lembra? - Ruby gritava do outro lado da linha. - Que porra  essa que t
rolando a?
- Estou dando uma festa - explicou Vanessa, embora mal conseguisse explicar alguma
coisa. Ruby sabia perfeitamente que, alm de Dan, Vanessa tinha exatamente zero amigo.
- Ah, , a Srta. Aniversariante? E quem teria ido a essa festa?
Vanessa olhou para Tiphany.
-  a sua irm? - murmurou Tiphany. Vanessa assentiu e Tiphany apertou um punhado de
gelo na mo. - Te vejo depois. - Ela passou aos chutes pelas toalhas manchadas de sangue
que estavam no cho do banheiro, deixando a porta aberta quando saiu. A cacofonia da
msica e gritos e o cheiro de fumaa e vodca quase nocautearam Vanessa.
- So os Raves... ao vivo? Como  que , a MTV te contratou pra filmar um clip deles ou
coisa ssim? - perguntou Ruby.
- No tenho certeza - respondeu Vanessa com sinceridade. Ela sabia que a festa tinha
inchado tremendamente desde que desaparecera no banheiro, mas no sabia at que ponto. -
Mas a, a Tiphany est morando aqui.
- Que Tiphany?
- A tiphany. Voc deu a chave a ela. Ela falou que voc disse que ela podia ficar por aqui o
tempo que ela quisesse. Ela est dormindo na sua cama.
Ruby ficou em silncio por um momento.
- Pera, acho que sei de quem voc est falando. Ela tem um furo, n? E veio com toda
aquela histria de que viajou pelo mundo e fez todas aquelas coisas e s precisa de um
lugar para ficar por um tempo?
OK.
- Nem acredito que ela ainda tem a chave. No lembra a histria sobre a garota que, tipo
assim, se alojou no apartamento quando eu me mudei? Um dia eu consegui que o senhorio
a expulsasse, e o tempo todo ela agia como se fosse uma grande amiga.
Isso meio que parecia com a Tiphany.
- Mas ela nem  daqui. - Avoz de Vanessa falhou. - Ela  de todo lugar. Ela tem sede de
viajar. - Era uma das expresses preferidas de Tiphany, mas, cara, parecia idiota quando
Vanessa falou.
-  uma vagabunda - corrigiu Ruby. - E sanguessuga. A posto que no est pagando por
comida nenhuma nem nada desde que chegou a. A no ser, talvez, pelo lcool.
Vanessa no sabia o que dizer. Era verdade. Ela e Dan basicamente estavam alimentando
Tiphany h uma semana.
- E, alm disso, no podemos ter animais de estimao no nosso prdio. Esse furo pode
nos expulsar da. Toca a garota pra fora, gata. T legal?
Vanessa estava  beira das lgrimas. Como pde ter sido to idiota e deixar essa garota que
ela nem conhecia dominar sua vida? Era como Relao indecente, aquele filme terrvel com
Drew Barrymore que Vanessa ficava sem graa de admitir que tinha pegado na locadora,
onde Drew, a garota m, se muda para a casa de uma garota inocente e acaba totalmente
com a vida dela.
- Vou te ligar amanh, t legal? - prometeu Ruby.
- Tudo bem. - Vanessa desligou. Suas mos tremiam. Ela atirou o fone na pia e marchou
para a sala, esquecendo-se completamente do lbio que sangrava.
Meu Deus.
O apartamento estava um tumulto s. Meninas da Constance Bilard, da Seaton Arms e de
todas as outras escolas com que Vanessa preferia no ter relao nenhuma danavam e
giravam a bunda na pelve de rapazes da St. Jude's e da Riverside Prep.
Os membros da "turma da obra" da tiphany, que Vanessa agora suspeitava de que fossem
ladres profissionais ou coisa pior, atacavam a parede da sala com a picareta de Tiphany; o
furo de Tiphany e o macaco de Chuck Bass estavam se perseguindo no futon de Ruby, e a
prpria Tiphany estava parada na frente da TV, passando um dos filmes que Vanessa fizera
alguns meses antes, para que todos vissem. Mas onde estava Dan? Ser que ela o estava
ignorando ou era ele que a ignorava?
Abrindo caminho na multido, Vanessa investiu para Tiphany e arrancou o controle remoto
da mo dela.
- Isto  particular! - gritou ela, desligando a TV. Aos poucos ela pde sentir sua antiga
personalidade ultrajada e rabugenta voltando... e foi timo. O que a deixou com uma raiva
ainda maior foi que Tiphany havia roubado isso dela.
A, Garota.
Tiphany deu seu riso bobalho e alto de no-somos-grandes-amigas?
- Dan  um poeta chato e um ator bem ruim. - Ela apontou para a sala de estar. - Mas
misture as duas coisas e olha o que voc tem!
Vanessa olhou para ela e depois se virou para ver o que ela estava apontando. Ela no sabia
como pde ter perdido essa. L estava Dan, em cima de um engradado de leite emborcado,
sem camisa e suando, mordendo o microfone enquanto cuspia as palavras de seus poemas,
fingindo que eram msicas. Ela se virou novamente. Ia cuidar dele depois.
- Essa blusa  da minha irm - disse ela a Tiphany sem alterar a voz. - Devolva.
A boca de Tiphany se abriu um pouco.
- Voc est usando a cala dela.
- Ela  minha irm. Devolva - ordenou Vanessa. - E depois ache seus amigos e seu maldito
furo e d o fora daqui.
A raiva que estava se formando desde que conversara com Ruby no banheiro a consumia.
Era aniversrio dela e ningum parecia dar a mnima que estivessem entulhando sua cas.
Ela nem conhecia a maioria das pessoas ali.
- Todo mundo pra fora! - gritou ela. - Quero todo mundo fora daqui agora, porra!
 claro que ningum a ouviu, no com a barulheira dos gritos bbados de Dan.
Mas Vanessa tinha uma coisa a seu favor. Era a casa dela e ela sabia onde ficava a caixa de
disjuntores.Abrindo caminho por uma rapaz suado e seminu e a namorada torta de bbada
dele, ela se enfiou na cozinha, subiu na bancada e abriu a caixa de metal acima do fogo.
Com uma virada de alguns disjuntores, a msica sumiu e a nica luz acesa era a que estava
acima de sua prpria cabea.
- TODO MUNDO PRA FORA! - gritou ela novamente, a boca arreganhada de forma
inumana, como Lucy nos quadrinhos Peanuts quando ficava muito irritada com Charlie
Brown, o que doeu como o diabo com aquele lbio com piercing.
- Que porra  essa? - perguntou um cara que no usava nada alm de uma cueca samba-
cano laranja de Princeton.
- Quem diabos  ela? - gemeu a namorada dele.
Mas era uma galera bem-nascida e ningum gostava de ficar numa festa quando no  bem-
vindo. Lentamente, as pessoas comearam a sair pela porta e a descer a escada. Vanessa at
pensou ter ouvido o som distinto de uma picareta batendo no cho.
Ela se sentou no fogo, balanando as botas de combate no forno enquanto via todos irem
embora.
- Por que ela no pede s pra gente pegar leve ou coisa assim? - resmungou algum.
- O que a gente vai fazer agora?  s meia-noite - reclamou outra pessoa.
 claro que Chuck Bass tinha a soluo perfeita.
- Vamos mudar a festa para a minha casa! - gritou ele, pegando o macaco e enfiando-o na
camisa. Ele passou o brao por duas garotas louras da Georgetown. - Vocs podem dormir
l, se quiserem.
Tiphany entrou na cozinha usando s um suti preto, que tamb devia ser de Ruby. Ela
atirou alguma coisa para Vanessa.
- Aqui est a merda da sua blusa.
Vanessa nem achou que esse tipo de comportamento merecesse uma resposta. Ela observou
com uma satisfao disfarada enquanto Tiphany pegava o furo pelo plo do pescoo,
arrastava a mochila pela sala e saa pela porta.
Tiphany no era nenhuma sem-teto. Chuck tinha muito espao.
d e v transam com palavras

Agora s restavam alguns extraviados. Vanessa religou os disjuntores e avaliou o prejuzo.
Teria de contratar um servio de limpeza para ajud-la com aquilo tudo. Talvez ela
descobrisse um jeito de cobrar de Tiphany.
Dan estava de quatro, procurando pela camisa e pelos sapatos. Os cabelos castanhos
desgrenhados estavam colados nos olhos e ele mal podia enxergar.
Vanessa desceu do fogo.
-- Voc pode ficar -- disse ela delicadamente. O que aconteceu foi culpa dela, afinal. Se
ela no tivesse cado na bes-teirada da Tiphany, ela e Dan estariam morando juntos e se
dando bem em vez de afundar no desastre.
Dan encontrou umm tnis Puma e o calou. Um era melhor do que nada. Ee se levantou. O
lbio superior de Vanessa estava com uma crosta de sangue, mas ela ainda estava melhor
do que ele.
-- Vou com a banda. Eles querem que eu seja o homem de frente deles -- babuciou ele
com uma urgncia de bbado.
Vanessa no tinha idia do que ele estava falando. Talvez, se eles s se sentassem e
conversassem, como sempre faziam, as coisas voltassem ao normal.
--  meu aniversrio--lembrou-lhe ela, tentando evitar que a voz falhasse.--No quer ler
o poema que escreveu para mim?
Dan sacudiu a cabea. Quase tudo que ele tinha escrito era para Vanessa.
--  uma msica. Todos so msicas.
-- Tanto faz. --Vanessa pegou a folha de papel na gaveta do banheiro, grata por nenhuma
garota enxerida ter fuado por ali procurando algum gel capilar ou coisa parecida e levado
o poema com ela.
Ela o entregou a Dan e se sentou na frente dele. Era um alvio ficar sozinha com ele de
novo, mesmo que as paredes estivessem ruindo em volta deles.
O corao de Dan ainda batia como um louco, mas o resto de seu corpo estava
desacelerando. Ele leu o poema com cuidado, a lngua pesada de bebida e cansao.

uma lista de coisas que voc adora:
preto
botas com ponta de ao
pombos mortos
chuva suja
ironia
eu

uma lista de coisas que eu adoro:
cigarros
caf
voc e seus braos brancos como ma
mas o problema das listas  que tendem a se perder

--  letra de msica, n? -- observou Dan. --- Quer dizer, ficaria muito melhor com
msica. -- Ele tentou reler o poema para si mesmo, mas as palavras comearam a danar
na pgina e ele no conseguia encontrar sentido em mais nada. Ele sabia que tinha escrito
por um motivo, mas no conseguia lembrar qual.
Vanessa fez um som estranho de quem est ofegante e ele olhou e a viu chorando daquele
jeito entrecortado de quem no chora com muita freqncia. S uns minutos antes, Dan
estava se divertindo muito, gritando a plenos pulmes em um microfone. Como  que tudo
ficou to srio de repente?
Vanessa pegou a mo dele. O rosto dela estava molhado e manchado, o nariz escorria e
havia um brinco de prata sangrento no lbio superior.
-- Olha, eu sei que est tudo uma loucura, mas ainda vai ficar tudo bem. Quer dizer, 
como no seu poema. Eu gosto de coisas feias. Ns dois gostamos quando as coisas no so
perfeitas, n?
A mo de Dan pousou mole na dela. Ele sabia que o que Vanessa estava dizendo era
importante, mas no conseguia se concentrar. Ele precisava era de um cigarro e, pelo que
podia se lembrar, no tinha nenhum. Ou talvez os cigarros dele estivessem no outro p do
tnis.
-- Preciso encontrar meu tnis -- disse ele a Vanessa. As lgrimas comearam a cair.
Vanessa pegou a mo dele
com fora, desesperada para terminar o que tinha comeado, explicar o que ela achava que
o poema de Dan significava e como pensava que era verdadeiro.
-- No precisamos ir para a mesma faculdade, nem morar juntos. Podemos s ficar. -- Ela
limpou o nariz nas costas da mo livre. Havia manchinhas de sangue na cala de zebra que
caram do piercing. Ela as esfregou com raiva. -- No importa o que a gente fizer, sempre
vamos ficar juntos, no ?
Dan assentiu.
--  -- concordou ele retoricamente. No era que no estivesse sentindo a dor dela, ele s
no conseguia ter uma conversa to intensa nessa hora.
Os ombros de Vanessa se sacudiram num soluo silencioso. Ela enxugou o nariz
novamente, curvou-se para a frente e o beijou na boca. Dan tentou retribuir o beijo, mas
teve medo de machucar o lbio de Vanessa.
-- Tudo bem.--Ela soltou a mo dele e tentou sorrir. -- Saia daqui. V virar um astro do
rock ou sei l o qu.
Dan a encarou. Ela estava deixando ele ir? D.
-- Mas voc j vai?! --Vanessa cutucou o peito dele enquanto lutava para conter outra
rodada de lgrimas.
Dan se colocou de p, cambaleando. Mal podia ver o cho, de tanta ponta de cigarro,
garrafa vazia, roupas deixadas para trs e coisas destrudas que estavam ali.
-- Posso voltar amanh e ajudar a limpar -- props ele pouco convincente enquanto se
arrastava pela baguna.
Como se amanh ele estivesse todo de olhos brilhantes, de cabelo penteado e pronto para
calar luvas de borracha para esfregar o cho.

b e n fazem pra valer

-- Voc ainda tem isso? -- Blair puxou a gola em V da cash-mere verde-musgo, que ela
dera a ele um ano antes, do encosto da cadeira da mesa de Nate, onde ele deixara na noite
anterior. Ela virou-a pelo avesso, procurando saber se o pingen-te de coraozinho de ouro
que tinha costurado por dentro da manga ainda estava ali. Estava.
Nate estava parado no meio do quarto, observando-a. Ele queria tirar a roupa, agarr-la e
atir-la na cama, mas sabia, por experincia prpria, que Blair gostava de fazer as coisas do
jeito dela, ento ele teria de esperar.
Blair baixou o suter e passou a mo pelo modelo de veleiro na mesa de Nate. Ao lado
havia uma foto dele e dos amigos da St. Jude's, segurando dois peixes grandes que tinham
pegado numa viagem de pesca no Maine. Com os braos fortes e bronzeados, o sorriso
branco e largo, o cabelo castanho-dourado e os olhos verdes brilhantes, Nate era o mais
bonito de todos. No que ela no soubesse disso a vida toda.
Ela no sabia o que estava esperando, e no queria protelar. S no ficava sozinha com ele
dessa forma perfeita e ntima h tanto tempo que queria saborear o momento. E o
engraado era que todas as outras vezes -- e foram muitas -- que ela pensou que eles
estavam a ponto de transar, ela ficava nervosa e agitada e no conseguia parar de falar. Mas
no dessa vez.
-- Quer ouvir uma msica ou colocar um filme ou coisa assim?--indagou Nate,
perguntando-se se precisava levantar o astral. Se ao menos ele tivesse umas velas, um
incenso ou coisa parecida. leo para massagem? Algemas?
T legal, no vamos exagerar.
Blair foi at a estante e acendeu a luminria de globo ridcula que Nate tinha desde os cinco
anos. Depois ela apagou a luz do teto. A luz do globo se misturou com o brilho do luar que
entrava pela clarabia, lanando uma luz azul e suave no quarto.
-- Pronto. -- Ela tirou os sapatos Kate Spade pretos. As unhas dos ps estavam pintadas de
vermelho-escuro e pareciam sensuais at para ela. Ela sorriu para Nate. --Vem c.
Ele obedeceu, enfiando as mos por baixo da blusa dela e ajudando-a tir-la enquanto ela
praticamente rasgava a dele ao pux-la pela cabea. Seu suti era fino, branco e sem
armao e, quando ela o desabotoou, parecia um leno de papel no cho.
Nate manteve-se firme. Tinha chegado a esse ponto tantas vezes que no ficaria surpreso se
a me de Blair batesse na porta e dissesse a eles que eram trigmeos e que os outros dois
bebs iam nascer nesse minuto.
Blair passou os braos no pescoo dele e o abraou forte. Todas as vezes que se imaginava
fazendo isso, ela colocava a si mesma e Nate no lugar dos atores de um filme antigo.
Audrey Hepburn e Gary Cooper em Amor na tarde. Kathleen Turner e William Hurt em
Corpos ardentes. Mas isso era muito melhor, porque era real, e parecia to elegante.
Ele no conseguia parar de beij-la. Ela guiou a mo dele para o cs do jeans e depois a
pegou. Tudo bem, ento talvez ningum fosse bater na porta e o cu no ia cair. Talvez
dessa vez realmente acontecesse.
Ela o empurrou para a cama e tirou a cala e a calcinha. E depois no havia mais nada para
tirar. Eles se beijaram de novo em cada ponto beijvel, at que ficou bvio que era
necessrio tomar certas medidas. Nate remexeu na gaveta da mesa-de-cabeceira,
procurando uma camisinha.
Agora vem a parte inoportuna.
S que no foi inoportuna. Sem dizer uma palavra, Blair pegou a camisinha, desceu pelo
corpo dele aos beijos e cuidadosamente a colocou, como vestia as delicadas meias emYale.
Pronto. Bem melhor.
Nate tinha se esquecido de como era ficar com Blair. Como o toque dela no era uma
experincia de casa mal-assom-brada, onde ele tinha de adivinhar s cegas onde estavam as
coisas e o que eram, e ficava esbarrando nas paredes. Com Blair, ele simplesmente sabia. E
tudo parecia se encaixar.
Blair nem precisou dizer a Nate para pegar leve. Eles estavam numa sincronia to grande
que s o que ela fez foi fechar os olhos e abra-lo, arquear as costas um pouco e sentir que
estava acontecendo.
T-d!
Quando terminou, eles ficaram deitados de costas, de mos dadas e sorrindo para o teto,
porque sabiam que alguns minutos depois podiam transar novamente. Eles podiam passar o
resto da vida transando se quisessem. Pediriam comida na ala da casa de Nate. Fariam as
provas finais on-line.
-- Talvez eu no v para a faculdade -- murmurou Nate. Por que deveria, quando havia
tanto prazer para ter? Ele beijou a mo dela. -- A gente podia velejar pelo mundo juntos.
Fazer aventuras.
Blair fechou os olhos e tentou se imaginar navegando pelo mundo com Nate no iate que ele
ia construir especialmente para os dois.
-- Eu ia usar um biquni Missoni diferente a cada dia e ficar com um bronzeado perfeito --
sussurrou ela.
Em sua cabea, a fantasia continuava. O corpo dos dois seria forte e magro de trabalhar no
iate e da dieta de peixe cru, alga marinhas e champanhe.  noite eles iam fazer amor sob as
estrelas e de manh iam fazer amor ao som das gaivotas. Eles teriam filhos lindos, louros e
bronzeados, que nadariam como golfinhos e nunca usariam roupa. Eles parariam em portos
exticos, onde os nativos danariam para eles e lhes dariam jias raras e peles de presente.
Um dia eles teriam acumulado uma coleo de tesouros e seriam conhecidos no mundo
todo como os navegantes mais ricos do universo, e piratas apareceriam para saquear o
butim e roubar os filhos impossivelmente lindos do tipo modelos de Ralph Lauren. Na
poca, sem nada melhor para fazer com todas as horas no barco, ela e Nate j seriam faixa-
preta em carat e combateriam os piratas, man-dando-os afundar para a morte no mar
infestado de tubares. Depois eles navegariam  luz da lua, ilesos e mais apaixonados do
que nunca.
Bem que podia acontecer.
-- Ou talvez a gente v para Yale -- disse ela cheia de esperana. Hoje, um mdico do
hospital da me dela tinha deixado um bilhete com o porteiro dizendo que queria escrever
uma recomendao ao programa de medicina de Yale. Ela nunca pensou em se tornar
mdica, mas, se iria para Yale, por que no?
-- Vou jogar lacrosse e me especializar em geologia -- murmurou Nate no cabelo dela.
--  -- concordou Blair sonhadoramente.
Nate escavaria as florestas de Connecticut procurando rochas e usaria lindos suteres Aran
que ela ia tricotar para ele durante as longas aulas de medicina. Todas as alunas de
medicina seriam apaixonadas pelo brilhante jovem bilogo que por acaso tambm era
orientador de Blair, mas ela no daria a mnima para ele -- s teria olhos para Nate.
-- E vamos morar juntos -- acrescentou ela em voz alta. Em uma antiga casa vitoriana em
runas perto do campus. Eles fariam sidra quente no forno a lenha e assariam marshmallows
na lareira.
Nate sorriu, feliz.
-- Vamos ter um dogue alemo.
-- No, dois dogues alemes e dois gatos -- corrigiu Blair. E eles ficariam to envolvidos
com os estudos e transando na cama antiga em seu quarto vitoriano rachado que iam se
esquecer de cortar o cabelo ou comprar roupas novas e iam parecer hippies, mas ainda se
formariam com louvor.
-- E vamos nos casar -- sussurrou ele.
-- . -- Blair apertou a mo dele sob os lenis.
Eles teriam um casamento gigantesco na catedral de St. Patrick e, quando voltassem da lua-
de-mel de um ano no sul da Frana, morariam na cobertura da Quinta Avenida que dava
para o parque. Ela seria cirurgi-geral em Nova York e ele ficaria em casa com os quatro
filhos louros de olhos verdes, construindo veleiros na sala de estar. E ele sempre ia levar
um Hershey's Kiss para o almoo dela, para mostrar que a amava.
Blair se virou e pousou a cabea no peito de Nate. As possibilidades eram infinitas, mas
eles no tinham de decidir nada agora. A nica deciso que tinham de tomar naquele
momento era se iam transar novamente, ou esperar alguns minutos e depois transar.
O corao dele batia no ouvido de Blair, um som urgente e vibrante. Ela ergueu a cabea e
o beijou.
Por que esperar?

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temas / anterior / prxima / faa uma pergunta / respostas

Advertncia: todos os nomes verdadeiros de lugares, pessoas e fatos foram abreviados
para proteger os inocentes. Quer dizer, eu.

oi, gente!

UMA FESTA MVEL

Da ltima vez que eu vi, todos ainda estavam respirando, mais ou menos. Uma festa que
dura a noite toda -- o que significa se arrastar at esta tarde -- conta como uma festa ou
duas? Aqueles caras eram realmente os Raves, ou uma banda de bar nerd de Williamsburg
fingindo que eram os Raves? E nosso poeta preferido do Upper West Side realmente ficou
to bbado que nem conseguiu encontrar o outro tnis? No que isso tenha afetado o canto
dele. Ele quase parecia melhor em Manhattan do que no Brooklyn, mas talvez seja porque
estivesse todo feliz. Minha parte preferida da noite foi quando aquelas meninas louras com
suteres iguais da Georgetown, apitos e Band-Aids na barriga fizeram um coro de lderes
de torcida para a msica e depois convidaram todos os caras para a cama para fazer o jogo
da garrafa. E eu que tinha ouvido dizer que as meninas da Georgetown eram todas to
castas.
Duas pessoas que notavelmente estavam ausentes continuaram ausentes a noite toda, e
ainda esto sumidas. Dizem que desapareceram juntos e que pelo resto do ano letivo vamos
ter de ver os dois cheios de energia porque o amor  lindo e bl, bl, bl. Mas tenho certeza
de que a gente pode convocar umas surpresas para tornar a vida deles mais interessante --
no ?

Seu e-mail

P: Cara GG,
Ando preocupada com a minha irm. Ela deu uma festona no Brooklyn ontem  noite e
aconteceu um monte de merda.  provvel que voc tenha ido. Ela est bem?
-- rb

R: Cara rb,
Ela parecia toda irritada quando nos expulsou para ficar com uma cicatriz permanente. Ns,
mulheres, somos muito resistentes. Embora possa levar algum tempo para o lbio dela curar
e ela definitivamente possa precisar da ajuda de uma faxineira.
-- GG

P: Tudo bem, ento vamos todos para Nova York recrutar aquela garota para ir para a
nossa universidade e depois ela desaparece totalmente. DEPOIS a gente, tipo assim, quase
quebra o pacto que foi basicamente a nossa misso na vida por dois anos.  tudo culpa dela,
e a gente no quer mesmo que ela v para a nossa universidade nem seja de nossa
irmandade de jeito nenhum.
-- becs

R: Cara becs,
No tenho certeza do que posso fazer para te ajudar a essa altura. Vocs ainda tm umas s
outras--no ?
-- GG

Flagra

S dando um pequeno brunch s para homens em seu apartamento na Quinta Avenida. Na
ltima verificao do buf, a mesa estava posta para catorze. J e D dando autgrafos na
calada dos estdios da MTV. Eles podem no ser famosos ainda, mas, se agirem como
famosos, o mundo ser pequeno para eles. V colocando placas de Procura-se Colega de
Apartamento em toda Williamsburg. C e a garota preta-e-roxa que mora com ele
empurrando seus animais de estimao em um carrinho de boneca pelo Zoolgico do
Central Park. Olha como ele encontrou a bab perfeita para o macaco enquanto estiver em
West Point no ano que vem. Desaparecidos: B e N. Vistos pela ltima vez saindo do prdio
dela na 72 com a Quinta para ir para a casa dele na 82 por volta das onze e meia da noite de
ontem.

Minha cabea ainda est girando com vises de macacos e fures e garotas de colete de
couro turquesa, mas no estou com tanta ressaca que no possa fazer mais perguntas:

Ser que D e V ainda esto juntos, ou agora so s amigos?

Que tipo de "colega de apartamento" ela est procurando exatamente?

D se tornar um deus do rock famoso no mundo todo?

B finalmente ir para Yale? Ser que ela vai entrar para o exrcito ou se tornar mdica para
conseguir isso?

B, N e S vo juntos para Yale? Ser que essa  mesmo uma boa idia?
J se tornar uma supermodelo famosa e intocvel ou colocar tudo a perder de novo e ter
de ir para o colgio interno para fugir do olhar fulminante das pessoas?

N ser infiel a B de novo? Se for, ser que vai pensar em transar comigo?

Sei que voc est morrendo de vontade de descobrir. Mas, primeiro, por favor, v para casa
e descanse um pouco.

Pra voc que me ama,
gossip girl


                                           FIM


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